Setor de transformação alcança 25ª colocação mundial, melhor marca desde 2019; entre 2023 e 2024, BNDES aprovou R$ 196 bilhões em créditos para o segmento

Salto de 20 posições reflete recuperação e fortalecimento do setor
A indústria brasileira de transformação subiu 20 posições no ranking global que reúne 80 países, alcançando a 25ª colocação em 2024. Este é o melhor desempenho desde 2019, quando o país ocupava a 45ª posição. Os dados são do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), com base em informações da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido).
O avanço reflete a retomada concreta da indústria brasileira no último ano. Em 2024, o setor teve crescimento de 3,2%, superando a média mundial, de 2,3%. O resultado confirma a tendência de recuperação e fortalece a posição do país no cenário industrial global.
“Podemos avançar ainda mais”
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, atribuiu esse progresso às políticas de neoindustrialização implementadas pelo governo federal. “Em dois anos, no BNDES, já aprovamos mais de R$ 196 bilhões em 145,5 mil operações em crédito na NIB [Nova Indústria Brasil], mais de 70% do total previsto para o programa até o fim do governo”, ressaltou, em nota.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também celebrou o avanço, ressaltando que “a recuperação da indústria nesses dois anos mostra que podemos e devemos avançar ainda mais”.
Aprovações recordes do BNDES
Segundo Mercadante, em 2024 as aprovações de crédito para a indústria superaram as destinadas ao agronegócio, fato que não ocorria desde 2017, indicando uma melhoria na qualidade do crédito disponibilizado pelo banco.
Outro destaque foi o volume recorde aprovado para micro, pequenas e médias empresas, incluindo aquelas do setor industrial. Ainda houve resultados expressivos em segmentos específicos: a indústria de fármacos teve aprovações recordes; o setor automotivo registrou o maior valor desde 2017; as exportações alcançaram o maior volume desde 2014; e os biocombustíveis obtiveram o segundo maior montante da história do BNDES.
Desafios à frente
Contudo, apesar dos resultados positivos, especialistas alertam para desafios. O diretor-executivo do Iedi, Rafael Cagnin, aponta que a desaceleração da indústria no final de 2024, somada às taxas de juros elevadas e às incertezas no cenário internacional, especialmente relacionadas às políticas comerciais do governo americano, podem impactar negativamente o desempenho do setor em 2025. “A questão Trump agrava muito o cenário externo porque vêm ganhando força as expectativas de desaceleração do comércio internacional”, destacou.
A Embraer, uma das principais fabricantes de aeronaves do país, já sente os efeitos das novas tarifas impostas pelos EUA. A empresa afirmou que tais medidas “adicionarão complexidade e custos” para seus negócios e clientes nos Estados Unidos.
Diante desse contexto, torna-se ainda mais relevante a continuidade de políticas públicas que promovam inovação e competitividade. Elas são fundamentais para que a indústria enfrente as turbulências do cenário global e mantenha sua trajetória de crescimento.
Com informações do PT Org
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