Senador gerou crise interna ao afirmar que candidatura “tem preço”
A repercussão das falas de Flávio Bolsonaro sobre sua pré-candidatura ao Planalto provocou desconforto entre aliados e aprofundou a crise política em torno da família. O senador se lançou candidato na sexta-feira (5) e, apenas dois dias depois, no domingo (7), admitiu publicamente que poderia desistir da disputa mediante “negociação”. As informações são da jornalista Andréia Sadi, do g1.
O movimento foi recebido como desastroso por lideranças do campo conservador, que apontam falta de estratégia e desgaste crescente do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A oscilação provocou impacto direto no mercado financeiro, derrubando a Bolsa e pressionando o dólar.
No domingo, ao comentar a possibilidade de recuar da candidatura, Flávio declarou: “Tem uma possibilidade de eu não ir até o fim e eu tenho um preço para isso, que eu vou negociar. Eu tenho um preço, só que eu só vou falar para vocês amanhã”. A afirmação reforçou percepções de que o gesto não tinha objetivo eleitoral concreto, mas funcionaria como moeda de troca num cenário político ainda incerto.
Nos bastidores, aliados avaliam que a iniciativa do senador busca agradar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante do temor de que o governo norte-americano retire as sanções contra autoridades brasileiras, entre elas Alexandre de Moraes. Para interlocutores, a família Bolsonaro acredita que lançar um nome próprio à Presidência poderia sinalizar força política e preservar interlocução com Washington.
A estratégia, porém, é vista internamente como arriscada. Caso Trump avance em sua aproximação diplomática com o presidente Lula, a tentativa bolsonarista de manter influência junto ao governo norte-americano pode naufragar, representando mais uma derrota após a prisão de Jair Bolsonaro e sua inelegibilidade.
Com o ex-presidente atrás das grades por participação na tentativa de golpe de Estado, a alternativa encontrada seria manter o sobrenome Bolsonaro no jogo eleitoral de 2026, ainda que sem consenso dentro da própria direita. Lideranças de centro-direita já enxergam o caminho aberto para construir uma candidatura própria, distante das turbulências da família.
A menção de Flávio a uma possível contrapartida — que incluiria, segundo o portal, discussão sobre um projeto de anistia a condenados pelo STF pelo envolvimento na trama golpista — ampliou a rejeição ao seu gesto entre parlamentares e analistas políticos. Para muitos, a fala escancarou que a pré-candidatura serviria mais como instrumento de barganha do que como projeto de poder.
*Conteúdo originalmente publicado em Brasil de Fato
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