Zombando do povo! Quem não apareceu na lista está sem prestígio, diz Paulinho da Força

Zombando do povo! Quem não apareceu na lista está sem prestígio, diz Paulinho da Força

Alvo de um dos inquéritos autorizados pelo ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP) diz que “quem tem de estar preocupado é quem não saiu na lista”.

“Quem não apareceu está sendo considerado desprestigiado”, afirmou.

Ele disse que a divulgação dos políticos que se tornaram alvo de investigações a partir das delações de ex-executivos da Odebrecht não trouxe consequências ao Congresso.

“Não tem clima de problema, não, o pessoal está até brincando: ‘Você tá na lista?’, ‘Você tá na lista?’.”

A investigação sobre Paulinho é baseada nas declarações prestadas pelos colaboradores Carlos Armando Guedes Paschoal, o CAP, e Alexandrino de Salles Ramos de Alencar.

CAP foi diretor da Odebrecht em São Paulo e Alencar era diretor de relações institucionais da empreiteira.

Segundo o Ministério Público, Paschoal diz ter recebido pedido de Paulinho para que a empreiteira contribuísse com sua campanha eleitoral, em 2010. A Odebrecht repassou naquele ano R$ 200 mil em espécie, sem qualquer registro oficial.

Alexandrino Alencar, por sua vez, diz ter recebido a solicitação diretamente do parlamentar e após concordar com o repasse o deputado federal teria auxiliado a empresa nas soluções de problemas na obra RNEST e nas Usinas Hidrelétricas do Rio Madeira.

Outra razão citada por Alexandrino seria o “assento” que a Força Sindical detinha no FI-FGTS e da relação que o deputado Paulo Pereira tinha com a pessoa de Luiz Fernando Emediato.

Ambos os colaboradores afirmam que os valores foram repassados por meio do Setor de Operações Estruturadas. O beneficiário, segundo Cap e Alexandrino, era identificado nas planilhas pelos apelidos “Boa Vista” e “Força”.

Paralelo a isso, segundo os delatores, houve doação oficial de R$ 500 mil reais ao parlamentar.

Paulinho também é alvo de outro inquérito aberto por Fachin a pedido da Procuradoria. Segundo o despacho do relator da Lava Jato, os colaboradores da empreiteira afirmaram que a campanha de 2014 do candidato recebeu R$ 1 milhão, em duas parcelas, em pagamentos não contabilizados, em troca de vantagens indevidas.

Para a PGR (Procuradoria-Geral da República), há indícios de que os recursos foram fruto de propina e por isso a investigação aponta a suspeita de corrupção passiva.

Os delatores foram Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental, e Hilberto Mascarenhas, ex-diretor do departamento de operações estruturadas, o setor de propinas da empresa, de onde teria saído o dinheiro para Paulinho da Força.

De acordo com a Procuradoria, o apelido do deputado nas planilhas internas da Odebrecht era “Forte”, suposta referência à Força Sindical.

“Tal pagamento se dava como contrapartida ao apoio político do referido parlamentar em função da greve ocorrida na Embraport em Santos/SP e da invasão que a sede do grupo empresarial sofrera no ano de 2013”, diz trecho da decisão de Fachin pela abertura do inquérito.

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