Derrota humilhante de Sérgio Moro é marco histórico

Derrota humilhante de Sérgio Moro é marco histórico

A derrota humilhante de Sérgio Moro na tentativa de enquadrar, nos parâmetros surreais da jurisprudência de Curitiba, o blogueiro Eduardo Guimarães, é um marco histórico nos três anos da Lava Jato. Até aqui a cumplicidade Mídia-Poder ditou de forma muito compacta, quase sem fraturas, o que deveria ser considerado verdadeiro, justo, legal e correto. Mas esse esquema acaba de sofrer um grande abalo.

A informação sobre o recuo de Moro está em reportagem do UOL agora à tarde:

“Em despacho divulgado nesta quinta-feira (23), o juiz da 13ª Vara Federal do Paraná, Sérgio Moro, recuou e decidiu não investigar mais o blogueiro Eduardo Guimarães, que edita o Blog da Cidadania. Guimarães divulgou informações sobre a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março do ano passado.”

A forma de funcionamento da conexão Mídia-Poder (seja o poder judicial, o poder econômico ou o poder político),  é fácil de compreender. Basta lembrar a nomeação de Lula para o ministério da Casa Civil, para ter claro como funciona essa articulação de cumplicidades.  Nomeado Lula, os principais portais, com destaque para o G1 da Globo, estamparam as barbaridades ditas por FHC (“um analfabeto não pode comandar o estado”) e Gilmar Mendes (“Nomeação de Lula é uma barbárie, uma bizarrice, o momento mais caricato da história da nação”). O tom era sempre o mesmo: de incredulidade, escândalo, perplexidade.

Em todos os grandes portais, nos jornalões, nos blogs ligados à eles, repetia-se a mesma edição: fotos esdruxulas de Dilma ou Lula, escurecidas, soturnas, grande manchetes escandalizadas e enorme destaque aos críticos da nomeação. Foi o quanto bastou para dar caráter de “verdade”  e “legalidade” à exclusão de Lula do ministério. Sérgio Moro pôde, nesse clima, com toda tranquilidade liberar os áudios das conversas ilegalmente gravadas de Dilma e Lula. Foi o golpe de misericórdia na nomeação.

O recuo de Moro depois da condução coercitiva de Eduardo Guimarães e, o que é um indício bem significativo, depois de emitir nota batendo o pé na desqualificação do blogueiro como jornalista, revela o calcanhar de Aquiles do verdugo de Curitiba. Esse calcanhar foi posto com a ação de denúncia iniciada no coração da blogosfera, imediatamente após a condução coercitiva, e expandida por inúmeros outros canais, inclusive importantes organizações, e por associações de jornalistas.

O Cafezinho postou, após uma chamada de urgência do seu Editor-Chefe, Miguel do Rosário, na manhã do dia 21, que teve 24 mil compartilhamentos (Lava Jato sequestra blogueiro Eduardo Guimarães), 17 artigos de denúncia, fez uma edição do programa Cafeína dedicado ao tema, além de produzir e compartilhar diversas outras postagens na sua página do Facebook.

A mesma pressão se viu nos Jornalistas Livres, na Mídia Ninja, no DCM, no ConversaAfiada, no GGN, no Tijolaço, e em quase toda a blogosfera. O resultado foi introduzir uma fenda na sólida e compacta ligação de Mídia e Poder Judiciário.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), instituição controlada atualmente pela Globo, se viu forçada a denunciar o atentado contra a liberdade de imprensa. Chegando a esse ponto, Moro teve quer reconhecer que estava sozinho. A articulação de Mídia-Poder havia sido rompida. Não teve saída senão recuar vergonhosamente, o que equivaleu a uma confissão silenciosa da sua atuação ilegal contra a Constituição e os direitos fundamentais.

Mas o encanto se quebrou apenas momentaneamente. Moro foi transitoriamente despido das suas vestes dissimuladoras e suas ilegalidades ficaram expostas do modo mais patente. Contudo, é certo, que as íntimas ligações de mídia golpista e poder se refarão sem dificuldades, uma vez que são vitais para os dois lados. Contudo, essa foi uma bela lição do que pode a mídia alternativa sempre que atue conjuntamente, com um objetivo claro e de forma intensa.

Por Bajonas Teixeira, colunista de política do Cafezinho

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