Parlamentar foi condenada pelo STF a 10 anos e está detida em presídio de Roma. Decisão final sobre extradição caberá ao ministro da Justiça da Itália
A Justiça da Itália decidiu nesta sexta-feira (1º), segundo Andréia Sadi, do g1, manter a prisão da deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), detida desde o início da semana em Roma. A parlamentar está encarcerada no presídio de Rebibbia, nos arredores da capital italiana, e poderá ter a extradição solicitada pelo Brasil analisada pelas autoridades locais nos próximos meses.
Zambelli foi presa na última terça-feira (29) em um apartamento em Roma, após ser localizada pela polícia italiana com base em um alerta da Interpol. Desde o fim de maio, ela estava foragida da Justiça brasileira, após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão. A sentença, proferida de forma unânime pela Primeira Turma do STF, não permite mais recursos — o processo transitou em julgado.
A condenação diz respeito à participação da deputada na invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em janeiro de 2023. Segundo os registros, Zambelli deixou o Brasil poucos dias após a decisão do Supremo, passando pela Argentina e depois pela Flórida, nos Estados Unidos, antes de buscar refúgio na Itália.
Prisão e versões conflitantes – De acordo com a polícia italiana, Zambelli foi cercada pelas autoridades no edifício onde estava hospedada, para evitar qualquer tentativa de fuga. Apesar de a defesa alegar que ela se entregou espontaneamente, os registros da operação indicam que a detenção ocorreu de forma ativa, ainda que sem resistência por parte da deputada.
O advogado Fábio Pagnozzi, responsável por sua defesa, afirmou que Zambelli “estava pintando e lavando o cabelo” quando os policiais chegaram ao local. Ainda segundo ele, a parlamentar apenas recolheu seus remédios antes de ser levada à delegacia.
Próximos passos do processo de extradição – Com a prisão validada por uma espécie de audiência de custódia realizada na Itália, o caso avança agora para o trâmite de extradição, que poderá se estender por até dois anos. O processo será analisado por duas instâncias judiciais no país: a Corte de Apelação e, posteriormente, a Corte de Cassação.
Se ambas derem parecer favorável à extradição, caberá ao ministro da Justiça da Itália a palavra final. Trata-se de uma etapa com forte componente político, e não apenas jurídico, o que pode influenciar o desfecho da situação da parlamentar.
Perda do mandato e trâmites no Brasil – Além da condenação à prisão, o Supremo determinou a perda do mandato de Zambelli na Câmara dos Deputados. A Casa, no entanto, ainda precisa formalizar esse afastamento por meio de parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), cuja análise está prevista para ocorrer a partir de agosto.
Com informações do brasil247
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