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Irã anuncia Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, como líder supremo do país

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em entrevista ao Axios que considera a escolha 'inaceitável'

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O Irã anunciou a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país, neste domingo (8). Ele assume o cargo após a morte de seu pai, Ali Khamenei, que governava desde 1989 e morreu em 28 de fevereiro durante os ataques de Estados Unidos e Israel.

Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em entrevista ao Axios que considera “inaceitável” a escolha de Mojtaba Khamenei como líder supremo do Irã e afirmou que deveria participar da decisão.

“Eles estão perdendo tempo. O filho de Khamenei é um peso morto. Eu preciso estar envolvido na nomeação”, disse. Em entrevista à ABC News, Trump afirmou ainda que o novo líder “não vai durar muito” sem aprovação estadunidense.

Autoridades de Israel também indicaram que o novo líder se tornou alvo potencial. Segundo o ministro da Defesa israelense, o próximo líder supremo seria considerado um alvo para eliminação.

A decisão foi tomada pela Assembleia de Peritos, órgão composto por 88 clérigos responsáveis por escolher o líder supremo da República Islâmica do Irã. Desde a criação do sistema político do país em 1979, o conselho havia sido convocado apenas uma vez para definir um novo líder.

“Com a maioria dos votos, foi escolhida a pessoa que dará continuidade ao legado do Imam Khomeini e do mártir Imam Khamenei. O nome de Khamenei permanecerá. A votação já foi realizada e o resultado será anunciado em breve”, disse Hosseinali Eshkevari, membro da Assembleia de Peritos do Irã, em um vídeo divulgado pela mídia iraniana.

Mojtaba Khamenei tem 56 anos e mantinha atuação discreta antes de ser escolhido como líder supremo do Irã. Ele nunca ocupou cargos no governo nem fez discursos ou entrevistas públicas.

Apesar da discrição, relatos antigos indicam que ele exercia influência nos bastidores do regime. Documentos diplomáticos dos Estados Unidos divulgados pelo WikiLeaks o descrevem como uma figura influente junto ao pai e como um “líder capaz e enérgico”, segundo a Associated Press (AP). Ele também mantém vínculos com a Guarda Revolucionária Islâmica e com a força paramilitar voluntária Basij, que teriam apoiado sua nomeação.

Nascido em 1969 em Mashhad, Mojtaba é o segundo de seis filhos. Ele estudou na escola religiosa Alavi, em Teerã, serviu por períodos no exército durante a guerra Irã Iraque e iniciou estudos religiosos em 1999 em Qom.

Nos últimos dias, meios de comunicação no país passaram a chamá-lo de aiatolá, movimento visto por analistas como tentativa de elevar seu status religioso, mesmo ele ainda sendo considerado um clérigo de nível intermediário. Situação semelhante ocorreu com Ali Khamenei quando assumiu a liderança suprema em 1989.

Analistas afirmam que Mojtaba deve manter a linha política adotada por seu pai à frente do Irã. Há também a avaliação de que a morte de familiares nos ataques dos Estados Unidos e Israel pode reduzir a disposição do novo líder a ceder a pressões externas.

Ao mesmo tempo, Mojtaba enfrenta o desafio de garantir a continuidade da República Islâmica do Irã e convencer a população de que pode conduzir o país em meio a crise política e econômica. 

Agressões contra o Irã

Os ataques conjuntos, não provocados e considerados ilegais pelas leis internacionais, dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciados no dia 28 de fevereiro, ocorreram em meio a negociações sobre o programa nuclear iraniano. 

Apesar da disposição anunciada pelo país persa em cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica e se comprometer a usar seu programa nuclear exclusivamente para fins pacíficos, Israel e EUA – ambas potências nucleares – acusam Teerã de secretamente buscar a construção de armas atômicas.

Tel Aviv também acusa o Irã de ser “ameaça existencial” ao país, mas a acusação é rebatida por analistas que argumentam que o governo iraniano se encontra hoje muito enfraquecido pelos ataques de junho de 2025, pelas sanções impostas pelos EUA, protestos internos e o fim do corredor até o Líbano, após a queda de Bashar al-Assad na Síria.

A derrubada do governo em Teerã é objetivo cultivado por Washington e Tel Aviv desde a instalação da República Islâmica, em 1979, que substituiu o regime vassalo do Ocidente e instituiu o governo teocrático nacionalista. Nos primeiros dias de ataques, bombardeios mataram lideranças iranianas, incluindo o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que governava o país desde 1989.

Terceiro maior produtor de petróleo do mundo, o Irã fechou, após o início das agressões, o Estreito de Ormuz, por onde é escoada a produção de vários países do Golfo. Por lá passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente, o que gera temores de uma crise inflacionária internacional. Outro temor, apontado por analistas, é que o conflito se expanda para outros países da região, com consequências imprevisíveis.

*Com informações do Brasil de Fato

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Fonte:BdF
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