Em visita ao Instituto Butantan, em São Paulo, nesta segunda-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a destinação de R$ 1,4 bilhão em recursos do Novo PAC Saúde e o início da vacinação contra a dengue com imunizante 100% brasileiro, produzido pela instituição. “Vivemos um momento em que o Brasil está provando que ele tem tudo para dar certo”, declarou.
Os recursos servirão para o Butantan construir duas novas fábricas e modernizar outras duas. O objetivo, de acordo com o governo, é garantir autonomia nacional na fabricação de soros e imunizantes avançados, como os de RNA mensageiro (RNAm), “colocando o Brasil em nível de excelência no desenvolvimento de inovação biotecnológica”. Os imunizantes feitos com base no RNAm funcionam dando instruções ao sistema imunológico para combater agentes infecciosos de forma eficaz e segura.
No que diz respeito à vacina contra a dengue, a Butantan DV, foi anunciado o início da aplicação em profissionais de saúde da atenção primária em todo o Brasil. A vacina, totalmente nacional, foi desenvolvida pelo instituto e é a única no mundo aplicada em apenas uma dose.
A previsão é aplicá-la em 1,2 milhão de trabalhadores que atuam na linha de frente do SUS. As primeiras 650 mil doses já foram enviadas aos estados e o restante está previsto para as próximas semanas.
A expectativa é que a partir do segundo semestre, o imunizante seja disponibilizado para o público em geral, na faixa etária dos 15 aos 59 anos, começando pelos mais velhos.
Ao mesmo tempo, a partir de uma parceria estratégica entre Brasil e China, com a transferência da tecnologia para a WuXi Vaccines, o governo espera aumentar a produção em 30 vezes.
Até o momento, foram adquiridas 3,9 milhões de doses da vacina contra a dengue, com investimento federal de R$ 368 milhões. Os quantitativos estão sendo entregues assim que produzidos pelo Butantan.
Confiança no Brasil

Em sua fala, Lula usou o exemplo das pesquisas avançadas do Butantan para mostrar o potencial do país. “Quando a gente vê um instituto com a marca do Butantan celebrar a primeira vacina em dose única contra a dengue do mundo, uma coisa nossa, criada por nós, pesquisada por nós — e que, quem sabe, a gente possa produzir para servir a países mais pobres do que nós, sobretudo na América Latina e na África — por que não acreditar em nós?”, questionou.
Fortalecer o Butantan, salientou o presidente, “não é uma decisão econômica para favorecer esse ou aquele estado; ajudar o Butantan é apenas ter a primazia de dizer que a gente está ajudando 215 milhões de almas que vivem neste país e que precisam que o Estado brasileiro invista. Não importa quem seja o governador ou o prefeito, isso, para mim, é o que menos importa”.
Lula também criticou o complexo de inferioridade de parte da elite e da sociedade brasileira, que coloca o país numa posição rebaixada frente a outras nações. “Por que a gente ainda vive com complexo de vira-latas que a elite viveu durante todo o período de colonização? Por que a gente não pensa grande, em como somos grandes?”.
O presidente também criticou aqueles que defendem o segmento privado em detrimento do público. “Existe certo setor da sociedade que fica fazendo apologia do setor privado e tentando destruir o setor público (…). Quem investe em pesquisa e inovação neste país se não o setor público?”, indagou.
Ele prosseguiu dizendo que “o Brasil é o único país do mundo que não tem capitalismo de risco. Porque qualquer empresário, por mais rico que ele seja, não coloca dinheiro do lucro dele no investimento dele. O capitalismo de risco é com o dinheiro do Estado brasileiro”.
A “sorte” de Lula
Lula ainda ironizou a desculpa que seus adversários dão cada vez que o Brasil avança sob seu governo. “Não sei se vocês perceberam: nós só voltamos a crescer acima de 3% depois que voltei à presidência, porque de 2011 a 2022, a gente não crescia mais que 1%, 1,5%. Isso é sorte. É sorte de saber montar uma equipe, isso é sorte de saber tomar decisão”, afirmou.
Também lembrou o erro das previsões negativas feitas tão logo Lula ganhou as eleições. “O dólar ia estourar, a inflação ficaria fora de controle, íamos ter um déficit fiscal incontrolável, ou seja, o Brasil não ia dar certo. O que aconteceu no final do terceiro ano de mandato? Temos a menor inflação acumulada em quatro anos da história do país; a maior população economicamente ativa da história do país; o menor desemprego da história do país; a maior massa salarial da história do país; o maior Enem e o maior Sisu da história do país; o maior fluxo de exportação comercial da história do país (…). O SUS chegou a 14 milhões de cirurgias seletivas, recorde dos recordes. Ou seja, onde é que está a razão para alguém desacreditar neste país?”.
Sobre a cotação da moeda estadunidense, acrescentou: “E o dólar, que ia para R$ 7?. Está R$ 5,22. O dólar fica oscilando porque depende do humor do Trump, não depende de nós, não depende da seriedade da nossa economia”.
Mais tarde, Lula voltou a mencionar o presidente dos EUA. Em tom de brincadeira, disse: “Se o Trump conhecesse o que é a cosanguinidade de Lampião num presidente, ele não ficaria provocando a gente”.
Ele prosseguiu dizendo não querer se indispor com Trump e voltou a defender o multilateralismo. “A briga do Brasil é a da construção da narrativa: queremos mostrar que o mundo não pode prescindir do multilateralismo. Precisamos provar, no debate político, que foi o multilateralismo, depois da Segunda Guerra Mundial, que criou harmonia entre os Estados e permitiu que a gente vivesse em paz até agora pelo menos em parte do mundo”.
Lula também aproveitou a oportunidade para reafirmar o papel do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, lançado na última semana. “A gente deve assumir que essa é uma tarefa nossa (dos homens)”disse, acrescentando ser necessário, inclusive, “mudar a educação dos nossos filhos. Porque se a gente quiser criar uma nova sociedade, vamos ter que investir na educação desde a creche até à universidade”.
Marco histórico na saúde pública
Ao falar sobre os investimentos no Butantan e a conquista da vacina 100% brasileira, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou: “hoje, estamos presenciando um marco histórico que vai colocar o Butantan entre os maiores complexos industriais de inovação e tecnologia do mundo”.
O que distingue o Butantan de outras instituições de pesquisa em outros países, acrescentou, é o fato de que “este é 100% SUS. Cada vacina, medicamento, tecnologia e inovação que sai daqui vai para tratar as pessoas em todo o Brasil — e cada vez mais no mundo —, com um único interesse: salvar vidas e não apenas obter lucros a partir daquilo que produz”.
Os recursos anunciados compõem o plano de impulsionamento do chamado Complexo Econômico-Industrial da Saúde. Desde 2023 até o momento, o governo do Brasil aportou R$ 15 bilhões nessa frente, com o fechamento de 31 novas parcerias envolvendo empresas públicas e privadas para o desenvolvimento de vacinas, medicamentos e insumos estratégicos.
Com informações do Vermelho
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