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Guerra contra o Irã entra no sexto dia com expansão do conflito no Oriente Médio

Ataques dos EUA e de Israel ampliam tensão regional, elevam número de vítimas e provocam impactos no Golfo, no Líbano e no Iraque

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O conflito militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã chegou ao sexto dia com sinais claros de ampliação da guerra e aumento das tensões em diversas frentes do Oriente Médio. A ofensiva aérea e naval liderada por Washington e Tel Aviv intensificou os combates dentro do território iraniano, enquanto ameaças ao tráfego marítimo e novas operações militares ampliam a instabilidade na região, informa a Al Jazeera.

O impacto humanitário e geopolítico do confronto cresce rapidamente. O Irã acusa os Estados Unidos e Israel de ataques contra infraestrutura civil e indica que o conflito já afeta países vizinhos, além de provocar reflexos em rotas comerciais estratégicas como o Estreito de Ormuz.

Número de mortos e ataques a infraestrutura civil

Segundo a mídia estatal iraniana, os primeiros cinco dias de bombardeios resultaram em 1.045 mortos e mais de 6 mil feridos no país. O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que 33 locais civis foram atingidos pelos ataques.

Entre os pontos atingidos estariam hospitais, escolas, áreas residenciais, o Grande Bazar de Teerã e o complexo histórico do Palácio Golestan, um dos patrimônios culturais mais conhecidos da capital iraniana.

Conflito naval se expande no Oceano Índico

A zona de guerra também se ampliou para o mar. Na quarta-feira, um submarino dos Estados Unidos disparou um torpedo contra a fragata iraniana Iris Dena, que afundou no Oceano Índico, ao sul da costa do Sri Lanka.

A Marinha do Sri Lanka informou que 87 corpos foram recuperados e 32 pessoas foram resgatadas após o ataque.

Movimentação de grupos curdos

Outro elemento que pode ampliar a guerra é a possível abertura de um novo front terrestre. Sinais crescentes indicam que grupos armados curdo-iranianos iniciaram uma ofensiva no noroeste do Irã contra o governo do país.

Autoridades dos Estados Unidos também teriam solicitado apoio de forças curdas do Iraque para operações militares transfronteiriças. Segundo relatos, combatentes curdos no norte do Iraque estão atualmente em estado de prontidão para entrar no conflito.

Estreito de Ormuz e impacto no comércio global

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio mundial de petróleo.

Com as ameaças iranianas de ataques contra embarcações, a navegação na região foi praticamente interrompida, elevando preocupações sobre possíveis impactos no abastecimento energético global.

Tensões diplomáticas e reação da Espanha

No plano diplomático, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian elogiou a Espanha por recusar o uso de bases militares para a guerra liderada pelos Estados Unidos.

A decisão gerou reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou cortar relações comerciais com o país europeu.

Impactos nos países do Golfo

Os ataques e contra-ataques também estão afetando diretamente os países do Golfo.

Na Arábia Saudita, o Ministério das Relações Exteriores condenou um ataque com drone atribuído ao Irã contra a embaixada dos Estados Unidos em Riad. O episódio ocorreu na terça-feira.

No Catar, o governo iniciou a evacuação de moradores que vivem nas proximidades da embaixada norte-americana em Doha. O Ministério do Interior afirmou que a medida é apenas uma “precaução temporária”.

O chanceler do país, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, conversou com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e pediu “uma interrupção imediata” dos ataques, afirmando que Teerã estaria tentando envolver países vizinhos em um conflito que não lhes pertence.

Além disso, uma explosão foi registrada próximo a um petroleiro ancorado cerca de 56 quilômetros ao sudeste do porto de Mubarak al-Kabeer, no Kuwait.

Escalada militar envolvendo Israel

Israel informou ter iniciado uma nova “onda de ataques” contra infraestrutura militar em Teerã. Autoridades militares norte-americanas e ocidentais afirmam que grande parte das capacidades militares iranianas já teria sido destruída.

Segundo essas autoridades, os Estados Unidos e Israel teriam alcançado superioridade aérea, permitindo que aviões militares operem sobre o território iraniano sem grande resistência.

Em Israel, o Exército relaxou parcialmente algumas regras de segurança adotadas durante a guerra, permitindo atividades consideradas “limitadas”, após semanas de restrições mais severas.

Debate político nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o Senado votou 53 a 47 contra uma resolução que obrigaria o governo a obter autorização do Congresso para continuar a guerra contra o Irã. A decisão interrompeu uma iniciativa bipartidária baseada na Lei de Poderes de Guerra.

Apesar da decisão legislativa, pesquisas indicam que o apoio popular à ofensiva é limitado. Um levantamento da Reuters/Ipsos mostrou que apenas 25% dos entrevistados apoiam os ataques, enquanto 43% se declaram contrários.

A Casa Branca defendeu firmemente a operação militar. A secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou que o objetivo do governo é eliminar as ambições nucleares do Irã e destruir sua capacidade naval.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, justificou a ofensiva ao declarar: “Se não tivéssemos atacado dentro de duas semanas, eles teriam uma arma nuclear”.

Expansão do conflito em outros países

O cenário regional também se deteriora fora do Irã.

No Líbano, Israel intensificou ataques em áreas como Beirute e Khiam, em meio a confrontos com o Hezbollah.

No Iraque, um drone atingiu um prédio próximo ao aeroporto de Erbil, enquanto forças curdas permanecem mobilizadas para possíveis operações militares.

A tensão também atingiu a Turquia, onde sistemas de defesa aérea da OTAN interceptaram um míssil balístico iraniano que entrou no espaço aéreo do país.

O general aposentado dos Estados Unidos Mark Kimmitt afirmou à Al Jazeera: “Esta foi uma tentativa deliberada dos militares iranianos de disparar para fora do seu país, em direção a um país que não está diretamente associado ao Golfo”.

Pressão internacional e posição da China

No plano diplomático global, a China também se manifestou. O ministro das Relações Exteriores chinês pediu “cessação imediata” das ações militares dos Estados Unidos e de Israel, durante uma conversa telefônica com seu homólogo israelense.

O posicionamento reforça o aumento da pressão internacional por uma interrupção das hostilidades, enquanto a guerra continua a se expandir por diferentes frentes no Oriente Médio.

Com informações do Brasil247

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