Editorial Jeová Rodrigues

O Judiciário está numa sinuca diante da pressão para consumar a farsa judicial do século prendendo Lula e as consequências que podem advir de tal insensatez. Parte do Judiciário quer encarcerar o ex-presidente o quanto antes, mas outra parte teme que dois fatos diametralmente diferentes criem comoção no exato momento em que o país estiver indo às urnas escolher seu novo presidente.

O primeiro desses fatos decorre do anúncio de que o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas irá julgar, no segundo semestre, a denúncia da defesa do ex-presidente Lula contra o Estado brasileiro – ou seja, contra o Judiciário e o Ministério.

De acordo com o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, o tema não entrará na reunião do Comitê das Nações Unidas com início em março. O órgão se reúne apenas três vezes por ano. O caso de Lula deve ser analisado na reunião de outubro, em pleno período eleitoral no País

O que será julgado pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU é se há indícios de que o processo judicial contra Lula esteja sendo influenciado por fatores políticos e não pelas provas dos autos, ou seja, o Comitê decidirá se há indícios de que Lula foi condenado por conta de suas ideias e ações políticas e não pelo que alegam que há contra ele.

O caso de Lula na ONU está causando muita preocupação ao Judiciário brasileiro porque está sendo conduzido pelo advogado britânico e conselheiro da rainha da Inglaterra Geoffrey Ronald Robertson, uma personalidade respeitadíssima no mundo inteiro por sua cruzada em favor dos direitos humanos.

No dia 29 de janeiro, Robertson, dizendo-se “escandalizado”, denunciou o julgamento de Lula no TRF4 à Organização das Nações Unidas. Ele apresentou “mais provas” à ONU descrevendo as violações cometidas contra os direitos humanos de Lula e afirma que “Não haverá justiça para Lula na Justiça brasileira”.

Esse é o xis da questão, porque a ONU recebe e trata casos em que não há mais possibilidade de recursos a um sistema judicial serem julgados de forma isenta e legal. Robertson sustenta que não adianta Lula recorrer ao sistema judicial brasileiro porque a sanha condenatória nesse sistema está consolidada e é imutável.

Para o Brasil, seria um desastre de proporções inimagináveis que, em pleno processo eleitoral, a ONU abra uma investigação sobre o Brasil por perseguir Lula por razões políticas alegando crime de corrupção. E isso pode acontecer. O efeito dessa notícia será imprevisível.

Para entender a razão pela qual a mídia e a parcela partidarizada e politizada do Judiciário estão preocupadas, há que entender que a ONU prioriza o julgamento de casos de violação de direitos humanos em que a vítima esteja presa.

Ou seja: se Lula for preso agora, seu caso irá “pular” na frente de outros. E, a julgar pelo que diz Robertson, advogado experimentado em processos na ONU, dificilmente a Organização mais importante do planeta deixará de abrir processo contra o Brasil por perseguição ao ex-presidente.

Isso ocorrerá em plena campanha eleitoral em um momento em que a população terá sofrido ainda mais os efeitos das reformas antipopulares de Temer, que estão provocando acelerado crescimento da pobreza, da miséria e da desigualdade.

A situação preocupa o Judiciário e a mídia porque, aqui e ali, começam a surgir manifestações de inconformismo com a perseguição a Lula. Pelos quatro cantos do país, as populações empobrecidas que só conseguiram ver melhora de vida quando Lula chegou ao poder, começam a se desesperar e pedir apoio a ele, vendo o processo que sofre como perseguição por ajudar “os pobres”.

O Blog separou cenas de desespero da população que está sendo atingida pelo lado mais perverso do golpe de 2016, o lado de retomar para a burguesia o que os pobres ganharam durante os governos do PT.

Confira, na reportagem em vídeo sobre o tema, abaixo, as cenas de revolta popular que começam a se multiplicar nas redes sociais e pelas ruas de todo país, tornando imprevisível o que acontecerá se o Brasil for às urnas com Lula preso.

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Categoria CEILÂNDIA, JUSTIÇA, Lava a jato, PERSEGUIÇÃO, Politica.