Início Política Governo Lula libera valor recorde em emendas no início de 2026
Política

Governo Lula libera valor recorde em emendas no início de 2026

Pagamentos somam R$ 1,5 bilhão até fevereiro, maior volume da série histórica, em meio ao esforço do Planalto para recompor relação com o Congresso

Compartilhar
Compartilhar

O governo Lula (PT) liberou R$ 1,5 bilhão em emendas parlamentares até a primeira semana de fevereiro de 2026, o maior volume já registrado para o período desde o início da série histórica, em 2016. O pagamento recorde ocorre em um ano eleitoral e está alinhado à estratégia do Palácio do Planalto de acelerar a execução dos recursos indicados por deputados e senadores, buscando reduzir tensões com o Legislativo, segundo a Folha de São Paulo.

O montante pago mais do que dobra o valor desembolsado no mesmo intervalo do ano anterior, quando foram quitados R$ 634,53 milhões, considerando valores corrigidos pela inflação. Até então, o maior patamar havia sido registrado em 2021, com cerca de R$ 770 milhões liberados. O levantamento foi feito a partir de dados do painel Siga Brasil, da Consultoria de Orçamentos do Senado, e considera os pagamentos realizados entre 1º de janeiro e 6 de fevereiro.

Todos os recursos quitados neste início de ano correspondem a emendas apresentadas em exercícios anteriores e inscritas como restos a pagar. Segundo integrantes do Executivo, a liberação em ritmo acelerado reflete um esforço político para melhorar a relação com o Congresso Nacional, após críticas feitas no ano passado por parlamentares da própria base governista, que apontavam baixa execução das emendas.

A situação começou a mudar quando o governo se comprometeu a executar as emendas de 2025 até o fim daquele ano. Cerca de 97% do valor foi empenhado, o que contribuiu para antecipar, em 2026, o pagamento das indicações feitas no exercício anterior. Além do calendário político, fatores técnicos também influenciam o ritmo de liberação, como o cronograma de execução de obras, que condiciona os repasses à evolução física dos projetos.

Outro elemento que impactou o fluxo das emendas nos últimos anos foi a judicialização de diversos repasses no Supremo Tribunal Federal (STF). Parte das liberações só foi autorizada após a apresentação de informações mais detalhadas, com maior transparência e planos de trabalho específicos. Para 2026, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) estabelece que o governo federal deve pagar 65% das emendas individuais e de bancadas estaduais até o fim de junho, em razão das eleições marcadas para outubro.

O dispositivo foi incluído no Orçamento como forma de garantir recursos às bases eleitorais dos parlamentares antes do pleito. No caso de emendas destinadas a obras cuja liberação tenha ocorrido antes do período eleitoral, o Executivo pode continuar efetuando os pagamentos mesmo após esse prazo, uma vez iniciado o processo. Embora a medida tenha sido incorporada a contragosto do governo, o Planalto optou por mantê-la para evitar uma nova crise com o Congresso.

Desde 2015, o Legislativo vem ampliando seu controle sobre o Orçamento, inclusive por meio de mudanças constitucionais que tornaram impositivas as emendas individuais e de bancadas estaduais, ou seja, de pagamento obrigatório. Esse movimento se intensificou a partir de 2020, quando o volume de emendas empenhadas saltou de R$ 18,3 bilhões para R$ 48,6 bilhões, em valores corrigidos pela inflação, impulsionado pelas chamadas emendas do relator, declaradas inconstitucionais pelo STF em 2022.

O crescimento das emendas também elevou o estoque de restos a pagar. No Orçamento de 2026, mais de R$ 35,4 bilhões estão nessa condição, aguardando quitação em exercícios futuros. Nos últimos anos, a execução no início do ano foi dificultada pelo atraso na aprovação do Orçamento pelo Congresso. Em 2026, no entanto, a lei orçamentária foi aprovada ainda em dezembro, diferentemente do ano anterior, quando a votação só ocorreu no fim de março.

Em janeiro, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), afirmou que o governo cumpriria a determinação de acelerar o pagamento das emendas antes do período eleitoral. “Nós concordamos em ter esse dispositivo de pagamento das emendas impositivas que sejam de transferência fundo a fundo até junho”, declarou.

Apesar do volume recorde já liberado, o Planalto ainda não iniciou o pagamento das emendas previstas para 2026. Até o início de fevereiro, o foco foi a quitação de transferências represadas de anos anteriores. Do total pago, cerca de R$ 1 bilhão refere-se a emendas de 2025, R$ 180 milhões a indicações de 2024 e R$ 103 milhões a recursos apontados em 2023.

As emendas consumiram aproximadamente 22% do orçamento discricionário de 2025, que corresponde aos recursos não obrigatórios, passíveis de uso em investimentos e custeio de políticas públicas. Em alguns ministérios, o peso é ainda maior. No Turismo, quase 80% da verba discricionária foi executada por meio de emendas. Para 2026, as emendas devem representar mais de um terço do orçamento discricionário de cinco ministérios, chegando a 68,7% no caso da pasta do Turismo.

Com informações do Brasil247

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

  • Vazamento dos dados de Fábio Luís desmonta narrativa bolsonarista, diz Paulo Pimenta

    Vazamento dos dados de Fábio Luís desmonta narrativa bolsonarista, diz Paulo Pimenta

    O vazamento ilegal do sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva acabou desmontando acusações apresentadas por parlamentares da oposição na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A avaliação é do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), que afirma que as informações divulgadas não apontam qualquer…


  • Em mensagens, Vorcaro fala sobre jantar com Hugo Motta e celebra emenda do ‘grande amigo’ Ciro Nogueira

    Em mensagens, Vorcaro fala sobre jantar com Hugo Motta e celebra emenda do ‘grande amigo’ Ciro Nogueira

    O ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (4), afirmou que jantou com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em mensagens com a namorada Martha Graeff, em 26 de fevereiro de 2025. “Tô aqui em Brasília trabalhando, amor”, afirmou o ex-banqueiro. “Tô num jantar na residência oficial com Hugo e…


  • Desabamento de asilo deixa 1 morto e 13 idosos soterrados em Belo Horizonte

    Desabamento de asilo deixa 1 morto e 13 idosos soterrados em Belo Horizonte

    O desabamento de um lar de idosos na madrugada desta quinta-feira (5) deixou ao menos uma pessoa morta e várias vítimas soterradas em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. As equipes de resgate continuam trabalhando no local para retirar sobreviventes dos escombros. As informações são do g1. O imóvel, localizado no bairro Jardim Vitória, na Região…


Compartilhar
Artigos Relacionados

PT oficializa pré-candidaturas de Leandro Grass ao GDF e Érika Kokay para vaga no Senado

O Diretório Regional do Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou uma resolução que...

Câmara dos Deputados aprova texto-base da PEC da Segurança Pública

Por 487 votos a 15, a Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira...

PF: Vorcaro mandou simular assalto e “quebrar dentes” de jornalista

Dono do Banco Master tinha grupo de monitoramento e intimidação de adversários....

CPMI do INSS: Dino suspende quebra de sigilo de empresária ligada a Lulinha

Ministro do STF vê possível irregularidade na aprovação conjunta de 87 requerimentos...