Dados da CNI indicam que setor segue como base da recuperação econômica; faturamento, produção e contratações mostram resiliência do segmento

A indústria segue sendo uma das grandes forças da economia brasileira
O ano de 2025 começa com bons sinais vindos da indústria brasileira. De acordo com os Indicadores Industriais divulgados nesta segunda-feira (7) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor mostrou fôlego: o faturamento real cresceu 1,6% em fevereiro, já descontada a inflação, em relação a janeiro. Foi a segunda alta seguida, o que indica um início de ciclo positivo — com um avanço que superou até as expectativas dos analistas da entidade. De dezembro de 2024 até o fim de fevereiro, o crescimento acumulado já chega a 5,5%.
A boa notícia não se resume às vendas. As horas trabalhadas na produção aumentaram 2% entre janeiro e fevereiro, também pelo segundo mês consecutivo. No acumulado do ano, o indicador já cresceu 3,3%. E, em relação ao primeiro bimestre de 2024, houve um salto de 4,5%.
“O resultado é bastante positivo, sobretudo porque 2024 foi um bom ano para a indústria, em que a demanda por bens industriais cresceu significativamente, o que puxou a atividade do setor. Como em 2025 há expectativa de menor demanda e desaceleração da atividade industrial, a alta do faturamento e do número de horas trabalhadas até aqui são mais fortes do que esperávamos”, avalia Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
Outro dado que anima o setor é o crescimento do emprego. Em fevereiro, o número de trabalhadores da indústria subiu 0,4% em relação a janeiro. Também é o segundo aumento consecutivo, somando 0,8% de alta no primeiro bimestre. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o avanço é de 2,8%.
Massa salarial e capacidade instalada
Apesar dos bons resultados em produção e emprego, o levantamento revela uma retração no poder de compra do trabalhador industrial. A massa salarial real caiu 0,6% em fevereiro frente a janeiro, um recuo de 1,4% no bimestre, em relação ao mesmo período de 2024. Já o rendimento médio oscilou -1% em fevereiro, com perda de 4,1% no acumulado do ano.
Os números mostram que, por enquanto, o crescimento do setor não está se refletindo no bolso dos trabalhadores. Ainda assim, o aumento nas contratações e no ritmo de produção pode abrir caminho para uma recuperação dos salários nos próximos meses.
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) se manteve em 78,9% em fevereiro, mesmo nível de janeiro. Em relação ao ano passado, houve uma leve queda de 0,6 ponto percentual. Mas essa estabilidade, em um cenário de retomada gradual, é vista de forma positiva, sinal de que a produção e a demanda seguem em equilíbrio.
Confiança no horizonte
Os números divulgados pela CNI mostram que, mesmo em um cenário de incertezas, a indústria tem se mostrado resistente. A demanda interna continua sendo um motor importante e os primeiros meses do ano indicam que o setor mantém seu papel como um dos pilares da recuperação econômica.
A expectativa é que, mantido esse ritmo, os resultados positivos se espalhem por mais segmentos da cadeia produtiva e criem um ambiente mais favorável à retomada dos salários. Para além das oscilações mensais, o conjunto dos dados reforça que a indústria segue viva, com motores ligados e prontos para responder aos desafios do país.
Com informações do PT Org
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