Editorial Jeová Rodrigues

O jornalista Reinaldo de Azevedo, ex-VEJA e atual Band News mostra o porque Jair Bolsonaro e sua família mesmo economizando 100% do salário ao longo de toda vida não conseguiriam ter todo esse patrimônio que atualmente possui e explica o porque.

Do Reinaldo de Azevedo

Do ponto de vista político, a “Família Bolsonaro” só não é uma piada pronta porque ainda está em construção — embora a coisa já seja antiga. Ficou feio para a turma. A Folha fez um levantamento objetivo, sem juízo de valor, sobre o patrimônio dos valentes, que têm apenas uma atividade conhecida: a política. Do ponto de vista pessoal, os Bolsonaros não podem reclamar do Brasil… Integram a diminuta categoria dos multimilionários. Seu patrimônio em imóveis, em valores de mercado, chega a R$ 15 milhões. Veículos motorizados, para ser genérico, somam mais R$ 1,7 milhão, totalizando, então, R$ 16,7 milhões.

Tive a pachorra de fazer uma conta, que serve apenas como ilustração: se Jair e seus três filhos políticos — Flávio, Eduardo e Carlos — tivessem guardado CEM POR CENTO DO SALÁRIO LÍQUIDO RECEBIDO COM A ATIVIDADE POLÍTICA, TERIAM CONSEGUIDO JUNTAR POUCO MAIS DE…R$ 15 milhões! Vale dizer: menos do que seu patrimônio — já explico a conta e os critérios. Pergunta-se: quem consegue guardar a totalidade do que ganha?

“Ah, não trapaceie, Reinaldo, eles não têm R$ 15 milhões no banco, mas em patrimônio, sujeito a variações de mercado, como valorização e coisa e tal…” Eu sei. O que quero demonstrar é que os vencimentos do quarteto não justificam seu milagre imobiliário. Outra explicação há de haver.

Em abril do ano passado, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) fizeram um levantamento e concluíram que, no mês anterior, só 15% dos consumidores guardaram parte do salário!!! Nada menos de 46% gastaram tudo o que receberam, e 32% viram sair mais dinheiro do que entrar: ficaram no vermelho.

Poupar não é um hábito nacional — a não ser, claro!, na família Bolsonaro. Estudo do economista José Roberto Afonso, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Rio), com base em dados coletados pelo Banco Mundial, aponta que, no Brasil, só 4,7% dos 60% mais ricos — camada em que se encontram Jair e seus filhos — guardam dinheiro. E, entre os 40% mais pobres, a participação cai a menos da metade: 2,1%.

Mais dados para provar que estamos diante do Milagre Bolsonaro da Multiplicação de Patrimônio? Pois não! Em 2014, a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida quis saber a percentagem de poupança naquela parcela diminuta da população que consegue guardar algum dinheiro. Atenção! 52% dos gatos pingados que conseguem reter uma graninha guardam até 10% do que recebem; outros 26%, entre 10% e 20%. O topo da poupança é de 40%: apenas 2% (ENTRE OS QUE POUPAM: 0,3%, pois) alcançam tal proeza.

Tão logo a Folha publicou as informações — e não as opiniões — sobre o patrimônio da Família Bolsonaro, sua turma na Internet se saiu com as grosserias de hábito. O jornal passou a ser chamado de “Foice de São Paulo” — porque seria comunista… Deus do Céu! Gritavam seus sectários: “Por que não fazer tal levantamento sobre outros presidenciáveis?” Não vejo por que o jornal não possa fazê-lo. Pergunto: eventual patrimônio inexplicável de adversários do deputado deve ser tomado como justificativa para o injustificável?

A conta
Os números a seguir, reitero, apenas ilustram o que não tem explicação. Quando entrou na política, Bolsonaro era um homem pobre. É deputado federal desde 1989. Só para facilitar o cálculo — e isso também dá a medida do absurdo! —, vou fazer de conta que ele recebeu, mensalmente, ao longo de 28 anos, R$ 25.010,69 (ganho líquido de hoje). Seus 336 salários teriam somado, pois, R$ 8.403.591,84. Eduardo está na Câmara desde 2015. Foram 36 salários, totalizando R$ 900.384,84. Carlos Bolsonaro é vereador na cidade do Rio faz tempo: desde 2000, o que totaliza 204 vencimentos, com valor líquido de R$14.266,40. No total, R$ 2.910.354,60. E ainda há Flávio, o deputado estadual (RJ), no posto desde 2003. Em 14 anos, foram 168 vencimentos líquidos de R$ 18.786,88: ou seja, R$ 3.156.195,84.

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Categoria CEILÂNDIA, corrupção, JUSTIÇA, Politica.