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Marçal intoxica democracia ao ser convidado para debates que quer destruir

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Nunes, Tabata, Dayena, Boulos e Marçal no debate da Gazeta/MyNews – Foto: Vitoria Vitorino

Por Leonardo Sakamoto, jornalista, cientista político e professor da PUC-SP

Não há regra eleitoral que obrigue o convite a Pablo Marçal para debates na TV porque o PRTB não tem cinco parlamentares no Congresso Nacional. A presença dele tem sido garantida por uma decisão dos próprio veículos de comunicação que acreditam estarem prestando um serviço à democracia, uma vez que o candidato está nas primeiras colocações. A ideia era nobre, mas ajudou a intoxicar o debate na eleição paulistana.

Não é possível dizer que Marçal tem transformado os debates em um circo porque circos são locais de profissionais sérios e comprometidos, como palhaços. Já deixou claro que vê aquilo como um teatro, o que, novamente, é uma ofensa à dramaturgia, uma vez que a farsa roteirizada por seus assessores só beneficia a ele próprio e seus correligionários ligados ao PCC.

Ele sabe que não vai vencer uma discussão sobre propostas porque já demonstrou que não conhece como funciona a cidade. Lança um punhado de frases feitas adaptadas de sua experiência como coach e parte para o ataque, no melhopr estilo bullying da quinta série. Esperto, sequestra o debate com o caos, forçando os demais concorrentes a se voltarem a ele.

Trabalhadores da comunicação que atuam como mediadores de debates deveriam ganhar de seus patrões adicionais insalubridade, como Denise Campos de Toledo, neste domingo (1), no debate da TV Gazeta/My News. Ou os veículos assumem de vez que os debates deixaram de ser jornalismo e passaram a ser entretenimento (sic) e converte em algo como Olimpíadas do Faustão ou Casos de Família.

É preciso convidar o candidato a sabatinas e entrevistas, mas a manutenção da justificativa de convidá-lo pelo bem da democracia só vai agredir a própria democracia.

Tentar realizar uma discussão construtiva com alguém que está interessado apenas em provocar o caos se insere na Síndrome do Pombo Enxadrista, que explica o comportamento de trolls que participam de um debate público sem referências técnicas, sem base científica e sem apreço pelas regras, agindo com infantilidade e falácias. Discutir com essas pessoas é o mesmo que jogar xadrez com um pombo: ele defeca no tabuleiro, derruba as peças e sai voando cantando vitória.

Já ficou claro o que Marçal pensa, a manutenção dele entre os convidados, mesmo não sendo obrigatório, se justifica apenas na lógica da busca por audiência.

Não faz sentido que os mesmos que lamentam a transformação dos debates em estúdio para a produção de memes defendam com unhas e dentes a manutenção do convite a ele e mesmo do formado do debate como se isso fosse prova de apreço à cidadania. Deixar que a democracia seja espancada não é prova de apreço à ela. Pois ele é normalizado pelo comportamento de quem faz beicinho de reprovação nas redes, mas acha que o show deve continuar.

Ah, mas ele vai armar uma live durante o debate e fazer um react se não for chamado e acusar a mídia de censura. Não sei se já perceberam, mas ele já ataca a imprensa e a Justiça eleitoral, atropelando leis e regras, já no café da manhã.

Por fim, como já disse aqui antes, há a necessidade urgente de mudar a forma como organiza-se debates no Brasil. Pablo Marçal aprofundou uma tendência que já vinha de outras eleições, de aproveitar os superficiais embates no primeiro turno para a produção de conteúdo voltado às redes sociais. A novidade é que, com ele, houve uma completa dissociação entre o evento e seu objetivo. Tanto que se furtou a responder perguntas formuladas no debate desta segunda, até porque, para ele, o evento em si é mero detalhe.

Os veículos de comunicação e as campanhas precisam mudar a sua forma de realizar debates pelo bem da democracia. Melhor seriam eventos agrupados por pacotes de temas de interesse público ao invés do formato atual, em que há pouco tempo para que candidatos sejam obrigados a tratar das soluções para os problemas e muito para que se engalfinhem. Para quem acha que isso é chato, basta ver alguns dos debates nos Estados Unidos que adotam essas regras e funcionam bem.

E para que um punhado de debates em que se repetem as mesmas brigas e as mesmas mentiras, se os veículos poderiam se juntar e organizar pools de transmissão simultânea? Isso leva a crer que muitos eventos não são nem vistos como entretenimento, mas caça-níqueis de audiência.

Debates são essenciais para a democracia, desde que atendam às necessidades da população. Isso significa que os veículos de comunicação terão que ceder, agrupar-se, mudar formatos. E as campanhas precisarão aceitar regras e formatos novos em que seja possível ir a fundo nos problemas da pólis – sim, hoje muitas torcem o bico quando se propõe algo diferente. Não adianta incensarmos um modelo que está doente só porque somos nós, jornalistas, que o levamos adiante. Não adianta trazer pombos na torcida de que vão jogar xadrez.

Com informações do Diário do Centro do Mundo

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