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Petróleo sobe 28% na semana

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Tensão em Ormuz faz preço do barril tipo Brent, utilizado como referência na maioria dos países, atingir US$ 92,72

O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo extraído globalmente, impactou diretamente os preços da commodity na primeira semana após a decisão da Guarda Revolucionária do Irã, que detém o controle da passagem. O receio de um conflito prolongado no Oriente Médio também ajudou a azedar ainda mais a percepção dos investidores, que ficaram mais conservadores nos últimos dias, com os desdobramentos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. 

O temor de escassez do chamado “ouro negro” no mundo inteiro fez com que o preço do barril tipo Brent, utilizado como referência na maioria dos países, atingisse US$ 92,72 no contrato de maior negociação, com avanço semanal de 28%. Já o índice do West Texas Intermediate (WTI) — padrão dos Estados Unidos — registrou a maior valorização semanal desde 1983, com um salto de 35% nos últimos cinco dias. No fechamento, WTI chegou a US$ 91,11 o barril. 

Com a alta histórica, instituições financeiras já trabalham com a possibilidade de um aumento ainda maior nos preços da commodity. O Goldman Sachs emitiu um alerta para o risco de que o petróleo ultrapasse os US$ 100 por barril em caso de uma guerra prolongada. Em entrevista ao jornal Financial Times, o ministro de Energia do Catar, Saad Al-Kaabi, disse que os barris podem chegar a custar US$ 120 nas próximas semanas, caso o estreito continue fechado. Já nos EUA, o secretário do Interior, Doug Burgum, afirmou que o governo considera opções para lidar com o aumento no preço dos combustíveis no país, que atingiram o maior valor em dois anos.

Brasil

Em entrevista coletiva na sede da Petrobras, a presidente da estatal, Magda Chambriard, comentou que ainda seria precipitado um ajuste nos preços de combustíveis no país e que é necessária uma tendência mais clara sobre os movimentos a nível global. Mesmo assim, ela reconheceu o sinal de alerta. “Se essa volatilidade for tão grande, e essa subida do preço for tão grande assim, certamente vai exigir, vamos dizer assim, respostas mais rápidas que exigiriam se a subida fosse mais lenta”, respondeu Chambriard, após comentar os resultados do ano passado.

A executiva ainda afirmou que a empresa deve estar preparada para qualquer hipótese de alta nos preços da commodity. “Olhando à frente, vemos analistas falando que o preço do petróleo pode chegar a US$ 120 no ano que vem, e outros a US$ 53. Esse é o tamanho da volatilidade. O importante é que a Petrobras esteja plenamente preparada para ser resiliente o suficiente para enfrentar qualquer um desses cenários”, destacou a presidente da estatal.

Fator tempo

Na mesma coletiva, o diretor de Logística, Comercialização e Mercados da empresa, Claudio Schlosser, acrescentou que a empresa monitora constantemente as cotações internacionais como uma estratégia de ser “a melhor alternativa do cliente”. “Nós estamos com uma produção bastante significativa de óleo, as refinarias estão com uma performance padrão classe mundial. A estratégia comercial tem, como princípio fundamental, não transferir essa volatilidade. O fator tempo é o que temos de mais relevante no momento”, ressaltou.

Os dados mais recentes da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que monitora os preços de revenda em todo o país, ainda não revelam o impacto do salto do valor do petróleo nos últimos dias. Para o analista da AGF Investimentos e especialista no setor de combustíveis Pedro Galdi, a disparada no preço do barril pode causar grandes sequelas na economia global. “A questão não é só o preço do petróleo, mas está encarecendo também gás, fretes marítimos e com o risco deste evento se estender por mais tempo, irá gerar pressão inflacionária no mundo todo e esbarrar na vontade dos bancos centrais em reduzir juros”, considera.

Na avaliação do Banco Sofisa, o ponto central da discussão é que o impacto econômico não decorre apenas do evento militar em si, mas da incerteza quanto à sua duração e aos possíveis desdobramentos. “Quanto maior a percepção de um conflito prolongado, maior a probabilidade de pressões inflacionárias globais e, consequentemente, de reprecificação das expectativas de juros em diversas economias. É essa incerteza — e não um cenário base de ruptura imediata no fornecimento — que tem mantido os mercados em postura mais defensiva”, considera a instituição.

Mercado financeiro

Na mesma semana em que o valor do petróleo disparou mundialmente, o dólar acumulou valorização de mais de 2%, após um dia de “respiro” no pregão de ontem, quando fechou em queda de 0,8%, a R$ 5,24. Já no mercado acionário, a situação foi mais preocupante para a Bolsa de Valores de São Paulo. O Ibovespa — principal índice da B3 — teve a pior semana desde novembro de 2022, após encerrar o último dia de operações com queda de 0,61%, aos 179.364 pontos. Nos últimos cinco dias, a queda foi de praticamente 5%.

No ano, os ganhos acumulados pelo Ibovespa, de 17,17% até o fechamento de fevereiro na sexta-feira anterior aos ataques, estão agora em 11,32%.

Na sessão de ontem, a escalada do petróleo e da boa recepção ao balanço do quarto trimestre, levou à alta firme das ações da Petrobras (ON 4,12%, PN 3,49%). No começo da tarde, as ações de Petrobras ganharam impulso adicional durante a teleconferência em que Magda Chambriard comentou os resultados da empresa.

Com informações do Correio Braziliense

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