Início Governo Conheça as medidas que estão no Congresso para aumentar a arrecadação
GovernoPolítica

Conheça as medidas que estão no Congresso para aumentar a arrecadação

Compartilhar
Compartilhar

O governo Lula enviou ao Congresso Nacional uma Medida Provisória com medidas que podem ampliar a arrecadação

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, disse que, caso algumas receitas não se concretizem como o esperado, como é o caso dos leilões de óleo, a equipe econômica vai buscar novas formas de arrecadação para fazer a compensação, mas rever a meta fiscal de 2025, que prevê déficit zero, não é uma opção no momento.

A declaração foi dada na última quarta-feira (30/7), durante entrevista coletiva para detalhar os dados do Relatório do Tesouro Nacional (RTN) referentes ao mês de junho.

No mês passado, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou uma Medida Provisória (MP) com propostas que ampliam a arrecadação em R$ 10 bilhões em 2025 e R$ 10 bilhões em 2026.

A MP 1303/2025 foi encaminhada ao Congresso Nacional e aguarda apreciação. A medida perderia vigência no inicio de agosto, mas foi prorrogada até outubro, tendo em vista que já existe um plano de trabalho para analise do texto e ela será apreciada por uma comissão mista de deputados e senadores e depois passará pelos plenários do Senado Federal e da Câmara dos Deputados.

Confira as principais medidas contempladas pela MP:

  • Tributação de títulos: a MP prevê acabar com a isenção do Imposto de Renda (IR) de títulos incentivados, como é o caso da Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA). A MP também estabelece uma alíquota uniforme de 17,5% para os demais investimentos no mercado financeiro, incluindo criptomoedas. O texto é mal visto por investidores e pelo mercado financeiro.
  • JCP e CSLL: a medida trata também sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) e Contribuição sobre Lucro Líquido (CSLL), estabelecendo aumento de IR passando de 15% para 20% no caso do JCP e de 9% para 15% para CSLL.
  • Bets: caminhando no mesmo sentido da tributação de investimentos, a MP aumenta as taxas de 12% para 18% sobre o Gross Gaming Revenue (GGR), na prática, a diferença será aplicada entre o valor que as empresas de apostas arrecadam e aquilo que elas pagam aos clientes.
  • Inclusão do Pé-de-meia no piso da educação: o texto prevê  a inclusão do programa Pé-de-meia no piso nacional da educação, ou seja, os recursos serão incluídos no percentual mínimo que a União investirá na educação com base na receita vinda de impostos.
  • Seguro-defeso: a medida dispõe, ainda, sobre o seguro-defeso, que acontece quando a pesca é proibida para preservação ambiental. Se aprovada, a concessão do benefício passará a depender de homologação do registro do pescador pela prefeitura.
  • Auxilio doença: a mudança prevista na MP tem relação ao prazo de concessão do benefício, que será limitado a 30 dias ante aos 180 dias na vigência atual. Se a medida for aprovada, o pagamento dos benefícios estarão sujeitos a realização de perícia médica.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a taxação dos títulos permitirá corrigir uma distorção no mercado de crédito, que, segundo ele, traz dificuldades para o Tesouro Nacional. De acordo com ele, os títulos continuarão a manter uma distância grande em relação aos títulos públicos em geral.

O Ministério da Fazenda afirmou que as mudanças são relevantes acerca das despesas públicas, visando o fortalecimento ainda maior do arcabouço fiscal.

As críticas

Em nota, a Confederação Nacional da Industria (CNI), disse que a MP foca na arrecadação e deixa de lado controle das despesas. “Parte significativa das medidas que visam elevar a arrecadação vai prejudicar as empresas”, alega a entidade.

A CNI apontou também que, ao comprometer o equilíbrio no tratamento entre capital próprio e capital de terceiros, a medida vai impactar o modelo de financiamento de muitas empresas e deve reduzir a propensão ao investimento, que é crucial para o crescimento econômico.

Na linha da discussão sobre gastos público, um levantamento da Warren Rena aponta que caso não sejam adotadas medidas de contenção dos gastos obrigatórios, a restrição no orçamento público ficará cada vez mais relevante. “A previsão legal de gastos mínimos com Saúde, Educação e emendas parlamentares resulta em uma rigidez do montante executado de discricionárias”, diz o relatório.

  • Despesas discricionárias: gastos que o governo pode decidir como alocar, dentro do orçamento disponível, podendo investir em áreas como infraestrutura, saúde ou educação.
  • Despesas obrigatórias: gastos fixados por lei ou pela Constituição, como pagamento de pessoal, benefícios previdenciários, transferências a estados e municípios, e encargos da dívida pública.

“As [despesas] discricionárias podem ser comprimidas até alcançarem um limite mínimo, dado pela rigidez legal das emendas e dos pisos de Saúde e Educação, além de gastos correntes que, apesar de não terem um volume obrigatório de execução, podem comprometer o funcionamento da máquina pública caso não sejam feitos”, aponta.

Ainda na coletiva de divulgação do RTN, o subsecretário de Planejamento Estratégico da Política Fiscal, David Athayde, afirmou que o limite das despesas de 2026 será de R$ 2,427 trilhões, sendo R$ 2,334 trilhões destinados ao Executivo Federal. Atualmente, o teto de gastos está em R$ 2,260 trilhões, ou seja, haverá um aumento real de 2,5%, o máximo permitido pelo arcabouço fiscal.

Athayde avaliou, no entanto, que o número ainda pode mudar em decorrência a assuntos que estão em tramitação, como a retirada das receitas do Judiciário do resultado primário.

Com informações do Correio Braziliense

Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar
Artigos Relacionados

Vorcaro: da vida de ostentação à rotina de presidiário

Dono do Banco Master cumpre, na penitenciária de Brasília, prisão preventiva ordenada...

Defesa confirma morte de ‘Sicário’ de Vorcaro

Braço direito do banqueiro tentou se matar em carceragem da PF na...

Caso Master: Polícia Federal investigará vazamentos

Mendonça atende defesa de Vorcaro e determina apuração sobre divulgação de dados...

Viana reage a decisão de Mendonça sobre vazamento de dados de Vorcaro

Presidente da CPMI do INSS não negou e nem confirmou a acusação...