Professora da UFMG, assustada com entrevista dos delegados: “Não sabiam explicar nada!”; “nova etapa do golpe’, alerta deputado; assista

Professora da UFMG, assustada com entrevista dos delegados: “Não sabiam explicar nada!”; “nova etapa do golpe’, alerta deputado; assista

Porque condução coercitiva? Porque um aparato policial tão exagerado, mais de cem policiais na condução de oito servidores/as da UFMG. Porque não permitir que reitores, vice-reitores e uma servidora levados coercitivamente pudessem ser acompanhados de seus advogados?

Logo pela manhã deste dia 06/12/17, a presidenta da CUT Minas Gerais e coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Beatriz Cerqueira, em manifestação nas redes sociais fazia questionamento e se manifestava:

“Nem é possível dizer bom dia em Minas Gerais hoje.  O fascismo cresce quando ficamos calados! Nós não ficaremos calados! A UFMG sofre o mesmo ataque que a Universidade de Santa Catarina sofreu! Nossos reitores foram levados coercitivamente no início desta manhã, daqui a pouco uma entrevista coletiva tornará tudo um “espetáculo” de promoção pessoal dos agentes que estão atuando nisso, poucas perguntas serão feitas pela mídia comercial, as pessoas serão condenadas, antes sequer de serem acusadas e julgadas. Não haverá o contraditório! Nós faremos o contraditório!

Coletiva de Imprensa

No início da tarde deste dia (6), na Sala de Imprensa da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a presidenta da CUT/MG, Beatriz Cerqueira, reforçava esses questionamentos, que também foram feitos por parlamentares, movimentos sociais, estudantis e sindicais que se posicionaram, de forma perplexa, contra a prisão, por parte da Polícia Federal, que invadiu o Campus da Universidade Federal de Minas Gerais, na Pampulha, em Belo Horizonte, e conduziu coercitivamente, oito reitores, vice-reitores e uma técnica administrativa da Universidade.

Beatriz Cerqueira afirmou que a ação da Polícia Federal na UFMG tem caráter político contra a instituição. “Em meio a um show midiático, as pessoas foram conduzidas sem ao menos informar o motivo da condução. Eles não puderam nem sequer chamar advogados para acompanhá-las”, relatou Beatriz Cerqueira à imprensa.

Reação

Entidades sindicais e servidores/as da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) reagiram imediatamente à operação “Esperança Equilibrista” que, segundo as informações divulgadas pela Polícia Federal (PF), investiga desvio de recursos públicos na construção do Memorial da Anistia Política do Brasil, um projeto financiado pelo Ministério da Justiça e executado pela Universidade.

Na manhã desta terça-feira (6), policiais federais, cumprindo sete mandados de condução coercitiva, buscaram em casa o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Jayme Arturo Ramirez, a vice-reitora Sandra Goulart Almeida; os professores Rocsane de Carvalho, Ronaldo Tadeu Pena, Álvaro Gontijo e Heloísa Starling e a técnica-administrativa Silvana Cozer.

Apenas o mandado de Clélio Campolina não foi cumprido, por ele não estar em Belo Horizonte. Nenhum deles conhecia o motivo da condução à sede da Polícia Federal de qualquer processo ou pôde ser acompanhado de advogado.

O argumento para o espetáculo midiático é a investigação do projeto de museu, Memorial da universidade ligado à memória das vítimas de tortura e assassinatos no período militar. A operação é denominada “Esperança Equilibrista”, numa alusão debochada à música de João Bosco e Aldir Blanc que é um hino da luta pela anistia.

A coordenadora-geral do Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Federais de Ensino de MG (Sindifes/MG), Cristina del Papa, repudiou a ação da Polícia Federal, considerando que nos últimos tempos, ações têm sido orquestradas pelo governo golpista contra as universidades públicas.

A professora do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da UFMG, Eli, lamentou a falta de informações da PF sobre a ação realizada dentro do campus da universidade. “Acompanhei a entrevista do delegado explicando a operação e fiquei assustada. Eles não sabiam explicar nada”, afirmou a professora. Eli Iola conta que o golpe contra a UFMG começou em 2015, justamente por ser uma universidade que tem assumido posições contra os desmontes, cortes de recursos e em defesa da universidade pública.

