Dados apresentados na última semana indicam diferenças entre o Distrito Federal urbano e sua área rural em relação ao nível de escolaridade, especialmente no que diz respeito ao acesso ao ensino superior. A Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílio (PDAD-A Rural 2024), do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), mostra que apenas uma em cada seis pessoas que vivem no campo possui ensino superior completo.
Entre os moradores com 25 anos ou mais, 66,3% tem o ensino médio completo, enquanto somente 16,5% concluíram uma graduação. O percentual de escolaridade aparece ao lado de outros indicadores da pesquisa sobre estrutura econômica, perfil ocupacional e condições de vida em 49.549 domicílios rurais no DF que abrigam 121.759 pessoas, segundo o levantamento.
A pesquisa mostra que a população rural é relativamente jovem, com média de 32,6 anos, majoritariamente parda (57%) e com forte presença de migrantes do Nordeste, representando 60,8% dos não nascidos no DF e que vieram principalmente da Bahia e do Maranhão.
Esse histórico migratório ajuda a explicar parte das assimetrias educacionais, já que muitos trabalhadores chegaram ao DF para ocupar postos ligados à agricultura, serviços e trabalhos informais, setores que tradicionalmente exigem menos escolaridade formal e oferecem menor estabilidade e renda.
Trabalho e renda
No mercado de trabalho, 91,2% das pessoas do campo no DF com 14 anos ou mais estão ocupadas, com diferentes formas de inserção profissional registradas pela pesquisa. Mais da metade (53,4%) é empregada no setor privado, 43,7% trabalham na própria área rural e 26,7% atuam por conta própria.
Embora 69,2% dos assalariados tenham carteira assinada e 63,2% contribuam para o INSS, a renda média do trabalho principal é de R$ 2.654,7.
A escolaridade limitada também se reflete nas condições de moradia e renda. A PDAD-A aponta uma média de 2,46 moradores por residência. Quase 80% desses lares vivem com até dois salários mínimos mensais. Apenas 29,9% das casas próprias possuem escritura definitiva registrada em cartório, o que revela insegurança fundiária e fragilidades estruturais que dificultam acesso a crédito e investimentos.
Conectividade
Em relação ao acesso à tecnologia, 84,2% dos moradores afirmam ter acesso à internet em algum aparelho e 77% possuem celular. Contudo, apenas 35,1% dos domicílios assinam serviços on-line e só 18% têm TV por assinatura.
O levantamento também destaca que a atualização e a sistematização das informações estatísticas sobre a área rural ampliam o conjunto de referências disponíveis para a formulação e execução de ações governamentais direcionadas aos moradores desse espaço.
Especialistas ouvidos pelo IPEDF ressaltam que elevar o nível educacional no campo passa por políticas combinadas: expansão do ensino técnico e superior descentralizado, transporte escolar adequado, conectividade de qualidade e programas de permanência estudantil para jovens rurais. Sem isso, o ciclo de baixa escolaridade, renda limitada e vulnerabilidade tende a se reproduzir.
Confira o relatório da íntegra neste link.
*Com informações do Brasil de Fato
Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.
- Vazamento dos dados de Fábio Luís desmonta narrativa bolsonarista, diz Paulo Pimenta
- Em mensagens, Vorcaro fala sobre jantar com Hugo Motta e celebra emenda do ‘grande amigo’ Ciro Nogueira
- Desabamento de asilo deixa 1 morto e 13 idosos soterrados em Belo Horizonte
- Governo lança agenda nacional com ações e políticas para mulheres
- PT oficializa pré-candidaturas de Leandro Grass ao GDF e Érika Kokay para vaga no Senado