Governo Doria: 100 dias de cinzas, por vereador Reis

Governo Doria: 100 dias de cinzas, por vereador Reis

Após 100 dias, precisamos avaliar a gestão de um homem que se diz um gestor, mas que, na verdade, é um político ambicioso. Mal entrou no jogo político e já sonha com a presidência da República. Doria demonstra a convicção que trabalhar é uma atividade permanente de autopromoção.

Com um patrimônio estimado de mais de 180 milhões, durante 15 anos deu um calote de R$ 90 mil no IPTU, relativo à sua mansão dos Jardins. Apoia Temer e sua agenda econômica do desemprego, do fim dos direitos trabalhista e da aposentadoria. Atuando na mesma linha do governo federal, em São Paulo, Doria mudou o Leve Leite para pior. De 916,2 mil estudantes que recebiam esse benefício que, inclusive, tem efeitos na alimentação familiar, restaram no programa apenas 223 mil. Uma redução de custo de R$ 331 milhões para R$ 150 milhões, ação da cartilha neoliberal que recomenda cortar gastos com políticas sociais.

O Corujão da Saúde tão propagandeado serviu para demonstrar ao Tribunal de Contas do Município (TCM) que na rede pública se faz 273,4 mil atendimentos por R$ 8 milhões e nos hospitais privados apenas 69,3 mil por R$ 9 milhões.

Nesses 100 dias de governo, Doria ainda colocou em seu currículo de “gestor”, 916,2 mil uniformes e kits de material escolar que não foram entregues aos estudantes, 4 mil alunos que ficaram sem atividades culturais de música, dança, teatro e artes plásticas nos CEUs, desenvolvidas há 11 anos e a cobertura com tinta cinza do maior painel de grafite da América Latina. E prometeu, também, retirar a distribuição de remédios das farmácias das AMAs e UBSs para entregar às farmácias privadas, em uma dotação orçamentária de R$ 50 milhões.

Doria tem como lema “acelera”, mas no que tange ao transporte público, ameaçou a gratuidade para estudantes de baixa renda e das pessoas com idades acima de 60 anos. Aumentou em 35,7%, o valor bilhete único integrado com o metrô e a CPTM, aumento esse sustado por uma liminar. Anunciou que vai privatizar a gestão do bilhete único e, assim, colocar na mão de empresas privadas, 5,6 milhões de pessoas que movimentam cerca de R$ 40 milhões diariamente. Acelerou, sim, as marginais e com isso tivemos o aumento em 130% nos acidentes, com 106 vítimas, entre 25 de janeiro e 23 de fevereiro.

O atual prefeito se diz amigo de Alckmin, mas não vimos nenhum resultado prático de convênios entre estado e município, que sirvam para resolver os problemas da população.

Anunciou o fim da Cracolândia, mas até agora o que se viu foram bombas de gás lacrimogênio contra aqueles que já se veem no limite máximo da exclusão. Desconsiderou o trabalho paciente que o então prefeito Haddad vinha realizando, com diversos resultados promissores. Na realidade, colocou fim ao Programa de Braços Abertos que já atendia 800 usuários em tratamento de saúde e psicológico, inseridos em dez frentes de trabalho, além de atividades como jardinagem e limpeza de ruas.

Carro chefe de sua gestão, o Programa Cidade Linda é a repetição dos contratos de limpeza urbana que tiveram início em 2011 e encontram-se em vigor com cláusula resolutiva, no seu sexto e último ano. Ou seja: 2017 deveria ser um ano de menos demagogia, para que fosse elaborado um novo modelo de limpeza urbana. Anualmente, São Paulo gasta R$ 2,4 bi com essa área e, para além do desejo de termos um centro da cidade limpa, é preciso levar às favelas e bairros distantes, mais investimentos na área, para prevenir doenças como o vírus aedes aegypti, por exemplo. Por outro lado, considerar o lixo como fonte de riqueza, geração de trabalho e renda, colocando a todo vapor as duas Centrais Mecanizadas de Triagem para reciclar 200 toneladas por dia e os cinco pátios de compostagem, para transformar em adubo 400 toneladas por mês dos resíduos das feiras e podas de árvores, evitando que sejam pagos R$ 65,00 por tonelada de lixo nos aterros sanitários. Não foi com bravatas que o Japão se tornou exemplo e hoje recicla 77% do plástico, por exemplo.

A Cidade de São Paulo saiu do foco de um novo projeto de desenvolvimento, com igualdade social e paz, para discutir a carreira de um político que vai deixar a Prefeitura para mais uma candidatura, embora tenha assinado um compromisso público de permanecer no cargo pelos quatro anos de mandato. Ambicioso por dinheiro, mostra-se também ambicioso pelo poder e já articula a candidatura à presidência. Tudo isso, sem nada ter realizado de relevante como gestor público na Secretária Estadual de Turismo, EMBRATUR e, atualmente, na Prefeitura de São Paulo.

Por Vereador Reis (PT/SP)

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