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Trump agita os mercados globais com plano tarifário no “Dia da Libertação”

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Anúncio previsto para hoje amplia tensão nos mercados financeiros e eleva índice de volatilidade diante da incerteza sobre tarifas de importação

Reuters – Os investidores globais aguardam com expectativa e apreensão o anúncio das novas tarifas comerciais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcado para esta quarta-feira, 2 de abril, apelidado por ele como “Dia da Libertação”. “Não me lembro de uma situação em que os riscos fossem tão altos e, ainda assim, o resultado tão imprevisível”, declarou Steve Sosnick, estrategista-chefe da Interactive Brokers. “O diabo está nos detalhes, e ninguém sabe quais são esses detalhes.”

A Casa Branca confirmou, na terça-feira, que Trump anunciará as novas tarifas, mas sem especificar a magnitude e o alcance das barreiras comerciais. A porta-voz Karoline Leavitt afirmou que tarifas recíprocas contra países que impõem taxas a produtos norte-americanos entrarão em vigor imediatamente após o anúncio. Além disso, uma tarifa de 25% sobre importações de automóveis começará a ser aplicada em 3 de abril.Play Video

Clima de tensão domina Wall Street

O índice de volatilidade Cboe (VIX), conhecido como “medidor do medo” dos investidores, subiu para 24,80 na segunda-feira — o maior nível em mais de duas semanas — e encerrou o pregão de terça em 22,77. “O mercado está realmente prendendo a respiração”, afirmou Mark Spindel, diretor de investimentos da Potomac River Capital LLC, que espera uma elevação do VIX para a faixa dos 30, patamar associado a altos níveis de aversão ao risco.

O índice S&P 500, referência dos mercados norte-americanos, acumula queda de 8% desde seu pico em fevereiro, e chegou a confirmar uma correção — retração de 10% — em meados de março. “Estamos em um ponto muito delicado, na base de uma faixa corretiva, o que nos deixa prontos para um forte salto ou uma quebra assustadora”, observou Sosnick.

Efeitos globais e dúvidas sobre a política econômica

O impacto da incerteza sobre as tarifas já se faz sentir fora dos EUA: o índice Nikkei do Japão atingiu seu menor nível desde setembro, enquanto os mercados europeus abriram em baixa nesta quarta-feira, refletindo o clima de cautela global.

Para Sonu Varghese, estrategista macroeconômico global do Carson Group, a ausência de clareza sobre se haverá uma tarifa única ou uma abordagem segmentada torna a modelagem dos impactos sobre lucros corporativos, crescimento econômico e inflação uma tarefa quase impossível. “Idealmente, receberíamos um número e então poderíamos calcular o impacto. Mas temo que isso não aconteça — ou que mesmo um número seja apenas ponto de partida para negociações”, afirmou.

A economia dos EUA também dá sinais de alerta. O setor industrial contraiu em março, segundo dados divulgados na terça, e a inflação nos preços de fábrica alcançou o maior nível em quase três anos. O consumo das famílias também enfraqueceu, o que levanta dúvidas sobre o ritmo do crescimento econômico e aumenta a pressão sobre o Federal Reserve (Fed), que havia pausado seu ciclo de afrouxamento monetário em janeiro.

Estratégias de defesa em meio à incerteza

Com o cenário ainda turvo, analistas recomendam cautela e diversificação. “Diante de um nível de incerteza que flerta com os tempos da pandemia ou da crise financeira, é fundamental estar diversificado”, disse Jack Ablin, diretor de investimentos da Cresset Capital.

Anthony Saglimbene, estrategista da Ameriprise Financial, também alertou para o risco de que o anúncio não traga a clareza esperada. “O mercado, até certo ponto, já precificou os efeitos negativos das tarifas sobre o crescimento econômico e os lucros das empresas. A reação negativa ocorrerá se os detalhes continuarem deixando muitas perguntas em aberto.”

O “Dia da Libertação” promovido por Donald Trump pode marcar uma nova virada na política comercial dos Estados Unidos — e também um ponto de inflexão para os mercados globais. Com investidores atentos e tensos, o que está em jogo é não apenas o futuro das cadeias globais de suprimento, mas também a trajetória da economia mundial. A falta de previsibilidade, neste momento, é o fator mais preocupante.

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