Ex-chanceler e assessor de Lula afirma que tentativas de pressionar o Supremo em favor de Bolsonaro são ‘inúteis’
A recente declaração da Casa Branca sobre a possibilidade de recorrer a meios militares em defesa da “liberdade de expressão” causou forte reação no Brasil. Em entrevista à GloboNews, o ex-chanceler Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assuntos internacionais, classificou as falas como “preocupantes”, mas ressaltou que não terão efeito sobre o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), relata o g1.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não hesitaria em “usar meios militares” para proteger a liberdade de expressão, em referência direta ao processo contra Bolsonaro e outros sete acusados de tentativa de golpe de Estado. Para Amorim, a manifestação representa uma pressão diplomática ineficaz e indevida: “Qualquer tentativa é inútil, porque eu acho que o Supremo agirá com independência. Agora, a ligação existe. Foi em resposta a uma pergunta sobre o julgamento. A pergunta era sobre o julgamento e ela respondeu com essas hipóteses absolutamente fora da diplomacia”.
Preocupação com tom da Casa Branca
Amorim destacou que a fala da porta-voz gera instabilidade internacional. “Acho que [uma ação militar contra o Brasil] nunca vai acontecer, mas é realmente algo muito preocupante mesmo que seja bravata. É extremamente preocupante. Não ajuda a encontrar solução para as questões”, disse. Segundo ele, a defesa norte-americana de “liberdade de expressão” é muitas vezes confundida com ausência de regulação para grandes plataformas digitais.
O embaixador alertou ainda que a declaração de Leavitt reflete um clima político que não favorece o diálogo. “Nós também somos a favor da liberdade de expressão, mas em um parâmetro ético razoável. Agora, com relação a ela dizer que não tem medo de usar a força, eu não sei nem se ela estava autorizada a dizer isso exatamente, mas cria um clima, de qualquer maneira, reflete um clima”.
Risco de sanções e impacto econômico
O governo brasileiro avalia que, em caso de condenação de Bolsonaro, a Casa Branca pode adotar novas sanções. Amorim considera que tais medidas teriam efeito limitado. “Nós esperamos que haja respeito à decisão do Judiciário brasileiro, que é independente, cujos membros foram nomeados por governos variados. […] Acho que seria improdutivo, até do ponto de vista dos interesses econômicos, mas coisas mais improdutivas e mais improváveis, por vezes, têm ocorrido”, afirmou.
Aproximação com a China e cooperação militar
Amorim também abordou as relações internacionais do Brasil diante da postura de Washington. Segundo ele, o cenário fortalece a aproximação com parceiros como China, França e Índia. O assessor especial esteve em Pequim no início do mês para acompanhar as celebrações dos 80 anos da vitória chinesa sobre o Japão e confirmou o envio, pela primeira vez, de um adido militar de nível general ao país asiático. “Não há uma escolha, mas quem viu aquela parada [militar na China] sabe que eles teriam o que oferecer. Mas tem que ser em condições adequadas, de uma maneira que não crie dependência nossa a eles”.
Críticas a possíveis intervenções na América Latina
Questionado sobre movimentações militares dos EUA no Caribe e na América do Sul, Amorim foi enfático: “Não sei qual é o objetivo dos EUA, mas uma intervenção armada, misturar narcotráfico com terrorismo, juntar isso com chefe de governo [Maduro] é inadmissível, vai contra todos os preceitos das Nações Unidas, da própria OEA. É intolerável qualquer intervenção na América Latina de forma geral e na América do Sul em particular”.
Escalada de tensões globais
Amorim também se manifestou sobre o agravamento das tensões entre Rússia e Otan, após a Polônia acusar Moscou de violar seu espaço aéreo com drones militares. Para ele, o momento exige cautela e esforços de diálogo. “Nós vivemos num mundo em que há um nevoeiro, que tem que ser muito atento à paz. […] Os Estados Unidos têm influência, mas a China também tem, os BRICS também têm”.
O embaixador avaliou que o mundo atravessa um dos períodos mais delicados desde a Segunda Guerra Mundial, superando até mesmo a Crise dos Mísseis de 1962. “Vivemos em um mundo muito perigoso. Nunca vi nada como estou vendo agora. Você tem dois conflitos se agravando [no Oriente Médio e no leste europeu], dois conflitos com possibilidade de se transformar numa guerra global. Isso não é uma coisa impensável. É indesejável, mas não é impensável, então temos de trabalhar pela paz, e trabalhar ativamente”.
Com Informações Brasil247
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