Presidente defende redução da jornada semanal e critica teto de gastos durante reunião do Conselhão
Em discurso enfático nesta quinta-feira (4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender mudanças estruturais no mundo do trabalho, argumentando que os avanços tecnológicos já permitem ao país repensar modelos tradicionais de jornada. A fala ocorreu na reunião plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, em Brasília, onde Lula abordou temas como investimento público, orçamento federal e condições trabalhistas.
O presidente relacionou o debate sobre jornada de trabalho às transformações tecnológicas e à necessidade de garantir melhor qualidade de vida aos trabalhadores. Lula afirmou que o país não pode tratar investimentos sociais como gastos e que a discussão sobre desenvolvimento precisa incorporar a valorização da mão de obra.
Ao criticar o teto de gastos, Lula argumentou que grandes economias não restringem investimentos essenciais, sobretudo em ciência, tecnologia e educação. Para ilustrar, comparou a política brasileira com decisões recentes de países europeus. “Um país que é a oitava economia do mundo não tem o direito de ficar criando teto de gastos. Vocês acham que os Estados Unidos pensam em teto de gastos? A Alemanha? Agora mesmo eles aprovaram 800 bilhões de euros para comprar armas. Não seria melhor ter aprovado 800 bilhões para acabar com a fome no mundo? Há uma inversão de valores”, afirmou.
O presidente também voltou a criticar o controle crescente do Congresso sobre o Orçamento da União. Para ele, as emendas impositivas distorcem a lógica da gestão pública e retiram do Executivo parte de sua capacidade de planejamento. “Eu, sinceramente, não concordo com as emendas impositivas, acho que o fato de o Congresso sequestrar 50% do orçamento da União é um grave erro histórico”, declarou. Segundo Lula, mudanças desse modelo só ocorrerão com renovação política: “Você só vai acabar com isso quando você mudar as pessoas que aprovaram isso”.
Ao entrar no tema central de sua fala sobre o mundo do trabalho, Lula recuperou sua experiência como metalúrgico na Volkswagen para ilustrar como as mudanças tecnológicas impactaram a produção e deveriam, segundo ele, impactar também as condições laborais. “Eu trabalhava na Volkswagen, tinha 40 mil trabalhadores, produzia 1,2 mil carros. A gente trabalhava com a mesma jornada de trabalho que trabalha hoje, com os avanços tecnológicos? A Volkswagen, que tinha 40 mil, tem 12 mil hoje e produz o dobro”, afirmou.
O presidente questionou por que a produtividade crescente não se traduz em jornadas menores. “E o que avançou tecnologicamente que a gente não reduz a jornada de trabalho? Para que serviram todos esses avanços? O que é reduzir para 40 horas? Qual é o prejuízo que tem para o mundo? Nenhum”, disse. Ele citou o exemplo do México, que aprovou recentemente a jornada semanal de 40 horas, como referência para o debate brasileiro.
Lula afirmou ainda que cabe aos movimentos sindicais e à sociedade civil ampliar a discussão sobre jornadas mais curtas. “Eu tinha dito para os dirigentes sindicais há muito tempo: não peça que eu faça um projeto para reduzir; façam vocês um movimento para politizar a base”, afirmou, defendendo que o tema seja aprofundado dentro do próprio conselho.
Ao final, Lula sugeriu que o país está em condições de acelerar o fim da escala 6×1, modelo ainda dominante em diversos setores da economia. “Eu queria que este conselho estudasse com muito carinho essa proposta da jornada de trabalho para acabar com essa coisa de 6×1, porque não tem mais sentido com os avanços tecnológicos. A gente pode apressar o fim dessa jornada 6×1 e dar uma jornada melhor para o povo trabalhador”, concluiu.
Fonte: brasil247
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