Mauro Cavalo , presidente da CPMI do INSS, permaneceu calado na manhã desta quinta-feira (9/10). Ele foi beneficado por habeas corpus
Após a manhã desta quinta-feira (9/10) marcada pelo silêncio do depoente na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), os parlamentares retomaram os trabalhos por volta das 14h. O presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), Milton Baptista de Souza Filho, o Milton Cavalo (foto em destaque), segue calado, conforme orientação do advogado dele, Bruno Garcia Borragine.
O defensor explicou que o cliente estava preparado para falar na CPMI, mas, como houve o cumprimento de mandados por parte da Polícia Federal, na casa dele, com arrombamento, ele não responderá nenhum questionamento relacionado ao colegiado — o Sindnapi é investigado na Operação Sem Desconto, que teve nova fase hoje.
Além disso, pouco antes do início da CPMI, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu um habeas corpus ao depoente. Dessa forma, Milton já não era obrigado a falar no colegiado, conforme decisão do ministro Flávio Dino.
O habeas corpus concedido a Mauro irritou o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG). “No meu entendimento como parlamentar, nós estamos diante de um grande movimento de blindagem de pessoas próximas ao governo e que estão usando da legislação para poder não dar explicações aos brasileiros”, afirmou Viana.
A sessão começou com os parlamentares aprovando requerimentos e quebras de sigilos bancário e fiscal de pessoas ligadas ao Sindnapi e ao presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Acompanhe aqui:
Ligado à Força Sindical, o Sindnapi tem como vice-presidente o sindicalista José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Tácio Lorran, o sindicato movimentou R$ 6,5 milhões em espécie nos últimos seis anos. O valor considera depósitos e saques feitos a partir de uma conta bancária do sindicato entre janeiro de 2019 e junho de 2025.
As informações constam em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à CPMI do INSS e obtido pela coluna. No total, o Sindnapi girou R$ 1,2 bilhão no período analisado.
A Farra do INSS
- O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
- As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela PF e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela corporação na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23 de abril e que culminou nas demissões do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi.
Antes da oitiva, o colegiado votará 78 requerimentos. Entre eles um segundo depoimento do advogado Eli Cohen, autor das primeiras denúncias de fraude dos institutos. Deputados justificam o convite por causa do vazamento de um áudio em que Cohen teria mentido durante fala à CPMI.
Há também requerimentos referente a quebra dos sigilos bancário e fiscal da esposa de Milton, Dauliesi Giacomasi Souza, no período de janeiro de 2019 a 3 de outubro de 2025.
Com informações do Metrópoles
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