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PCC já atua ‘legalmente’ em vários setores formais da economia brasileira

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Conheça as principais atividades da facção criminosa, inclusive no mercado financeiro, onde empresas reais são usadas para lavar dinheiro do tráfico

247 – Três décadas após sua criação na Casa de Custódia de Taubaté (SP), o Primeiro Comando da Capital (PCC) deixou de ser apenas uma facção atuante nos presídios e periferias brasileiras e passou a operar em larga escala no mundo dos negócios formais. A facção já se infiltra em ao menos 13 setores da economia nacional e está presente em 28 países, segundo levantamento do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). As informações foram publicadas pelo jornal Estado de S. Paulo, em reportagem de Marcelo Godoy.

“Sim, o PCC hoje está na economia formal. As empresas que eles estão administrando não são mais empresas de fachada como uma década atrás”, afirmou o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), durante o seminário Crime Organizado e Mercados Ilícitos no Brasil e na América Latina, promovido pela Cátedra Oswaldo Aranha, da USP.
“São empresas que existem, que estão prestando serviço, às vezes até prestando um bom serviço. Mescla-se nelas o dinheiro do tráfico internacional de entorpecentes com o efetivo lucro que as empresas dão por ano”, acrescentou o promotor.Play Video

Do tráfico à internacionalização dos negócios

O PCC, que inicialmente se dedicava ao tráfico interno de drogas, ampliou sua operação para o narcotráfico internacional. A facção mantém estruturas operacionais em países como Turquia, Líbano e Japão. Gakiya destacou o potencial de lucro dessas atividades:

 “O quilo de cocaína na Ásia chega a US$ 150 mil. Estão comprando a produção na Bolívia por US$ 1 mil o quilo – às vezes, até por US$ 800 – e essa cocaína chega em Hong Kong a US$ 150 mil o quilo. Não há nenhum negócio que dê mais dinheiro do que a cocaína hoje.”

Essa rentabilidade levou o grupo, há cerca de uma década, a investir intensamente em estratégias de lavagem de dinheiro. Começou por setores tradicionais: postos de gasolina, agências de veículos e imóveis. Com o tempo, diversificou as operações para construção civil, casas de câmbio no Paraguai e, mais recentemente, bancos digitais, fintechs, Fundos de Investimento em Participações (FIP) e criptomoedas.

Onde o PCC atua hoje

Segundo Gakiya, os setores da economia formal usados pelo PCC para lavar dinheiro incluem:

  •  Postos de gasolina
  •  Agências de automóveis
  •  Mercado imobiliário
  •  Construção civil
  •  Casas de câmbio (inclusive no Paraguai)
  •  Bancos digitais, fintechs e FIPs
  •  Criptomoedas
  •  Empresas de transporte coletivo urbano
  •  Organizações sociais da saúde
  •  Empresas de limpeza urbana e coleta de lixo
  •  Igrejas
  •  Mineração
  •  Plataformas de apostas, jogos de azar e times de futebol

Em alguns casos, essas empresas são, de fato, operacionais e lucrativas, o que torna mais difícil detectar a origem ilícita dos recursos investidos.

Das atividades clandestinas ao sistema financeiro

A evolução da facção demonstra uma sofisticação progressiva: do garimpo ilegal e contrabando de cigarros, armas e agrotóxicos, o grupo passou a controlar empresas formais e a operar em mercados com ampla circulação de capital. Segundo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado em fevereiro, o crime organizado no Brasil já movimenta mais com a venda irregular de combustíveis, ouro, cigarros e álcool (R$ 146,8 bilhões) do que com o tráfico de cocaína (R$ 15 bilhões).

Essa capilaridade e profissionalização preocupam o MP-SP, que vem defendendo mudanças estruturais para enfrentar a atuação da facção. Gakiya propõe a criação de uma lei antimáfia nos moldes italianos, com a criação de uma agência federal específica para combater o crime organizado e centralizar o rastreamento de fluxos financeiros suspeitos.

 “É necessário criar no Brasil a figura da organização criminosa de tipo mafioso e obrigar os bancos a bloquear preventivamente recursos de origem suspeita, como já acontece em casos de terrorismo”, explicou o promotor.

A proposta, segundo ele, já foi apresentada a integrantes do governo federal e do Congresso Nacional. A expectativa é de que o tema ganhe tração no Legislativo, diante da expansão alarmante da influência econômica do crime organizado no Brasil.

Com informações do Brasil 247

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