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O ataque sistemático ao PT não lhe tira a popularidade e o protagonismo político.

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Mal cai a ficha da tal “opinião pública”, tornando-se evidente que o juiz de piso Sergio Moro não é lá essa Brastemp toda que diz ser e que Lula foi vítima de atuação grotescamente seletiva e partidária duma “kangoroo justice”, que os estamentos do judiciário instrumentalizados pelo golpe – polícia, ministério público e a magistratura – se apressam em promover novo ataque de linchamento midiático de Lula e o PT.

A nova invectiva vem em movimento de pinça sincronizado: enquanto a turma de Curitiba acelera a negociação da deduragem extorsiva (chamam-na de “delação premiada” também) de Palocci, a Procuradoria Geral da República se utiliza das viciadas e recortadas estórias contadas por diretores da Odebrecht para denunciar, além de Lula, também a senadora e presidenta do PT Gleisi Hoffmann e outros personagens daquilo que seria uma peita gigantesca no valor de dezenas de milhões de reais.

A dinâmica é sempre a mesma, funciona como uma troca de figurinhas para montar o álbum dos sonhos dos acusadores. Trocam liberdade ou penas irrisórias para empresários de comprovada má reputação no mercado por acusações contra personalidades-alvo.

Não é qualquer informação sobre presumíveis crimes que interessa, mas somente aquelas que preenchem as lacunas do álbum dos investigadores amadores: “dê-me a figurinha 140 que o livro solto!” Não são as figurinhas 139 e nem 138 que prestam. Somente a 140. É assim que se completa o enredo previamente desenhado pelos jovens e bem-pagos burocratas do ministério público.

Que isso não tem nada a ver com a busca da verdade real ou verdade provada parece aos poucos claro para toda a sociedade, ou, pelo menos, para sua parte com maior discernimento. Estamos diante de um esforço corporativo de consolidar o ilegítimo protagonismo político de quem não tem voto, mas apenas tortas convicções e projetos pessoais. Enquanto isso, o país sangra, com suas instituições em frangalhos, desacreditadas e sua constituição transformada em pasquim.

A segurança jurídica já não existe e o desfecho de julgamentos depende apenas de quem é escolhido para ser o relator ou julgador ou, até , por vezes, da cara do freguês, das partes do processo. A lei – que lei? – passou a ser uma metamorfose ambulante, mudando de conteúdo de conformidade com o objetivo político – ou será politiqueiro? – dos atores estatais.

No meio dessa verdadeira saturnália jurídica, em que tudo que já valeu não vale mais, é, no entanto, incrível que o PT e Lula, os alvos preferidos da agressão judicial-corporativa, permanecem inabalados na preferência coletiva. Lula é de longe o candidato com maiores chances de ganhar as próximas eleições, enquanto a popularidade do PT é nove vezes maior que a do segundo partido avaliado. Isso em plena tempestade.

Ao invés de deixar que o eleitor julgue os políticos, a ensandecida burocracia acusatória prefere impedir a eleição plena e justa. Lula voltar a ser presidente é para esses mauricinhos e essas patricinhas concursadas o fim do mundo, pois permitiria a sociedade se reencontrar e colocar cada qual em seu lugar – o ministério público e a magistratura como agentes da legitimidade derivada da lei aprovada pela soberania popular e não como árbitros da legitimidade originária dos que têm voto.

Mas esquecem-se esses abastados consumidores da elite do serviço público que a história continua. Mesmo que batam e esmurrem Lula e o PT, não vão conseguir fazer desaparecer a luta de classes que é sua força e sua vocação. Os miseráveis relegados ao esquecimento e à lixeira social pelo golpismo são a maioria e sabem perfeitamente quem se preocupa com seu destino e quem não se preocupa.

Não adianta insistir na quimera do combate à corrupção, porque hoje têm consciência de que o golpe apoiado na persecução da esquerda partidária e dos movimentos sociais só promoveu desemprego, perda de direitos e desqualificação global do Brasil.

Lula e o PT são forças invencíveis na sociedade porque se pautam na realidade do processo histórico. Podem sacrificá-los, podem fingir que não existem, mas não lograrão anular o sonho da grande maioria das brasileiras e dos brasileiros de uma sociedade inclusiva, de uma democracia para todas e todos e de um país altivo e respeitado no concerto das nações. Durmam com essa!

POR EUGÊNIO ARAGÃO, ex-ministro da Justiça

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