Temer admite que recebeu “bandido notório” no Palácio do Jaburu

Temer admite que recebeu “bandido notório” no Palácio do Jaburu

O redator da nota à imprensa assinada por Temer para rebater as declarações de Joesley Batista à revista Época foi especialmente infeliz no trecho em que trata o rei do gado como “notório bandido de maior sucesso na história brasileira”.

Pobre Temer! Está tão alienado e fora de si que não percebe que quanto mais desqualifica Joesley mais desqualifica a si próprio, pois as relações entre ambos são notórias há sete anos.

Como é que Temer mantém relações cordiais com um “bandido notório” por tanto tempo e lhe dá acesso ao governo para resolver problemas da sua empresa?

Como é que permite que um “bandido notório participe de seu círculo de amigos, juntamente com Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima e Eliseu Padilha?

Como é que recebe um “bandido notório” nos porões do Palácio do Jaburu num domingo às 11 da noite?

A troco de que?

O que um presidente da República tem a tratar com um “bandido notório”?

Se é um “bandido notório” por que Temer não o denunciou à Justiça antes que ele o acusasse?

A desculpa de Temer foi “ah, ele insistiu tanto que acabei o recebendo”.

Há-há-há. Se eu insistir Temer vai me receber no Jaburu num domingo às 11 da noite?

Ou ele só abre as portas para “bandidos notórios”?

Se ele recebe um “bandido notório” fora de expediente e não chama a polícia para prendê-lo está no mínimo acobertando um criminoso.

A única coisa que Temer conseguiu ao chamar Joesley de “bandido notório” foi ter admitido que recebeu um “bandido notório” no Jaburu.

Mas, pelo amor de Deus, não quero com isso dar ideias para Temer demitir seu ghost-writer e eu tomar o seu posto.

Na verdade, ghost-writer algum pode salvá-lo.

Não há ghost-writer que dê jeito naquela cena do seu amigo de fé, irmão, camarada Rodrigo Rocha Loures correndo com cara de palerma com uma mala de 500 mil reais depois de Temer tê-lo indicado para resolver problemas das empresas de um “bandido notório”.

Aquilo foi muito forte.

ALEX SOLNIK

Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais “Porque não deu certo”, “O Cofre do Adhemar”, “A guerra do apagão” e “O domador de sonhos”

Comentários

%d blogueiros gostam disto: