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Haddad avança para disputa em São Paulo e PT prepara ato político com Lula para lançar pré-candidatura

Evento previsto para 19 de março deve marcar entrada do ministro na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes

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O PT começou a organizar um ato político para anunciar a pré-candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo de São Paulo, em um movimento que deve recolocar o ex-prefeito da capital paulista no centro da disputa estadual de 2026. Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, a ideia é realizar o anúncio em uma agenda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado, no próximo dia 19 de março.

Embora Haddad e seus aliados ainda evitem confirmar publicamente a pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes, as primeiras conversas sobre a estrutura política do projeto já começaram nesta semana. A definição da data do anúncio, segundo a reportagem, vem sendo tratada com discrição, enquanto o entorno do ministro atua para montar uma chapa competitiva e ampliar o arco de alianças no campo progressista.

O desenho inicial da chapa prevê a ministra do Planejamento, Simone Tebet, em uma das vagas ao Senado. Para isso, ela teria de transferir o domicílio eleitoral para São Paulo e deixar o MDB. A expectativa, de acordo com a informação publicada, é que ela se filie ao PSB, fortalecendo a composição de uma frente mais ampla em torno da candidatura de Haddad.

Nos bastidores, porém, não há consenso fechado sobre a segunda vaga ao Senado. Uma ala do PT defende o nome do ministro do Empreendedorismo, Márcio França, também filiado ao PSB. França, que já governou São Paulo, é apontado como um quadro com forte trânsito político no interior paulista e com ligação estreita ao vice-presidente Geraldo Alckmin, o que poderia ampliar o alcance eleitoral da chapa em regiões historicamente mais resistentes ao campo progressista.

Outra ala do partido, por sua vez, prefere ver a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ocupando essa segunda vaga. A divergência revela que, mais do que uma simples formalização de candidatura, o movimento em torno de Haddad envolve uma negociação ampla sobre alianças, identidade programática e equilíbrio político entre partidos e lideranças que compõem a base do governo federal.

Na terça-feira (10), Haddad reconheceu a complexidade do cenário paulista, mas evitou cravar sua entrada oficial na disputa. Ao comentar a conjuntura, afirmou que São Paulo “é sempre desafiador para o campo progressista”. A declaração reforça a leitura de que o ministro tem plena consciência das dificuldades eleitorais no estado, mas também sugere disposição para enfrentar uma disputa que o PT considera estratégica.

Ao ser questionado por jornalistas sobre a eventual candidatura contra o governador Tarcísio de Freitas, Haddad preferiu enfatizar o conteúdo político do debate. “O importante, em primeiro lugar, é qualificar a debate. É, por meio do contraditório, elevar o nível de debate, o nível das propostas e não deixar ninguém na zona de conforto”, respondeu.

A fala foi interpretada como um sinal claro de que o ministro pretende construir uma campanha ancorada em propostas e na confrontação programática com o atual governo paulista. Ao mesmo tempo, Haddad indicou que a definição da chapa ainda depende de entendimentos mais amplos com figuras centrais da coalizão governista.

“Não é só a candidatura, tem que ver o bloco de pessoas, o grupo de pessoas que vão compor a chapa”, declarou o ministro, ao mencionar que ainda haveria conversas pendentes com o presidente Lula, Geraldo Alckmin e Simone Tebet. A frase sintetiza o estágio atual da articulação: a candidatura está em preparação, mas seu lançamento depende da consolidação de uma engenharia política mais abrangente.

Além da montagem da chapa paulista, a possível saída de Haddad do Ministério da Fazenda também já movimenta Brasília. O ministro confirmou que deverá deixar o cargo na próxima semana, abrindo espaço para uma transição no comando da pasta em um momento ainda sensível para a condução da política econômica do governo.

Haddad indicou que seu secretário-executivo, Dario Durigan, é o nome mais cotado para assumir o ministério. Ao falar sobre o auxiliar, fez questão de destacar sua proximidade com o presidente e sua experiência administrativa. “O Dario [Durigan] tem uma relação muito boa com o presidente, muita confiança. E tem o domínio aqui do ministério há muitos anos. É um grande gestor público”, afirmou, observando, porém, que a prerrogativa da indicação cabe ao presidente Lula.

Durigan ocupa a secretaria-executiva da Fazenda desde o segundo semestre de 2023, quando substituiu Gabriel Galípolo, hoje presidente do Banco Central. Sua eventual ascensão ao comando do ministério seria vista como uma solução de continuidade, preservando a linha de gestão adotada por Haddad desde o início do atual governo.

A movimentação política em torno do ministro ocorre em meio a um cenário eleitoral ainda difícil para o PT em São Paulo. Pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana mostrou Haddad com 31% das intenções de voto para o governo estadual, 13 pontos percentuais atrás de Tarcísio de Freitas, que lidera em todos os cenários testados.

Apesar da vantagem do atual governador, o levantamento também indicou a possibilidade de segundo turno, elemento que anima setores do PT e reforça a avaliação de que Haddad ainda pode nacionalizar a disputa e aglutinar o campo progressista no maior colégio eleitoral do país. A leitura dentro do partido é que, mesmo diante de um favoritismo inicial de Tarcísio, a eleição está longe de ser decidida.

A resistência de Haddad em se lançar novamente a uma disputa majoritária vinha sendo explicada, em parte, pelo retrospecto recente. Em 2022, ele foi derrotado por Tarcísio na corrida pelo governo paulista. Antes disso, em 2018, perdeu a eleição presidencial para Jair Bolsonaro. Esses antecedentes alimentaram dúvidas sobre sua disposição de voltar às urnas em um cenário inicialmente adverso.

Ainda assim, a decisão do PT de preparar um ato político com o presidente Lula indica que o partido aposta no peso nacional de Haddad, em sua identificação com o governo federal e em sua capacidade de polarizar o debate com o atual governador. Mais do que uma candidatura individual, o que se desenha é a tentativa de organizar um palanque robusto para enfrentar a direita paulista e reposicionar o campo progressista no estado.

O anúncio previsto para 19 de março, caso seja confirmado, deverá funcionar como um marco na reorganização eleitoral do PT em São Paulo. Até lá, as negociações sobre os nomes ao Senado, o papel dos aliados e a sucessão na Fazenda seguirão no centro das conversas, em uma operação política que une São Paulo e Brasília em torno de uma mesma equação de poder.

Com informações do Brasil247

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