Início MUNDO Venezuela denuncia venda forçada da Citgo por tribunal dos EUA
MUNDO

Venezuela denuncia venda forçada da Citgo por tribunal dos EUA

Compartilhar
Compartilhar

Governo afirma que decisão nos EUA é fraudulenta e envolve conluio com opositores radicais

A Venezuela manifestou repúdio à decisão de um tribunal dos Estados Unidos que autorizou a venda forçada da Citgo Petroleum, subsidiária internacional da PDVSA. A medida foi classificada como um ataque direto a um dos principais ativos do Estado venezuelano. No comunicado, divulgado pela teleSUR e lido pela vice-presidente executiva Delcy Rodríguez, o governo denuncia o que descreve como uma “pilhagem vulgar e bárbara” conduzida sob um processo judicial considerado fraudulento. A medida, segundo Rodríguez, integra uma “agressão multifacetada” promovida por autoridades estadunidenses contra o país.

Acusações de fraude e exclusão da defesa venezuelana

De acordo com a vice-presidente, a PDVSA e o Estado venezuelano foram “intencionalmente e ilegalmente excluídos” do procedimento judicial, sob a justificativa de que Washington não reconhece o governo legítimo. Ela classificou essa justificativa como uma “desculpa grosseira” que permitiu negar o direito de defesa. “Haverá responsabilização internacional para os governos que facilitaram esse roubo e saque descarados de um ativo valioso como a Citgo”, afirmou Rodríguez.

O documento responsabiliza figuras da oposição radical — entre elas María Corina Machado, Edmundo González Urrutia, Juan Guaidó, Julio Borges, Carlos Vecchio e José Ignacio Hernández — por atuarem “em cumplicidade” com interesses estrangeiros. O texto os descreve como parte de um “grupo do crime organizado” que, desde 2015, buscaria usurpar a representação do Estado.

Caracas reitera que não reconhecerá a venda forçada

Rodríguez afirmou que a Venezuela “não reconhece e não reconhecerá a venda forçada da Citgo”, classificando a medida como um ato executado em “flagrante desrespeito” às garantias jurídicas e econômicas. O governo declarou que adotará “todas as medidas ao seu alcance” para responsabilizar, inclusive internacionalmente, quem promoveu ou executou o processo de desapropriação.

O comunicado conclui que o episódio representa uma demonstração de que “investimentos estrangeiros não são respeitados nem garantidos no território dos Estados Unidos da América”, além de prever que o povo venezuelano dará uma “lição histórica” aos que, segundo o governo, traíram a pátria.

Decisão judicial e seus impactos

A reação de Caracas foi motivada pela decisão do juiz federal Leonard P. Stark, em Delaware, que autorizou a venda da Citgo por US$ 5,9 bilhões à empresa Amber Energy — valor considerado muito inferior ao preço real estimado, entre US$ 11 e US$ 13 bilhões. Especialistas apontam que o caso configura uma das maiores expropriações da era atual.

O analista Werther Sandoval destacou que o processo teve início após o reconhecimento ilegítimo, em 2019, de um governo paralelo na Venezuela pelo então governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. Segundo Sandoval, essa estrutura inflou artificialmente a dívida venezuelana para US$ 23,6 bilhões, criando condições para credores exigirem a venda da CITGO.

Ele ressaltou que, antes dessa intervenção, a empresa não apresentava níveis de endividamento que justificassem tal ofensiva. A substituição do conselho por nomes alinhados à oposição, como Luisa Palacios e Carlos Jordá, teria aberto espaço para ações judiciais que visavam retirar o controle estatal.

Ativo estratégico sob disputa

Sandoval recorda que alertas sobre a vulnerabilidade da Citgo já existiam desde governos anteriores, por ser uma refinaria localizada em território norte-americano, sujeita a medidas protecionistas. Para ele, o objetivo da disputa atual é duplo: fragilizar o fluxo de divisas para a Venezuela e tomar um complexo industrial lucrativo que, historicamente, beneficiou a economia dos EUA.

Ele argumenta que a Citgo comprou petróleo venezuelano com descontos por décadas, gerando receitas expressivas ao Tesouro dos EUA e reduzindo o retorno ao Estado venezuelano, o que teria ampliado o interesse externo sobre o ativo.

Precedente que pode afetar relações futuras

O governo venezuelano classificou a decisão como um “roubo à luz do dia”, e Sandoval alerta que qualquer relação futura entre Caracas e Washington ficará marcada pelo precedente. Para ele, a medida “manchará” negociações, aumentará custos e provocará desconfiança duradoura.

A Venezuela afirma que recorrerá a todas as instâncias legais internacionais para reverter o processo. A venda da Citgo ainda depende de aprovações regulatórias e não deve ser concluída antes de 2026.

*Conteúdo originalmente publicado no Brasil de Fato

Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar
Artigos Relacionados

Trump diz que Cuba “vai cair em breve”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (6) que...

“Pessoas vão morrer”, diz Trump sobre possível retaliação do Irã aos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu a possibilidade de ataques...

Irã lança mísseis contra o coração de Tel Aviv

O Irã afirmou nesta sexta-feira (6) que lançou mísseis Kheibar em direção...

Mortos no Irã passam de mil; Turquia intercepta míssil e fala em retaliar ataques

Irã anuncia que controla o Estreito de Ormuz, via crucial para o...