Editorial Jeová Rodrigues

Em jantar promovido pelo Poder 360, site que cobre política e poder, a ministra presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, encontrou-se com representantes de gigantes corporações e alguns jornalistas. A presidente do Supremo ocupa o cargo que pauta as discussões pelo plenário da corte e, portanto, tem grande poder sobre a agenda do país.

No encontro, Cármen pode ter conversas próximas com os convidados, como também tecer comentários públicos sobre processos sob os quais pendem julgamento, como o caso da reinterpretação do inciso da Constituição que trata da presunção de inocência, tema que ganhou destaque após a corte desautorizar a interpretação literal do artigo e permitir a prisão antes do trânsito em julgado, acarretando uma insegurança jurídica, bem como um aumento no encarceramento da já hiperpopulação carcerária.

Ao comentar o caso, que ganha especiais contornos após a condenação de Lula pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, abrindo a possibilidade de que a prisão do ex-presidente seja determinada, Cármen Lúcia afirmou que julgar a questão, em função desse contexto, seria “apequenar muito o Supremo”. Vale dizer, nas duas vezes que a questão foi a julgamento, a ministra votou por duas vezes pela condenação antes do trânsito em julgado, entendimento este intensamente criticado por criminalistas e constitucionalistas em geral. No encontro, Cármen aproveitou para tecer posições de cunho reacionário sobre questões fundamentais, como delações premiada e o indulto natalino, prejudicado por uma decisão dela após protestos dos procuradores da força tarefa da Lava Jato. Em seguida, manifestou preocupação com bem estar de presos e presas no país.

 Os assuntos que foram sabidamente abordados estão descritos na matéria do Poder 360, responsável por mediar o encontro. Curioso, no entanto, é observar a lista de convidados que tem a prerrogativa de passar o encontro com a magistrada e que, coincidência ou não, representam grandes corporações com respectivos grandes interesses em pauta no STF, como o caso de petroleiras e empresas de comunicação. Estiveram presentes:

André Araújo (presidente da Shell no Brasil).

Flávio Ofugi Rodrigues (chefe de Relações Governamentais da Shell).

Tiago de Moraes Vicente (Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios da Shell).

André Clark (presidente da Siemens no Brasil).

Wagner Lotito (vice-presidente de Comunicação e Relações Institucionais da Siemens na América Latina).

Camilla Tápias (vice-presidente de Assuntos Corporativos da Telefônica Vivo)

Victor Bicca (diretor de Relações Governamentais da Coca-Cola Brasil),

Camila Amaral (diretora jurídica da Coca-Cola Femsa).

Júlia Ivantes e Delcio Sandi (Relações Institucionais da Souza Cruz) e

Marcello D’Angelo (representante da Estre Ambiental).

Além dos empresários, participaram os jornalistas Cláudia Safatle (Valor Econômico), Denise Rothenburg (Correio Braziliense), Leandro Colon (Folha de S.Paulo) e Valdo Cruz (GloboNews).

Cármen Lúcia se reuniu com empresários para “discutir” direitos trabalhistas

Em maio do ano passado, em meio às sucessivas manobras para aprovação da Reforma Trabalhista, a Presidente do Supremo julgou apropriado se reunir apenas com empresários representantes de grandes corporações para “discutir” os direitos trabalhistas. Dentre os participantes, estão o diretor da Rede Globo, do Itaú, bem como Flávio Rocha, dono das lojas Riachuelo, que tem ganhado destaque por se filiar ao Movimento Brasil Livre.

A Reforma Trabalhista é intensamente criticada por Juízes do Trabalho, Procuradores, Advogados e demais juristas da comunidade que aponta infinitas violações à dignidade humana. A questão, provavelmente, poderá ser levada ao Supremo, ou seja, ainda pende de julgamento, mas isso não impediu que a ministra tomasse ações concretas de articulação com o empresariado interessado na medida.

Relembre a lista de participantes da reunião:

Betania Tanure (consultora da BTA – Betania Tanure Associados);
Candido Bracher (novo presidente do Itaú Unibanco);
Carlos Schroder (diretor-geral da Rede Globo);
Chieko Aoki (fundadora e presidente da rede Blue Tree Hotels);
Décio da Silva (controlador da fabricante de motores Weg);
Flavio Rocha (dono das lojas Riachuelo);
Jefferson de Paula (chefe da ArcelorMittal Aços Longos na América do Sul);
Luiza Helena Trajano Rodrigues (dona da rede Magazine Luiza);
Paulo Kakinoff (presidente da Gol Linhas Aéreas);
Pedro Wongtschowski (empresário do grupo Ultra, dono da rede Ipiranga);
Rubens Menin (dono da construtora MRV);
Walter Schalka (presidente da Suzano Papel e Celulose);
Wilson Ferreira (presidente da Eletrobras).

PLANTÃO BRASIL

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Categoria CEILÂNDIA, corrupção, JUSTIÇA.