A empreitada do cinismo

A empreitada do cinismo

O grande problema do cinismo é quando ele é levado a sério.

Essa é uma das grandes tragédias brasileiras.

Ler, sem ter embrulho no estômago, a manchete do Estadão, no seu site, onde Marcelo Odebrecht diz que “a Operação Lava Jato foi muito positiva” e que “o Brasil precisa de uma varredura ética”  porque, afinal, “toda a sociedade errou” é impossível.

Fico imaginando se um sujeito pobre, que passou a mão nuns cobres de alguém num assalto vai ser convidado pelo juiz a dissertar sobre as razões que o levaram a assaltar.

Mas é pior ainda ver isso ser levado a sério e ouvido, como se fosse uma lição de civismo, numa corte eleitoral suprema, como se a opinião do sr. Marcelo Odebrecht nestes temas se prestasse a alguma coisa. Aliás, em qualquer processo judicial que se preze, testemunha não opina. Como o perdão da expressão obvia, testemunha, testemunha.

A Odebrecht nasceu e cresceu neste ambiente. Deve a ele muito mais do que qualquer político que tenha ajudado a eleger; lucrou incomparavelmente mais que qualquer corrupto que tenha se relacionado. A autoridade moral que tem para dar conselhos é zero e mais ainda quando se cala diante do que lhe fizeram para que os bilhões, que sempre se sobrepuseram a sua honra, sejam preservados em acordos que não apenas mantêm a empresa – o que seria correto – mas sua propriedade sobre ela.

Mas o cinismo nacional, propagado por nossa mídia apresente um Odebrecht que ainda pretender dar lições de moralidade.

Francamente, é nojento.

POR FERNANDO BRITO

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