Editorial Jeová Rodrigues

Aos que preveem que o golpe irá durar 20 anos, eu pediria prudência. O Brasil tem essa característica única. Tudo é tão bagunçado que o Imponderável de Almeida mora aqui e torce para o Flamengo. Quem faria a previsão de que o Brasil teria 13 anos de soberania e democracia plenas?

Convém não jogar a toalha. Convém não subestimar a população. Convém não subestimar o PT. Convém não subestimar Lula.

Eu não estou sendo otimista, estou sendo contra-pessimista (em lógica, dá no mesmo, mas em retórica, não). O golpe aqui é avacalhado. Ele se sustenta com a imprensa, que, por sua vez, sim, é mais organizada (Organizações Globo).

O Tio Sam também dá uma força tremenda, tal é o nível de dinheiro fácil em dóceis acordos judiciais sem condenação que eles podem ter por aqui. Fora o resto.

Com base nesses dois elementos, imprensa brasileira e quinto escalão do esperto governo americano, o prognóstico de 20 anos de golpe – admito – faz algum sentido.

Mas o governo mesmo, os atores principais, MBL, PSDB, Temer e Cia são todos trapalhões. Eles mal sabem ler, quiçá fazer a manutenção de um golpe de estado. Há de se ter um mínimo de Q.I. para isso.

Peço, portanto, respeito à história. Respeito a essa entidade que emana diretamente do povo chamada Lula. Reparem o que ele aguentou até aqui. Reparem o que ele já fez pelo país. Reparem a total divergência dos prognósticos que se fazem a ele para com o que, de fato, acontece.

Por exemplo, muitos imaginavam que Lula iria pedir asilo político. Muitos imaginavam que Lula iria morrer (o cara tá jogando bola). Muitos imaginavam que Lula iria ficar deprimido. Muitos imaginavam que Lula iria fazer um acordo. Ficou só na imaginação.

Quem imaginaria que Lula iria resistir a essa brutalidade judicial? Quem imaginaria que esse mesma brutalidade o deixaria mais forte ainda? Quem imaginaria que todos os seus perseguidores estariam encurralados pela história? Quem imaginaria que a narrativa do golpe se encaminharia para o Lula simbolicamente mais poderoso de todos os tempos?

Quem suspeitaria que no dia do julgamento mais importante da história de um país continental, o juiz chegaria escoltado e o réu nos braços do povo?

Muitos se perguntam aonde está o povo que não se mobiliza. Eu respondo: o povo está em Lula. Eles habitam o território Lula que nada mais é que um ser humano de carne e osso. Eles se traduzem em Lula, respiram em Lula, enunciam em Lula.

Essa é uma das coisas mais interessantes da qual podemos ser testemunhas históricas e em tempo real: a voz do povo está materializada em Lula. Não é o contrário. Não á Lula que “capta” os desejos da população e os entoa com talento pragmático. É a própria população que invade o coração de Lula e o faz dizer o que ela deseja e pensa.

O pensamento desmobilizador é uma arte. Ele vem, se instala como um vírus, se espalha e entrega o serviço para o inimigo. Dizer que a eleição não será respeitada, que é preciso anular o impeachment antes de qualquer coisa, que não deixarão Lula governar, são todos pensamentos da mesma família: da família Desistência de Souza.

Faz sentido ficarmos alertas, faz sentido ficarmos com o pé atrás. Mas faz mais sentido respeitarmos a nossa autoestima e avançarmos de maneira irresistível para cima do golpe. Não podemos deixar Lula sozinho enfrentar essa parada.

 

Por Diario do Centro do Mundo
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Categoria Denucias, JUSTIÇA, Politica.