Nesta semana, por iniciativa do Governo do Brasil, foi estabelecido o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, um marco central para aprofundar o combate a esse tipo de crime por meio de ações que envolvam todas as esferas públicas, a sociedade e, principalmente os homens. Por trás desse conjunto de medidas, está um desafio secular: mudar a cultura machista, a violência de gênero e sua naturalização na sociedade.
“Nós precisamos chegar antes, o Estado precisa chegar antes (do feminicídio) e, para isso, toda a participação é muito importante. Tenho falado com as universidades, com as empresas, com os empresários que estão operando a Lei da Igualdade Salarial, para que eles nos ajudem. E a mídia tem um papel estratégico, pedagógico, de informação, de orientação fundamental”, disse a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, em entrevista à Voz do Brasil nesta quinta-feira (5).
Márcia acrescentou que “agora, pela primeira vez, quando a gente fala ‘todos por todas’, isso não é vazio, isso tem um significado de compromisso ético (entre os Três Poderes)”.
Ela salientou que “se nós tivermos uma boa legislação, a liderança dos parlamentares — que têm acesso à mídia e à população e que podem e assumir uma posição de defesa intransigente dos direitos da mulher —; o sistema judiciário como um todo — participando, se engajando, melhorando e ampliando os serviços na ponta —; e o Executivo — com as suas políticas públicas — não há dúvida de que isso vai melhorar muito a vida da população e, em especial, das mulheres”.
Durante o lançamento do pacto, na quarta-feira (4), a primeira-dama, Janja da Silva, que tem feito do combate ao feminicídio uma de suas principais bandeiras, declarou: “Queremos ser respeitadas, queremos ser amadas, queremos ser livres, queremos nos manter vivas. E queremos vocês, homens, nessa luta ao nosso lado. Todos por todas”.
Conforme apontado pelo governo, o pacto tem como objetivos “acelerar o cumprimento das medidas protetivas, fortalecer as redes de enfrentamento à violência em todo o território nacional, ampliar ações educativas e responsabilizar os agressores, combatendo a impunidade”.
Nos últimos anos, o feminicídio avançou rapidamente em todo o país. Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, somente no ano passado, foram 1.470 mil casos (alta de 316% sobre 2024), além de mais de 2,7 mil tentativas registradas até setembro.
Mulheres em luta
Parlamentares que há décadas lutam pelos direitos das mulheres, as deputadas federais do PCdoB aprovaram a iniciativa e reforçaram seu empenho para fazer valer as premissas do pacto.
“Com as assinaturas dos presidentes da República, do Senado, da Câmara e do STF — além da PGR e da Defensoria Pública —, demos um passo importante para transformar lei em prática. Sou autora do texto final da Lei Maria da Penha, uma das mais respeitadas do mundo, e sigo dizendo: não basta existir no papel, é preciso que ela seja cumprida em todos os níveis. A punição está prevista, mas o nosso maior desafio é prevenir, evitar que a violência aconteça”, declarou a líder do partido, Jandira Feghali (RJ).
Alice Portugal (BA) também reforçou a importância de se garantir “a prevenção, a proteção às vítimas, a responsabilização dos agressores e políticas permanentes. Defender a vida das mulheres não é discurso. É prioridade de Estado”.
Para Daiana Santos (RS), a assinatura do pacto “é um marco histórico, que impacta definitivamente na construção de políticas e leis efetivas e que dêem conta dessa situação absurda. Chegou a hora de o Estado brasileiro, como um todo, se responsabilizar por este que é um dos piores cenários já vividos pelas mulheres brasileiras”.
A deputada Enfermeira Rejane (RJ), também endossou a iniciativa e salientou: “Chega das mulheres morrerem por serem mulheres. Esse é um pacto muito significativo em nosso país. Esperamos que todos os homens entrem nessa luta — que, afinal, não pode ser somente das mulheres”.
Na avaliação da deputada Professora Marcivânia (AP), “a união dos Três Poderes reafirma que proteger a vida de mulheres e meninas é uma responsabilidade coletiva e inadiável. Precisamos fortalecer políticas públicas, ampliar a proteção e, sobretudo, envolver os homens nessa luta, porque o enfrentamento à violência também perpassa a mudança de mentalidades e atitudes”.
Com informações do Brasil247
Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.
-
Vazamento dos dados de Fábio Luís desmonta narrativa bolsonarista, diz Paulo Pimenta

O vazamento ilegal do sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva acabou desmontando acusações apresentadas por parlamentares da oposição na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A avaliação é do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), que afirma que as informações divulgadas não apontam qualquer…
-
Em mensagens, Vorcaro fala sobre jantar com Hugo Motta e celebra emenda do ‘grande amigo’ Ciro Nogueira

O ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (4), afirmou que jantou com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em mensagens com a namorada Martha Graeff, em 26 de fevereiro de 2025. “Tô aqui em Brasília trabalhando, amor”, afirmou o ex-banqueiro. “Tô num jantar na residência oficial com Hugo e…
-
Desabamento de asilo deixa 1 morto e 13 idosos soterrados em Belo Horizonte

O desabamento de um lar de idosos na madrugada desta quinta-feira (5) deixou ao menos uma pessoa morta e várias vítimas soterradas em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. As equipes de resgate continuam trabalhando no local para retirar sobreviventes dos escombros. As informações são do g1. O imóvel, localizado no bairro Jardim Vitória, na Região…


