Editorial Jeová Rodrigues

Matérias da Folha de São Paulo de 8 de fevereiro de 2018 permitem ver quem são os grandes produtores de notícias falsas no Brasil depois, evidentemente, dos grandes meios de comunicação, que divulgam suas opiniões na forma de “notícias”.

O jornal não abordou notícias falsas produzidas pela mídia como no caso da invenção da Veja e do Estadãode que Lula iria à Etiópia no mês passado para fugir da Justiça e usando como base notícia falsa divulgada em sites de extrema-direita. Depois, a revista e o jornalão tiraram a matéria do ar por conta de ter sido desmascarada.

Mas se formos cair na tentação de atribuir santidade aos impérios de mídia e ficarmos só nas notícias falsas escancarada e grosseiramente vertidas todo santo dia às milhares na internet, descobriremos que esses sites das tão propaladas “fake news” são produzidos pela extrema-direita tanto aqui quanto nos Estados Unidos.

A primeira matéria da Folha informa que a “Ultradireita domina ‘fake news’ nos EUA, diz pesquisa de Oxford”. O jornal se refere à Universidade de Oxford.

Diz o jornal que conservadores radicais compartilharam mais notícias falsas no Facebook que todos os outros grupos políticos juntos nos três meses anteriores ao discurso do presidente Donald Trump sobre o Estado da União, no mês passado, segundo pesquisadores independentes.

Acadêmicos do Instituto da Internet na Universidade de Oxford, no Reino Unido, analisaram as afiliações políticas e os padrões de postagem de quase 48 mil páginas públicas no Facebook e 14 mil usuários do Twitter para identificar que grupos postaram mais informação enganosa de sites duvidosos.

A análise, um dos estudos mais extensos já feitos sobre “fake news” nas redes sociais, provavelmente aumentará a pressão sobre as companhias tecnológicas para que ataquem a desinformação on-line, especialmente por causa de seu enfoque no âmbito da informação falsa.

Os pesquisadores descobriram que grupos nas duas extremidades do espectro político consumiram e compartilharam mais notícias-lixo no período entre outubro de 2017 e janeiro deste ano.

No entanto, os “conservadores radicais” de extrema-direita compartilharam mais informação enganosa, enquanto as contas que transmitiam hashtags a favor de Trump dominaram as postagens de notícias-lixo no Twitter.

No Facebook, o grupo conservador radical compartilhou links para mais de 90% dos sites identificados pelos pesquisadores como fontes de “propaganda e informação política radical, hiperpartidária e conspiratória”.

Enquanto isso, no Brasil

Na mesma edição, a folha divulga matéria que mostra que, no Brasil, a situação não é muito diferente e que os sites de “fake news” são, em esmagadora maioria, de extrema-direita, ligados a Jair Bolsonaro, à Operação Lava Jato e ao juiz pop star Sergio Moro.

Diz a matéria que do último trimestre do ano passado até o momento, as páginas brasileiras de “notícias falsas e sensacionalistas” ganharam “engajamento” no Facebook, e o que o jornal chama de “jornalismo profissional” apresentou queda.

Na verdade, o que a Folha chama de “jornalismo profissional” são nada mais, nada menos que grandes empresas que produzem conteúdo jornalismo e, como se sabe, político, já que os grandes grupos de mídia fazem mais política do que jornalismo enquanto acusam quem faz o mesmo mas não tem grande poder econômico, de fazer o que faz a comunicação no Brasil atualmente, que tem lado seja de que lado for.

Assim mesmo, há algumas páginas no Facebook e até mesmo sites de notícias que levam nomes que podem ser confundidos com nomes  de verdadeiros veículos jornalísticos mas que destinam-se a inventar notícias contra políticos e partidos de esquerda. Levantamento da Folha de São Paulo mostra que esses veículos são, quase que exclusivamente, ligados a Jair Bolsonaro e aos grupos que fazem apologia do deputado carioca, do juiz Sergio Moro e da Operação Lava Jato.

Vejamos a lista da Folha sobre quem produz notícias falsas propositalmente.

Das 8 páginas listadas, apenas a página “Falando Verdades” é de esquerda e é arbitrária a inclusão dessa página entre produtores de “fake news” porque o dono é conhecido e pode até ter divulgado uma ou outra notícia sem comprovação, mas a grande maioria do que publica é de sites respeitáveis e que têm, inclusive, a autoria conhecida.

Todas as outras páginas são fake mesmo, sem autoria conhecida e que divulgam as acusações falsas contra Lula sobre ter ilhas, fazendas imensas, carros feitos de ouro puro, de ser “dono da Friboi” etc.

Vale dizer que o prefeito de São Paulo, João Doria, também comanda uma rede menor de fake news. Porém, nem se compara ao grande aparato de notícias falsas montado por Jair Bolsonaro na internet brasileira seguindo a fórmula de Donald Trump nos EUA.

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Categoria CEILÂNDIA, Segurança Publica, VIOLENCIA.