
Os suicídios entre indígenas no Brasil cresceram 56% em 2023 em relação ao ano anterior, totalizando 180 casos, comparado a 115 em 2022. A maioria das vítimas é composta por homens entre 20 e 59 anos, enquanto 59 casos ocorreram em jovens de até 19 anos, representando mais de um terço do total.
Esses dados são parte do relatório anual do Conselho Missionário Indigenista (Cimi), que utiliza informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai). Lucia Helena Rangel, coordenadora do relatório, falou à Folha de S.Paulo sobre a associação entre o aumento dos suicídios à violência enfrentada pelos povos indígenas e à escassez de assistência médica. “A comunidade está abandonada”, afirma a antropóloga.
O estado do Amazonas lidera o número de suicídios, seguido por Mato Grosso do Sul e Roraima. O epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz, aponta ao veículo que os altos índices não estão apenas ligados a condições de saúde mental, mas também a fatores socioeconômicos, conflitos territoriais e estigmas sociais.
Líderes indígenas como Tuinaki Koixaru e Eliana Karajá destacam a rotina trágica de perder jovens para o suicídio, chamando atenção para a necessidade de políticas públicas efetivas. A Sesai, responsável pela saúde indígena, conta atualmente com apenas 117 psicólogos para atender cerca de 800 mil pessoas em 6.800 aldeias.
O papel da assistência psicológica é crucial, como exemplificado pela experiência de Eliana Karajá, que superou uma crise pessoal com o apoio de um psicólogo. No entanto, muitos indígenas ainda carecem desse suporte. O psicólogo Walter Martins, que atua na Reserva Indígena de Dourados, ressalta a limitação da equipe de saúde mental na região.

Após reportagem publicada pela Folha, o Ministério da Saúde informou em nota que oferece “atendimento integral e gratuito para pessoas com transtornos mentais e problemas relacionados ao uso de álcool e drogas, por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que adota uma abordagem humanizada e multiprofissional”.
Além disso, disse que “a pasta ampliou o orçamento da Atenção Psicossocial em 27%, com R$ 414 milhões adicionais, para fortalecer os 2.857 Centros de Atenção Psicossocial (Caps), dos quais 36 também atendem a população indígena, e os 870 serviços residenciais terapêuticos em todo o país, revitalizando a política de saúde mental”.
Em relação às populações indígenas, segundo o ministério, “foram implementadas ações específicas para enfrentar o suicídio nos territórios, incluindo vigilância psicossocial, formação de equipes sentinelas compostas por indígenas, e promoção do “Bem Viver” para jovens, em parceria com a Opas e a Fiocruz. A presença de antropólogos e especialistas em medicinas indígenas também tem sido incentivada para integrar práticas tradicionais e ocidentais. Desde 2023, o número de profissionais especializados em atenção psicossocial nas terras indígenas vem aumentando, passando de 34 para 117 psicólogos em 2024″.
Com informações do Diário do Centro do Mundo
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