Dono de sítio onde o Helicoca pousou é preso em nova apreensão de cocaína

Dono de sítio onde o Helicoca pousou é preso em nova apreensão de cocaína

Elio Rodrigues, um dos sete homens presos na quarta-feira (06) em uma operação da Polícia Federal que apreendeu 246 kg de cocaína dentro de um contêiner, também responde a processo por participação no caso do helicóptero de cocaína, ocorrido em 2013, em um sítio localizado entre Brejetuba e Afonso Cláudio. Naquela época, a Polícia Federal encontrou 445 kg de cocaína no helicóptero.

A informação de que Elio Rodrigues está envolvido nos dois casos foi confirmada pelo delegado chefe da Delegacia de Repressão a Drogas da Polícia Federal, Leonardo Damasceno, durante coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (07).

“Começamos a levantar informações sobre o envolvimento de pessoas aqui do Estado com essa exportação de cocaína dentro de contêiner e na semana passada começamos a acompanhar alguns indivíduos. Um desses indivíduos que nós acompanhávamos se encontrou com um dos caras daquele caso do helicóptero em 2013. Isso nos chamou atenção e, por conta disso, nós enviamos toda a equipe para acompanhar esses indivíduos desde a semana passada”, contou o delegado.

Segundo Damasceno, Elio respondia ao processo pelo helicóptero de cocaína – no caso em que a aeronave ficou conhecida como “helicoca” – em liberdade e estava dentro do galpão na tarde dessa quarta (06), quando o grupo tentava camuflar a droga dentro do contêiner. O destino da droga – avaliada em 17 milhões de dólares – era a Espanha.

“Ele (Elio) foi preso ontem (quarta), estava também dentro do galpão onde houve a ruptura do lacre do contêiner, a colocação da droga e a relacração com um lacre clonado. Ele estava lá dentro, presenciou isso tudo e é um dos indivíduos presos. Aquele processo (do helicóptero) até hoje não teve conclusão. E a gente espera que aquele caso ainda vai ter Justiça e vai ter a condenação de todos os envolvidos. Aquela droga que chegou no helicóptero era para exportação. Acreditamos que o esquema daquela vez seja parecido com o esquema de agora. Eles deveriam colocar aquela droga em algum contêiner, e isso explica por que um mesmo ator que estava naquela época, está também nesse esquema de agora”, explicou.

PRESIDENTE DA TIVA ERA INTERMEDIADOR

O delegado explicou, ainda, que o presidente da Desportiva Ferroviária atuava como intermediador. “De uma maneira ou de outra, a maioria das pessoas que foram presas tem algum envolvimento na atividade portuária. Não tem nenhum indício de qualquer envolvimento de clube (de futebol) nesse caso”, esclareceu ele, antes de explicar como funciona o transporte da droga nesses casos.

“A carga de milho ocupa grande volume, são muitos sacos, então eles misturam dentro dos sacos e não fica perceptível para o scanner, só com olhar muito atento. Eles precisam saber o destino do contêiner por que o comprador da droga na Europa precisa saber o porto de destino para conseguir fazer um esquema parecido lá de ruptura de lacre e retirada da cocaína, antes da entrega da mercadoria ao comprador. Essa é principal modalidade adotada por essas quadrilhas hoje. É sempre feito com trabalhadores do sistema portuário”, concluiu.

Os sete presos na tarde desta quarta-feira (06) foram encaminhados para o presídio de Viana.

HELICÓPTERO DE COCAÍNA

Em novembro de 2013, a Polícia federal apreendeu um helicóptero com 445 kg de cocaína em um sítio de Brejetuba. O helicóptero pertencia à empresa Limeira Agropecuária, cujo dono é o ex-deputado estadual e atual secretário nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor, Gustavo Perrella, cargo atrelado ao Ministério do Esporte.

Perrella alegou à Justiça que o piloto Rogério utilizou o helicóptero sem sua autorização. O secretário foi inocentado. As quatro pessoas presas em flagrante ao pousar um helicóptero, incluindo Elio, respondem pelo crime em liberdade.

O piloto da aeronave, Rogério Almeida Antunes, o copiloto Alexandre José de Oliveira Júnior e outras duas pessoas acusadas de serem os interceptadores da droga, Everaldo Lopes Souza e Robson Ferreira Dias, cumpriram cinco meses de prisão em regime fechado.

A aeronave utilizada para o transporte da droga, chegou a ser cedida pela Justiça Federal em janeiro de 2014 para o Governo do Estado, a pedido do governador da época, Renato Casagrande (PSB). No entanto, foi devolvida a Perrella em agosto. Segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), o modelo R66 da Robinson Helicopter, de prefixo PRGZP, pertence desde junho de 2016 à empresa Lar & Construção Empreendimento Imobiliário.

O mesmo helicóptero foi flagrado em setembro de 2016 fazendo manobras arriscadas sobre banhistas no Lago de Furnas, entre os municípios de São José da Barra e São João Batista do Glória, em Minas Gerais.

Falando Verdades

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