Caso William Waack pode conter surto racista no país

Caso William Waack pode conter surto racista no país

Pode-se dizer que, no Brasil, o racismo saiu do armário de alguns anos para cá. Claro que isso não significa que não fosse muito forte. Porém, estava muito bem dissimulado até que os grupos fascistas fossem redimidos pelas manifestações tresloucadas que a esquerda iniciou em 2013.

Naquele momento, os grupos fascistas saíram das cavernas nas quais se escondiam encorajados por um clima de vale-tudo que grupos políticos de ideologia diametralmente oposta (de esquerda) difundiram com o movimento que iniciaram para impedir que a tarifa da passagem de ônibus em São Paulo aumentasse 20 centavos.

O resultado dessa tragédia foi um aumento exponencial dos casos de racismo no país, conforme mostra estudo recente.

Até o mês de outubro, já foram computados 41 casos nos estádios de futebol de todo o Brasil e na internet. Isso significa um aumento de 64% em relação a 2016. Os dados são do Observatório da Discriminação Racial do Futebol Brasileiro, entidade dedicada a pesquisar e discutir o tema racismo no esporte. niversidade Federal do Rio Grande do Sul em sua elaboração.

Os casos de racismo só aparecem quando atingem celebridades como o goleiro Aranha, a cantora Ludmilla, a atriz Tais Araújo, a “garota do tempo” do Jornal Nacional, Maria Júlia  Coutinho, a Maju, entre outros.

Porém, os casos anônimos de racismo se multiplicam no dia a dia aos milhares, talvez milhões. Uma mísera busca no Google da expressão “casos de racismo no Brasil” retorna 35 mil resultados, com casos incríveis em termos de selvageria racista, com violência física, humilhações etc.

Nesse contexto, o caso William Waack fez bem ao país. Não deixar esse caso morrer e não deixar seu autor sem punição é vital para que os racistas se sintam intimidados.

Menos mal que o partido Frente Favela Brasil (FFB) se pronunciou em relação ao caso William Waack e decidiu ingressar com uma denúncia (notícia crime) contra o jornalista no Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (MPF-RJ), na sexta-feira (10).

Claro que isso não vai dar em nada. A Justiça brasileira não pune o racismo, mas se a Justiça ignora a lei, a literal destruição da imagem de Waack e o afastamento dele da programação que a internet obrigou a Globo a fazer constituem-se no único tipo de exemplo que serve para combater a criminalidade: a punição dos criminosos.

O aumento do racismo que tem se verificado decorre, também, do golpe parlamentar que destitui a ex-presidente Dilma Rousseff sem o preenchimento dos requisitos constitucionais para esse tipo de medida legislativa. Criou-se, no país, um clima de vale tudo contra direitos fundamentais sobretudo dos mais humildes.

Porém, esse caso de Waack foi providencial. Veio no momento certo. Deu voz à maioria silenciosa que vem suportando os desmandos da direita fascista que se apoderou do governo brasileiro após este derrubar o governo legítimo anterior.

Ao cair em desgraça e perder emprego e respeitabilidade, William Waack tornou-se um símbolo de que racismo não é um bom negócio e que, portanto, os racistas têm que engoli-lo a seco, guarda-lo para si, calarem suas bocas sujas.

Claro que o caso William Waack não irá aumentar os salários injustos que os negros recebem, não vai abrir vagas de trabalho que lhes são negadas pelo “mercado” por conta da cor da pele, não vai fazer a polícia militar parar de espancar e matar pessoas por terem a pele escura…

Mas vai intimidar o lixo humano que promove “esculachos” racistas como “brincadeira”.

Para entender por que, temos que atentar para as defesas que algumas “celebridades” do jornalismo corporativo fizeram do ato criminoso de William Waack. Ao esgrimirem com uma suposta “competência” dele, demonstraram que os racistas não levam a sério a lei 7716/89.

Mas se os racistas não levam em conta a lei contra o racismo – e com razão, porque, apesar das toneladas de casos de racismo, nunca ninguém é punido –, pelo menos sentir-se-ão intimidados pela desmoralização pública AVASSALADORA que ser racista passa gerar aos portadores dessa enfermidade moral aparente incurável…

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Confira, abaixo, a reportagem do Blog para o TV Cidadania

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