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Camilo Santana ganha destaque na bolsa de apostas para suceder Lewandowski

Saída do ministro da Justiça acelera articulações no governo Lula, e outros três nomes também aparecem como alternativas para a pasta

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Com a confirmação da saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça na quinta-feira (8), intensificaram-se nos bastidores do governo as articulações e especulações sobre quem será escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar uma das pastas mais sensíveis do Executivo, especialmente em um ano em que a segurança pública tende a dominar o debate eleitoral. As informações foram publicadas pelo Valor Econômico.

Embora o ministro da Educação, Camilo Santana, tenha emergido como o nome mais defendido por uma ala importante do PT, sobretudo por ter acumulado experiência na área durante seu período como governador do Ceará (2015–2022), outras alternativas também passaram a circular no entorno presidencial. Entre elas, estão o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o ex-promotor Wellington César Lima e Silva e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Camilo é apontado como opção forte diante da avaliação de que não haveria tempo hábil para criar ainda neste ano uma Pasta específica de Segurança Pública. Nesse cenário, aliados sustentam que um ex-governador, com histórico de atuação agressiva na área, poderia reunir o perfil mais adequado para enfrentar os desafios da pasta, especialmente diante da pressão crescente em torno dos temas ligados à violência, crime organizado e políticas de segurança.

Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de assumir o Ministério da Justiça, Camilo Santana desconversou e sugeriu que pretende permanecer no comando do Ministério da Educação. “Só estou sabendo pelos jornalistas. Quero continuar ajudando na educação. O cargo [de ministro] é dele [Lula]. Estou lá [no MEC] para cumprir uma missão”, afirmou.

Enquanto Camilo desponta como opção preferencial para uma parcela do PT, o nome de Andrei Rodrigues também aparece entre os mais citados. Diretor-geral da Polícia Federal, ele é visto como um quadro técnico, diretamente ligado à estrutura central de combate ao crime e com interlocução no núcleo do governo.

Outro nome que tem ganhado força é o de Wellington César Lima e Silva, ex-promotor que foi ministro da Justiça da ex-presidente Dilma Rousseff durante um curto período. Ele é próximo da ala baiana do PT, especialmente do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do senador Jaques Wagner, além de manter interlocução com Lula. Wellington comandou a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Casa Civil até maio de 2024, quando foi indicado pelo presidente para ser advogado-geral da Petrobras, cargo que ocupa atualmente.

Já ministros palacianos discutiram nesta semana a possibilidade de indicar Rodrigo Pacheco para o Ministério da Justiça. Barrado na escolha mais recente do presidente para o Supremo Tribunal Federal (STF), Pacheco poderia assumir a pasta, reforçar a articulação política no Senado e, futuramente, voltar a ser considerado para uma vaga no STF em um cenário de eventual quarto mandato de Lula.

Pacheco, Wellington César e Andrei Rodrigues ainda não se manifestaram sobre a possibilidade de assumir o cargo.

Interinidade e perfil desejado

Até que Lula tome uma decisão, a expectativa é de que o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Manoel Carlos de Almeida Neto, responda interinamente pela pasta.

Fontes do governo e do PT afirmam que está em curso uma avaliação sobre o perfil ideal para o cargo. O debate ganhou peso diante do diagnóstico de que a segurança pública será um dos principais temas da campanha eleitoral deste ano.

Uma fonte do governo afirmou que apenas o ex-ministro Flávio Dino, hoje no STF, reuniu plenamente os dois requisitos que Lula teria estabelecido para o comando do Ministério da Justiça: ser um jurista respeitado, com passagem pela magistratura federal, e ter experiência de gestão na área de segurança, como ex-governador.

Agora, diante da dificuldade de encontrar alguém com os dois atributos, aliados indicam que a prioridade deverá recair sobre a trajetória na segurança pública, em função do peso eleitoral do tema e da necessidade de dar respostas rápidas e consistentes diante da pressão social por medidas efetivas.

Nos primeiros dias após o recesso de fim de ano, Lula esteve envolvido nos desdobramentos do ataque dos Estados Unidos à Venezuela e na organização da solenidade relativa ao 8 de janeiro. Ainda assim, segundo aliados, nomes e sugestões foram levados ao presidente, e a escolha deverá se acelerar nos próximos dias.

Originalmente publicado em Brasil247

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