Editorial Jeová Rodrigues

O desespero dos golpistas diante da crescente popularidade do ex-presidente Lula, que poderia ser eleito no primeiro turno do pleito presidencial se as eleições fossem hoje, já chega às raias da loucura. Sem condições de enfrentá-lo numa disputa democrática, pela absoluta falta de apoio popular, empregam todo tipo de manobras para afastá-lo do páreo sucessório, utilizando inclusive o lawfare. Além da lei de iniciativa do prefeito tucano de Porto Alegre, aprovada pela Câmara Municipal, proibindo manifestações populares próximo do prédio do Tribunal Regional Federal da 4ª. Região, o juiz Osório Ávila Neto também proibiu qualquer movimento popular numa área de 500 mil metros quadrados em torno daquela Corte, incluindo a montagem de um acampamento do MST. As duas medidas têm o claro objetivo de esvaziar as manifestações programadas para o dia 24 de janeiro na capital gaúcha, com a participação de gente de todo o país, destinadas a pressionar o TRF-4 que, naquela data, julgará o recurso da defesa de Lula contra a sua condenação pelo juiz Sergio Moro.

Para completar essas ações vergonhosas, que evidenciam temor do líder petista e desrespeito à Constituição, além de descompromisso com a democracia, uma louca que se apresenta como sargento da Brigada Militar Gaúcha, Flávia Cristina Abreu, faz ameaças publicamente aos manifestantes, através das redes sociais. Uma pessoa com esse comportamento não deve estar no seu juízo perfeito, o que representa um risco para a população gaúcha, situação que deveria levar o comando da corporação a submetê-la a exame de sanidade mental e, inclusive, afastá-la do serviço. Já pensaram o que essa mulher seria capaz de fazer empunhando uma arma? O seu comportamento, na verdade, reflete o ódio disseminado pela mídia golpista e pelas redes sociais, que se manifestou também contra a deputada gaúcha Maria do Rosário, recentemente assaltada às proximidades da sua casa em Porto Alegre. Teme-se que esses fatos sejam um prenúncio de acontecimentos mais graves que podem ocorrer até o fim de janeiro.

Os responsáveis pelas medidas restritivas devem atentar para os seus efeitos negativos junto ao povo que, geralmente, reage com irritação contra qualquer tentativa de cerceamento da sua liberdade. Tais manifestações são sempre pacíficas, mas não se pode prever a reação popular diante de uma possível confirmação da condenação de Lula pelo TRF-4, inclusive com a sua prisão, já pregada pela mídia golpista e reivindicada pelo procurador Dallagnol. Considerando a disposição do povo brasileiro de conduzir o ex-torneiro mecânico de volta ao Palácio do Planalto, conforme atestam as pesquisas de intenção de votos, a sua prisão pode transformar o país numa praça de guerra. E todos os que contribuírem para isso, principalmente o pessoal da Lava-Jato e os membros daquele tribunal, serão responsáveis pelas eventuais perdas de vidas. Por isso, os desembargadores do TRF-4 devem meditar bastante sobre sua decisão, pois dela dependerá – quem sabe? – a vida de muita gente e até o futuro da nossa democracia.

A ditadura da toga que se instalou no país, suprimindo direitos e garantias constitucionais, violando a Constituição, atropelando leis e ditando os rumos da política já anula até decisões do Presidente da República, como nos casos da nomeação de Lula para a Casa Civil de Dilma e do indulto de Natal de Temer. Desde o mensalão e graças à cobertura da mídia golpista, o Judiciário se tornou o principal protagonista da vida do país, constituindo-se o poder maior da Nação e transformando juízes de primeira instância em super-heróis, com super-poderes e autoridade até para criticar e intimidar o Supremo Tribunal Federal e o Presidente da República. O exemplo mais recente foi o do juiz eleitoral Glaucenir Oliveira, do Rio de Janeiro, que criticou de maneira contundente o ministro Gilmar Mendes, do STF, fazendo-lhe graves acusações, numa atitude de completo desrespeito à hierarquia. O Ministério Público segue na esteira dessa nova ordem de inversão de valores, também aproveitando a cobertura da mídia golpista, criando um estado policialesco. Até onde isso vai chegar não se sabe, mas se nada for feito para conter esses arroubos o próximo Presidente, seja quem for, terá muita dificuldade para governar.

A verdade é que com esse falso pretexto de combater a corrupção, o que lhes assegurou o apoio popular – recente pesquisa indicou ser a corrupção hoje a maior preocupação do povo – juízes e procuradores ganharam fama e começaram a falar grosso com todo mundo, até com seus superiores. E passaram a cometer todo tipo de abuso, inclusive desrespeitando a própria Constituição, chegando a invadir competência do Congresso e arvorar-se no direito de legislar. Tudo isso com a aprovação silenciosa da Suprema Corte e do Conselho Nacional de Justiça, que engaveta ações contra magistrados. A Lava-Jato, na realidade, se tornou o grande poder deste país e todos se referem a ela com salamaleques, inclusive membros do STF, sem coragem de contraditá-la. Apesar da cobertura da mídia, no entanto, essa operação já começa a perder credibilidade junto à população porque ficou visível a sua cor político-partidária na perseguição a Lula e petistas. Alguém já viu algum tucano preso? O ministro Luis Barroso disse recentemente que o senador Aécio Neves, por exemplo, tem muito mais provas contra si do que muitos dos milhares de encarcerados. E, no entanto, posou em animado bate-papo com o juiz Sergio Moro e continua livre, leve e solto.

O fato é que o circo armado pela Lava-Jato para tirar Lula de cena está perdendo espectadores, até porque a maioria dos presos por corrupção já está em casa. Para chegar a Lula, no entanto, o que deve acontecer mesmo sem provas na sessão do TRF-4 do dia 24, o juiz Moro e sua turma provocaram um enorme estrago no país: ajudaram a colocar Temer no poder, prejudicaram o projeto de construção do submarino nuclear brasileiro, praticamente desmontaram a indústria naval, destruíram muitas vidas, fecharam grandes empresas e desempregaram milhares de trabalhadores. E de quebra facilitaram a tarefa de Pedro Parente de privatizar a Petrobrás e entregar nosso petróleo para o capital internacional. Movida a ódio, como é fácil perceber pelo comportamento do juiz Moro e dos procuradores, a Lava-Jato só considerará concluída a sua missão com a prisão de Lula. O que, também, deverá marcar o seu final melancólico, com o retorno dos seus “astros” às sombras e ao ostracismo. O novo ano que se inicia deverá assinalar o final de uma das páginas mais vergonhosas da história da Justiça de nosso país, que precisará de tempo para reconquistar a confiança e o respeito do povo brasileiro.

RIBAMAR FONSECA
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