TEMER TEM QUE CORTAR NA CARNE

TEMER TEM QUE CORTAR NA CARNE

Uma boa oportunidade para Temer se recuperar das últimas decisões desastradas – criação de ministério para Moreira Franco; indicação de Alexandre de Moraes para o STF; nomeação de Serraglio para a Justiça; permanência de Eliseu Padilha no governo mesmo depois de ter sido acusado por José Yunes de tê-lo usado como “mula” – é botar pra fora do governo o ministro Blairo Maggi.

O escândalo da carne é o maior desse governo porque além de ser um caso de corrupção dentro do ministério da Agricultura envolve boa parte das exportações brasileiras e a saúde do brasileiro e dos cidadãos dos países que importam do Brasil.

A repercussão negativa foi imediata: ações das gigantes como Sadia, Perdigão, Friboi, cairam vertiginosamente na Bolsa. Hoje de manhã, a loja da Swift aqui perto de casa, que costuma estar cheia não tinha um cliente.

Posso imaginar o que está acontecendo nos países da Europa e na Rússia, que adotam regras de fiscalização muito rígidas. Devem estar em polvorosa. E, antes de serem criticados dentro do país, devem estar à procura de fórmulas alternativas para deixar de comprar carne brasileira.

Politicamente, é o maior desastre do atual governo. Temer chegou prometendo “salvar o país” e instaurar uma era de moralidade e então se descobre que dentro do seu governo, dentro do ministério da Agricultura um grupo de fiscais vende carimbos de qualidade permitindo as maiores barbaridades, inclusive comercialização de carne estragada.

Não é somente um caso de corrupção, como os da Lava Jato. É um caso que afeta as exportações brasileiras, joga a imagem do Brasil na latrina e mostra que o governo não está nem aí com a população.

Mostra a incompetência e a falta de compromisso desse governo com o povo, não só com o povo petista, mas do povo como um todo, inclusive a classe média que foi às ruas para colocá-lo no poder.

Se Temer já era o presidente mais impopular das últimas décadas vai atingir índices nunca antes imaginados.

Como tem acontecido sempre, ele ainda não disse nada sobre o assunto que, ao lado da volta da febre amarela deve se tornar o mais comentado em todas as rodas de conversa.

Um presidente de verdade numa hora como essa já teria convocado o ministro para dar explicações, já teria ido à televisão fazer um pronunciamento enfático, tranquilizar a população, os importadores, prometer total apoio às investigações, oferecer esclarecimentos, dizer alguma coisa, enfim.

Temer não fez nada disso. Primeiro, como disse a ex-presidente Dilma, porque é medroso; segundo, porque é um presidente sub-judice e terceiro porque sabe que os brasileiros não acreditam no que ele diz.

Por seu lado, a Polícia Federal prestou um grande desserviço ao não informar à população, de forma clara e contundente, se todos os frigoríficos ou apenas alguns e quais comercializavam carne estragada ou se compravam os fiscais apenas para agilizar os trâmites.

Na falta dessa informação fundamental, a tendência é que todas as carnes sejam boicotadas, nos mercados interno e externo.

E se Temer não agir rapidamente, demitindo o ministro responsável pelo escândalo, vai permitir que sigam em frente especulações acerca do fim prematuro de seu infeliz e malfadado governo.

ALEX SOLNIK

 

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