A estudante Ana Carolina Vasconcelos, do Diretório Central dos Estudantes (DCE/UFMG), afirma que a ação arbitrária contra a UFMG é uma resposta à mobilização dos estudantes e de servidores em defesa da universidade pública no enfrentamento ao governo golpista.

Deputados estaduais também se manifestaram sobre as prisões. Segundo o deputado estadual e 1º Secretário-Geral da Mesa diretora da Assembleia Legislativa, Rogério Correia, essa é uma nova etapa do golpe no Brasil, com interferência política no âmbito acadêmico.

O deputado estadual, Cristiano Silveira, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), citou a morte do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo, ocorrida no dia 2 de outubro em Florianópolis, e disse que não houve um suicídio, mas sim um homicídio.

Os parlamentares consideraram a operação “arbitrária e abusiva”. Os deputados vão convocar uma audiência pública para saber os motivos das conduções coercitivas da manhã desta quarta-feira. Os parlamentares consideraram a operação “arbitrária e abusiva”.

O líder da Maioria na Assembleia legislativa de Minas Gerais, deputado estadual André Quintão, se solidarizou com toda a comunidade acadêmica e servidores, lembrando que ninguém é contra investigações, desde que respeitem o Estado Democrático de Direito. Ele ressaltou que a Assembleia realizará uma audiência pública para acompanhar o caso.

Segundo o deputado estadual Geraldo Pimenta, qualquer ataque e agressão à UFMG fere a todos, por ser a universidade um patrimônio público nacional.

A Frente Brasil Popular destaca que após o golpe, o governo ilegítimo sequer nomeou novo presidente para a Comissão da Anistia responsável por lançar o projeto em 2008, paralisando os trabalhos.

A operação denominada “Esperança Equilibrista”, ocorre em tempos de golpe no Brasil, como tem sido prática do governo golpista, há uma semana do lançamento do relatório da Comissão da Verdade em Minas Gerais.

Em nota, a  Frente Brasil Popular afirma que a atual operação tem o objetivo de desmoralizar a universidade pública, o pensamento crítico, a educação e a pesquisa acadêmica brasileira. A ação é um claro recado ideológico e ataca uma obra fundamental para defesa da democracia e a cultura democrática brasileira. 

Nota da Frente Brasil Popular sobre a operação da PF na UFMG

Em uma ação intolerável e inconstitucional na manhã desta quarta-feira, 6 de dezembro a Polícia Federal invadiu a UFMG. Na sequência conduziu coercitivamente os três últimos reitores e vice-reitores da universidade.

Em clara demonstração do avanço do estado de exceção a operação foi denominada “Esperança Equilibrista”, ocorrendo há menos de uma semana do lançamento do relatório da Comissão da Verdade em Minas Gerais e as vésperas da votação da Reforma da Previdência, como tem sido prática das forças do golpe.

A atual direção da Policia Federal indicada pelo governo do golpe preserva os corruptos e persegue os honestos. A atual operação, conduzida pela PF com apoio de Ministério e da CGU do atual governo federal, tem claro objetivo de desmoralizar a universidade pública, o pensamento crítico, a educação e a pesquisa acadêmica brasileira.

É preciso lembrar que após o impeachment o governo ilegítimo sequer nomeou novo presidente para a Comissão da Anistia responsável por lançar o projeto em 2008, paralisando os trabalhos.

Demonstra claro recado ideológico e ataca uma obra fundamental para defesa da democracia e a cultura democrática brasileira. O Memorial da Anistia visa dignificar os que lutaram contra o regime militar, assim como os memoriais existentes da Alemanha nazista, do apartheid na África do Sul, e da ditadura Pinochet de Allende.

Exigimos a imediata destituição do diretor da Policia Federal e a paralisação do processo tamanha a extensão da arbitrariedade.

Abaixo o estado de exceção e ao ativismo judicial e policial persecutório seletivo!

Ditadura nunca mais!

Em defesa da universidade pública, da autonomia universitária e do pensamento crítico!

Pelo direito a memória, a verdade e a justiça!

Frente Brasil Popular MG

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