Os novos desdobramentos envolvendo o Banco Master ampliaram a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) e colocaram a Corte no centro de uma crise institucional que, segundo integrantes do próprio tribunal, tem potencial de afetar sua credibilidade. Segundo o jornal Valor Econômico, nos bastidores, ministros avaliam que o episódio atingiu diretamente a imagem de colegas e agravou um ambiente interno já considerado tenso.
Magistrados afirmam que a situação ganhou contornos mais delicados após a divulgação de informações que mencionam o ministro Alexandre de Moraes. Para parte dos integrantes do STF, o episódio pode ter repercussão maior do que as críticas recentes envolvendo o ministro Dias Toffoli, ao mesmo tempo em que fortalece a posição de André Mendonça, atual relator das investigações sobre o Banco Master.
Investigação do Banco Master amplia protagonismo de Mendonça
André Mendonça assumiu a condução das apurações após críticas dirigidas ao antigo relator do caso. Dias Toffoli havia sido questionado por restringir o acesso da Polícia Federal a determinadas provas. Ao assumir o processo, Mendonça restabeleceu o que chamou de “fluxo ordinário” das investigações e devolveu aos investigadores dados obtidos na operação Compliance Zero.
A atuação do ministro ampliou seu protagonismo dentro do tribunal. Além do caso Master, Mendonça também relata o inquérito que apura desvios associativos envolvendo aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Outro fator que aumenta sua visibilidade é a previsão de que ele ocupe a vice-presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições deste ano.
Apesar disso, há divergências internas. Uma ala do STF questiona o suposto fortalecimento político do ministro. Para esses magistrados, Mendonça não teria o mesmo peso institucional ou habilidade política que outros integrantes da Corte.
Tensão entre STF e Procuradoria-Geral da República
O caso também provocou atritos com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Na sexta-feira (6), o procurador-geral Paulo Gonet respondeu a críticas de Mendonça após solicitar mais prazo para se manifestar sobre pedidos de prisão relacionados à operação Compliance Zero.
Na manifestação, Gonet defendeu a importância do posicionamento do Ministério Público e citou o caso de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que havia tentado suicídio durante as investigações e morreu posteriormente.
“O impacto de certas providências cautelares de ordem penal sobre valores fundamentais pode ser exemplificado no evento fúnebre ocorrido durante a operação realizada”, afirmou Gonet.
Mensagens atribuídas a Vorcaro ampliam crise
A crise ganhou novo impulso após reportagem da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, apontar que uma das últimas mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro antes de sua primeira prisão, em novembro, teria sido direcionada ao ministro Alexandre de Moraes.
Segundo integrantes do STF ouvidos sob reserva, a revelação é considerada mais grave do que o episódio envolvendo Dias Toffoli e familiares que tiveram negócios com Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Em nota divulgada pelo Supremo na sexta-feira (6), Moraes negou ter recebido mensagens do banqueiro no dia da prisão. Posteriormente, reportagem de O Globo informou que as mensagens teriam sido identificadas por meio de análise técnica da Polícia Federal no celular de Vorcaro, que permitiu visualizar simultaneamente a tela do WhatsApp e imagens de visualização única.
A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, também negou no fim de semana qualquer recebimento de mensagens.
Ministros relatam “clima péssimo” na Corte
Nos bastidores do tribunal, magistrados afirmam que a situação representa um novo tipo de crise para o Supremo. Diferentemente de momentos anteriores, quando críticas estavam relacionadas a decisões judiciais polêmicas, agora as suspeitas recaem sobre condutas individuais de ministros.
Um integrante da Corte comparou o cenário atual a investigações que normalmente atingem parlamentares, destacando que o STF vinha sendo considerado o poder mais estável do país nos últimos anos.
Outro ministro afirmou que episódios envolvendo possíveis relações indevidas “soam muito mal” e exigem cautela. Já um terceiro magistrado descreveu o ambiente institucional como extremamente deteriorado. Segundo ele, o país estaria “totalmente caótico” e o Supremo, antes visto como pilar de estabilidade, agora também enfrenta dificuldades.
Na avaliação desse magistrado, o “clima péssimo” dentro da Corte pode influenciar inclusive o ambiente político das eleições deste ano, que ele considera propensas a se tornarem “violentas e radicalizadas”.
*Com informações do Brasil 247
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