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Piscina com ondas deve ser reinaugurada no segundo semestre de 2026

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Fechada desde 1997, a Piscina com Ondas do Parque da Cidade será reaberta em 2026 após reforma de R$ 18 milhões, com complexo aquático, lazer público e resgate da memória brasiliense

Marcada pela nostalgia e pela refrescância nos dias de calor, a Piscina com Ondas do Parque da Cidade foi, por décadas, mais do que um espaço de lazer: tornou-se ponto de encontro de gerações de brasilienses. Agora, após quase três décadas fechada, a previsão é que as obras de reforma sejam concluídas, e o espaço, reinaugurado no segundo semestre de 2026. Com investimento superior a R$18 milhões, o projeto prevê a transformação da área em um complexo aquático público, com rio lento, piscina infantil e áreas de convivência.

Inaugurada em 1978, no estacionamento 7 do Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek, a Piscina com Ondas chegou a receber uma média de 10 mil visitantes nos fins de semana no auge do seu funcionamento. Fechado em 1997 por problemas de gestão, o espaço agora busca recuperar a memória afetiva de gerações de brasilienses e retomar seu papel como equipamento público de lazer.

Com a reabertura, o acesso ao complexo aquático será organizado pela Secretaria de Esporte e Lazer do Distrito Federal. “Seguiremos critérios de segurança, controle de capacidade e funcionamento adequado das ondas. Os horários, prioridades e modalidades de uso — como lazer, atividades orientadas e ações educativas — serão definidos em portaria específica e divulgados ao público com antecedência. A determinação central é garantir um acesso amplo, seguro e inclusivo”, afirmou o secretário da pasta, Renato Junqueira.

Segundo o secretário, a obra representa o resgate de um patrimônio afetivo da capital. “É uma obra que simboliza compromisso, responsabilidade e a capacidade de concluir aquilo que ficou guardado por muitos anos”, declarou. “Para a Secretaria de Esporte, é a confirmação de uma gestão que prioriza infraestrutura pública de qualidade; para a população, é a devolução de um espaço de lazer que faz parte da memória do DF e volta a ser motivo de orgulho”, completou.

Obras

Com a ordem de serviço assinada em novembro de 2024, a obra teve início em março do ano passado e é executada pela Engemil – Engenharia, Empreendimentos, Manutenção e Instalações Ltda, contratada pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). 

Além da tradicional piscina de ondas, que manterá o famoso revestimento de azulejos Gres, o projeto abrange a restauração e implantação de um complexo aquático, com piscina infantil contendo tobogãs para as crianças e uma passagem que abrigará uma correnteza de águas brandas, conhecida como rio lento. A piscina principal e o rio lento terão volume de 1.736 metros cúbicos e 900 metros cúbicos, respectivamente, com diferentes níveis de profundidade.

A obra já contou com montagem das casas de máquinas do rio lento, recomposição do piso e reboco da casa de bombas da piscina principal, instalação do sistema hidráulico dos banheiros, entre outros serviços. Antes dessas etapas, houve a conclusão dos projetos executivos e do canteiro de obras, demolição em geral, locação e escavação da área do rio lento e casas de máquinas correspondentes, escavação das instalações hidrossanitárias dos banheiros e vestiários, e recuperação estrutural da antiga piscina.

Memória

O som das ondas artificiais e a animação que começava ainda no trajeto até o Parque da Cidade fazem parte da memória afetiva de muitos brasilienses. Para o professor Railton Vanes de Sousa, 54 anos, a Piscina com Ondas foi um dos principais cenários de lazer da juventude. “A piscina de ondas era o nosso point de diversão. Era onde a alegria reinava e onde fazíamos a festa na década de 1980”, relembra. Ele conta que a experiência começava em grupo, ainda no ônibus. “Minhas primeiras lembranças são das caravanas, pegando ônibus da antiga Viplan. Aquilo já nos deixava muito empolgados para tomar banho na piscina e aproveitar as ondas”, diz.

A espera pela reabertura do espaço desperta um misto de nostalgia e esperança de novos encontros. “Acompanhar as obras traz um cheiro de infância e o prazer de imaginar esse espaço de alegria restaurado para aproveitar com a família”, afirma. 

Para Railton, a piscina simboliza um lazer democrático e acessível. “É a oportunidade de garantir um espaço para todos, já que as opções de lazer são poucas e, muitas vezes, caras. A família brasiliense vai reviver com euforia tudo aquilo de bom que vivi na infância e adolescência”, destaca.

Cultura

Não foram só as ondas que fizeram sucesso com o público. A piscina também foi palco para artistas, como Cássia Eller e Zélia Duncan, e virou até cenário para videoclipes de bandas brasilienses. 

Formada em Brasília no início dos anos 1990, a Maskavo — então chamada Maskavo Roots — vivia um de seus momentos mais promissores quando gravou, em 1995, o videoclipe da música Tempestade na Piscina com Ondas do Parque da Cidade. “Parecíamos o time campeão da temporada”, relembra o guitarrista Carlos Rolim de Andrade, o Pinduca. 

Segundo ele, a banda havia acabado de lançar o primeiro disco. “Achávamos que o jogo estava ganho. O clipe rodava várias vezes na MTV e a música tocava em rádios. Foi uma fase muito divertida”, conta. À época, o grupo mantinha uma intensa agenda de shows na capital, como lembra o ex-vocalista Marcelo Vourakis. “Tínhamos acabado de lançar o disco e tocávamos com frequência em Brasília, onde fizemos a maior parte dos nossos shows”, afirma.

A escolha da Piscina com Ondas como cenário partiu da Banguela Records — selo fonográfico da gravadora Warner Music Brasil — e teve caráter essencialmente estético e conceitual. “Precisávamos de um lugar icônico da cidade e queríamos brincar com velocidades de execução de vídeo e áudio. A escolha foi prática e estética, não afetiva — aquela foi a primeira vez de quase todos os integrantes na piscina”, explica Marcelo. 

A direção ficou a cargo de Victor Civita Neto, que optou por filmar em Super-8. “Foi tudo muito improvisado, mas estávamos felizes com a oportunidade de ter um clipe exibido nacionalmente”, recorda o guitarrista Rodrigo Pratavieira, o Prata. 

Quase 30 anos depois, a reabertura do espaço desperta sentimentos de orgulho e pertencimento. “Recebemos essa notícia com muita felicidade, ainda mais por sermos associados a um ponto tão simbólico da cidade”, diz Pinduca. Para Marcelo, reativar espaços como esse é essencial para a memória urbana. “Brasília é uma cidade jovem. Preservar lugares assim é fundamental. Espero levar meus filhos à piscina e contar a história que partilhamos com ela”, completa.

Originalmente publicado em Correio Braziliense

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