Contra reforma da Previdência, agricultores fazem greve de fome no Congresso

Contra reforma da Previdência, agricultores fazem greve de fome no Congresso

Se for aprovada, medida pode deixar 60% das famílias da agricultura familiar sem cobertura previdenciária

Militantes do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) iniciaram, na tarde desta terça-feira (5), uma greve de fome dentro da Câmara Federal, em Brasília, em protesto contra a reforma da Previdência. Um dos três manifestantes é o Frei gaúcho Sergio Görgen, que é membro do MPA. De acordo com o franciscano, a intenção é aumentar a “indignação pública” contra a reforma.

“Uma greve de fome só se justifica numa situação extrema, e nós estamos em uma situação extrema porque essa reforma é uma violência contra os pobres, uma ameaça de fome pra milhões de pessoas. É hora de a gente mostrar a nossa indignação antes que seja tarde”, disse.

Junto com ele estão as militantes Leila Denise Meuri e Josi Costa. Os três estão ocupando um dos corredores mais movimentados da Câmara, de onde pretendem chamar a atenção dos parlamentares para que a medida, que tramita na Casa com o nome de Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287, não seja votada.

Bruno Pilon, da coordenação nacional do MPA, explica que o protesto foi organizado pensando no horizonte da classe trabalhadora que atua no campo, que pode ser fortemente atingida, caso a PEC seja aprovada. “O que a gente está fazendo aqui não é uma ação pra agora. É uma ação pro futuro. Queremos defender o direito de as pessoas se aposentarem com qualidade. Alguns estão passando fome hoje pra que a nossa nação não passe fome no futuro porque, se passa a reforma da Previdência, o nosso povo vai passar fome, e a gente não quer que isso aconteça”, afirma.

Alexandre Conceição, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) conversa com os grevistas. Veja o vídeo:

Aposentadoria rural

A terceira versão da proposta da reforma da Previdência, apresentada pelo governo nas últimas semanas, prevê a manutenção de apenas parte das regras atuais aplicadas aos trabalhadores rurais. Entre outras coisas, o Planalto manteve a idade mínima de 55 anos para mulheres e de 60 para homens para dar entrada na aposentadoria. O tempo de contribuição, que hoje é de 15 anos, não foi alterado, mas uma norma foi modificada: o trabalhador, que hoje precisa apenas comprovar os 15 anos de atividade rural, teria que passar a contribuir mensalmente para a Previdência.

Os movimentos populares afirmam que a medida desconsidera as particularidades do trabalho no campo, que tem caráter sazonal porque depende dos ciclos da natureza. O último Censo Agropecuário do IBGE, de 2006, apontou, por exemplo, que 60% das famílias das unidades que vivem da agricultura familiar têm renda monetária líquida inferior a 1500 reais ao ano.

O assessor de Políticas Sociais da Contag, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, Evandro Moreno, diz que, se for aprovada, a nova regra pode deixar todos esses trabalhadores de fora da cobertura previdenciária.

O assessor de Políticas Sociais da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Evandro Moreno, aponta que, se for aprovada, a nova regra pode deixar todos esses trabalhadores de fora da cobertura previdenciária: “Essas pessoas não vão ter capacidade de contribuir. Para esse público, a situação é mais grave ainda em relação à reforma da Previdência”, destaca.

A reforma foi aprovada na Câmara numa comissão especial e pode ser votada em plenário ainda este ano.

Edição: Vanessa Martina Silva

Cristiane Sampaio

Brasil de Fato

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