Pregar morte de Lula é condenar liberdade

A grande mídia oligopolizada adepta do pensamento único perdeu o juízo. Segue o perigoso caminho da intolerância, da histeria, do absurdo, do terrorismo, do fascismo.

Pregar a morte de Lula abertamente não passa de puro medo dele.

A cada semana em que pesquisas de opinião apontam favoritismo de sua candidatura para disputar presidência da República em 2018, mais os ânimos dos, previamente, derrotados com essa evidência se acirram.

As divisões internas dos partidos, que se juntaram para dar o golpe em Dilma Rousseff, são puras constatações de que os mesmos se esgotam como propostas capazes de atender as demandas reais da sociedade brasileira por política econômicas e sociais satisfatórias aos interesses populares.

Os golpistas lançaram na alma popular o repúdio às ações deles, que se autocondenaram, historicamente.

As caravanas de Lula são sucesso inquestionável que lhe dão musculatura e força competitiva, na sua caminhada já, politicamente, vitoriosa, como ficou evidenciado no Nordeste e Minas Gerais.

O mesmo se repetirá nas próximas jornadas, no Rio de Janeiro, a partir das perspectivas do próprio mercado político, no qual as ações de Lula passam a ser compradas por uma leva de interessados conscientes do valor delas, enquanto as demais são descartadas, no compasso de suas desvalorizações inevitáveis.

O efeito devastador da inteligente estratégia lulista de ir ao encontro do povo para ouvi-lo, apenas, contrasta esse método honesto de fazer política, com o dos seus adversários, propensos aos golpes antidemocráticos de toda a natureza.

Lula é a essência da canção de Milton Nascimento, segundo a qual o artista deve ir aonde o povo está.

Lula, nesse sentido, é um artista popular, ao pulsar o sentimento dos eleitores, das suas profundas reivindicações, das suas ansiedades decorrentes da sua dura luta pela sobrevivência em um país de profundos contrastes, cuja elite tem medo de disputar eleições, para preservar seu poder a qualquer custo.

Nesse contexto, a pregação da morte de Lula revela a fragilidade das próprias forças que permitem a disseminação desse ponto de vista que choca, tremendamente, com a lógica democrática.

Ela expressa brutalmente o pensamento do ódio, do pavor que o ex-presidente desperta nos que não têm a força das ideias, mas as ideias da força, não a força do direito, mas o direito da força.

O golpe parlamentar jurídico midiático que derrubou as ideias lulistas/dilmistas de condução do poder não tem suporte democrático, por isso, não abrem perpectivas nem expectativas de vitória; ao contrário.

Somente, consegue se manter de pé, restringindo a liberdade alheia, o sequestro de direitos e conquistas sociais, constitucionalmente, alcançados na luta política pela liberdade de expressão, que constrói o contraditório, sem o qual não se avança no aperfeiçoamento das instituições.

O Brasil padece da imposição, pelo oligopólio midiático, de pensamento ditatorial disseminado por uma única fonte de informação que se propõe hegemônica, a do mercado financeiro, cuja sobrevivência requer rendição da sociedade a uma lógica, que se revela antissocial e antieconômica, imposta a ela sem consultá-la, como foi o caso do golpe de 2016.

Lula, em si, vai se mostrando o ponto de vista da maioria que se sente roubada em sua opção democrática.

Ela não votou pelo fim da CLT, que rouba direitos trabalhistas; não aprovou proposta que o governo ilegítimo encaminha que é a supressão de conquistas previdenciárias para os mais pobres no sentido de garantir-lhes renda mínima por meio do SUS – Sistema Único de Saúde -, expressão de pacto social inscrito na Constituição, a revelar o modo brasileiro de construir sua socialdemocracia.

Tampouco, a população concorda com o fim do financiamento público aos mais pobres para poderem chegar à formação universitária, como é o caso do FIES; da mesma forma, discorda da política do congelamento de gastos públicos em nome de ajuste fiscal cujas consequências são alteração da política de salário mínimo, alavanca que produziu, junto com programas sociais distributivos de renda, mercado interno consumidor, responsável por colocar a economia em novo patamar de avanço social e geopolítico do Brasil no contexto das nações etc.

Lula, em sua caminha, é a pregação da restauração dessas conquistas indispensáveis, sem as quais o País volta à condição de colônia das multinacionais, que, graças ao entreguismo e antinacionalismo instituído pelo golpe, compram, a preço de ocasião, nosso patrimônio nacional.

A morte de Lula, como pregam, sofregamente, seus adversários antidemocráticos, é a sustentação de um status quo do qual a sociedade, mediante políticas sociais e econômicas autossustentáveis, descolou-se, por meio do empoderamento popular, a fim de levá-la à verdadeira democratização do poder.

Matá-lo, real ou simbolicamente, é tentar escravizar a população via antirreformas que vê como problema o que Lula vê como solução: a autodeterminação popular.

Essa conquista, amplamente almejada, é a alvorada da liberdade que teima em se pronunciar como força irresistível da natureza.

 

REGINALDO LOPES

Economista e deputado federal pelo PT/MG

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