Na Cúpula de Líderes que antecede a COP30, presidente também defendeu financiamentos para o Sul Global
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta sexta-feira (7), durante a Sessão Temática sobre Transição Energética na Cúpula de Líderes, em Belém (PA), que antecede a COP30. O presidente se comprometeu com ações para promover a justiça climática, considerada urgente, apresentou metas e também dedicou parte de sua fala para criticar o investimento de países em guerras, citando o conflito na Ucrânia.
Para Lula, países que gastam “o dobro do que se destina à ação climática em armas” estão pavimentando “o caminho para o apocalipse climático”. Durante o discurso de abertura do evento na quinta-feira (6), o presidente brasileiro também disse que conflitos armados “drenam os recursos que deveriam ser canalizados para o enfrentamento do aquecimento global”.
O petista ainda destacou a importância de financiamentos e suporte para a justiça climática no Sul Global, sem o qual o presidente define que estaremos “andando em círculos”.
Confira o discurso na íntegra:
As decisões que tomarmos com relação ao setor energético definirão nosso sucesso ou nosso fracasso na batalha contra a mudança do clima.
Foram necessárias 28 COPs do clima para nos comprometermos, em Dubai, com uma transição energética justa, ordenada e equitativa.
A Terra não comporta mais o modelo de desenvolvimento baseado no uso intensivo de combustíveis fósseis que vigorou nos últimos 200 anos. 75% das emissões de gases do efeito estufa têm origem na produção e no consumo de energia.
Não podemos nos omitir ou intimidar diante da magnitude desse dado. Já sabemos que não é preciso desligar máquinas e motores, nem fechar fábricas ao redor do mundo de um dia para o outro. A ciência e a tecnologia nos permitem evoluir de forma segura para um modelo centrado nas energias limpas.
Essa transformação já está em curso. O uso de renováveis triplicou nos últimos dez anos.
No primeiro semestre de 2025, a energia renovável se tornou a maior fonte individual de geração de eletricidade no mundo, ultrapassando o carvão.
Em muitas regiões, as energias solar e eólica já são mais baratas do que a gerada por combustíveis fosseis.
O preço das baterias caiu 90%. O Brasil não tem medo de discutir a transição energética. Somos líderes nessa área há décadas. Ainda nos anos 1970, fomos o primeiro país a investir em larga escala em alternativas renováveis.
90% da matriz elétrica nacional provém de fontes limpas. Também somos pioneiros no desenvolvimento de motores flexíveis e o segundo maior produtor mundial de biocombustíveis. Nossa gasolina tem 30% de etanol em sua composição e nosso diesel conta com 15% de biodiesel.
O etanol é uma alternativa eficaz e imediatamente disponível para adoção nos setores mais desafiadores, como a indústria e os transportes.
É lamentável que pressões e ameaças tenham levado a Organização Marítima Internacional a adiar esse passo.
A transição energética representa um novo paradigma de desenvolvimento e uma grande oportunidade para promover transformações estruturais na sociedade e na economia.
Em 2023, o setor foi responsável por 10% do crescimento do PIB global e empregou 35 milhões de pessoas. É impossível discutir a transição energética sem falar dos minerais críticos, essenciais para a confecção de baterias, painéis solares e sistemas de energia. Para gerar emprego e renda e gozar de segurança energética, os países em desenvolvimento precisam participar de todas as etapas dessa cadeia global de valor.
Senhoras e senhores, apesar dos avanços, 2024 registrou novo recorde de emissões de carbono do setor energético, o maior índice desde 1957, os incentivos financeiros muitas vezes vão no sentido contrário ao da sustentabilidade.
No ano passado, os 65 maiores bancos do mundo se comprometeram a conceder 869 bilhões de dólares para o setor de petróleo e gás. Desde a adoção do Acordo de Paris a participação dos combustíveis fósseis na matriz energética global diminuiu apenas de 83% para 80%.
O conflito na Ucrânia reverteu anos de esforços para redução de emissões de gases de efeito estufa e levou à reabertura de minas de carvão. Gastar com armas o dobro do que destinamos à ação climática é pavimentar o caminho para o apocalipse climático.
Não haverá segurança energética em um mundo conflagrado. É fundamental combater todas as formas de pobreza energética.
2 bilhões de pessoas não têm acesso a combustíveis adequados para cozinhar.
660 milhões de pessoas dependem de lamparinas ou de geradores a diesel nas periferias das grandes cidades e nas comunidades rurais da América Latina, da África e da Ásia.
200 milhões de crianças frequentam escolas sem acesso à luz elétrica.
Sem energia, também não há conexão digital, hospitais funcionando ou agricultura moderna.
Sem equacionar a injustiça de dívidas externas impagáveis e sem abandonar condicionalidades que discriminam os países em desenvolvimento, andaremos em círculos.
Um processo justo, ordenado e equitativo de afastamento dos combustíveis fósseis demanda o acesso a tecnologias e financiamento para os países do Sul Global.
Há espaço para explorar mecanismos inovadores de troca de dívida por financiamento de iniciativas de mitigação climática e transição energética.
Direcionar parte dos lucros com a exploração de petróleo para transição energética permanece um caminho válido para os países em desenvolvimento.
O Brasil estabelecerá um Fundo dessa natureza para financiar o enfrentamento da mudança do clima e promover justiça climática.
O mundo precisa de um mapa do caminho claro para acabar com essa dependência dos combustíveis fósseis.
É tempo de diversificar nossas matrizes energéticas, ampliar as fontes renováveis e acelerar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis.
Isso requer alguns compromissos centrais:
Em primeiro lugar: implementar o acordo de Dubai de triplicar a energia renovável e de dobrar a eficiência energética até 2030.
Em segundo lugar: colocar a eliminação da pobreza energética no centro do debate e incluir metas de cocção limpa e de acesso à eletricidade nos planos climáticos nacionais.
Em terceiro lugar: aderir ao Compromisso de Belém para quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis até 2035 e acelerar a descarbonização dos setores mais desafiadores.
Os cientistas já cumpriram seu papel. Nesta COP, os negociadores devem buscar o entendimento. E nós, os líderes, devemos decidir se o século XXI será lembrado como o século da catástrofe climática ou como o momento da reconstrução inteligente.
Muito obrigado.
*Conteúdo originalmente publicado em Brasil 247
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