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Presidente do Psol-RJ aponta possível conivência de Cláudio Castro no escândalo do Banco Master

O deputado estadual Flávio Serafini (Psol-RJ) articula as últimas assinaturas para instalar CPI

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Polícia Federal apreende dinheiro na Operação Barco de Papel, em Balneário Camboriú | Crédito: Polícia Federal/ Divulgação
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Enquanto malas de dinheiro eram jogadas pela janela de um apartamento em Balneário Camboriú durante mais uma operação da Polícia Federal, no Rio de Janeiro a corrida é contra o relógio. O deputado estadual Flávio Serafini (Psol-RJ) articula, nos corredores da Assembleia Legislativa (Alerj), as últimas assinaturas necessárias para instalar uma CPI que investigue o rombo de quase R$ 1 bilhão aplicado pela Rioprevidência em títulos fraudulentos do Banco Master.

“Essa mala de dinheiro jogada da janela mostra que esse esquema foi corrupto. Não há dúvida de que não foi erro de gestão ou aplicação de risco. Eles colocaram mais de R$ 1 bilhão na mão do Banco Master”, afirmou Serafini ao Conexão BdF da Rádio Brasil de Fato.

O fundo de previdência dos servidores estaduais fluminenses investiu pesado nos papéis do banco que está no centro do maior escândalo financeiro da história recente do país. Mas não foi só. A Cedae, companhia pública de águas e esgotos, também aplicou centenas de milhões por intermédio do Master. E os aposentados do estado pagam a fatura mais cara: empréstimos consignados com juros de até 5,5% ao mês — o dobro do teto permitido pelo INSS.

Para Serafini, o caminho foi pavimentado pelo próprio governador Cláudio Castro (PL). “Foi ele quem publicou o decreto que habilitou o Banco Master no programa Crédito, permitindo que os aposentados do Rio pegassem empréstimos com juros extorsivos. Foi ele quem mudou a direção da Rio Previdência para que fizesse essas operações.”

A demora para afastar o ex-presidente do fundo, substituído apenas em 29 de janeiro — muito depois de as fraudes virem a público —, seria a senha do envolvimento. “Você tem um assessor que dá um prejuízo de R$ 1 bilhão. Você vai fazer o quê? Manter ele? Não. A não ser que ele tenha te dado esse prejuízo seguindo suas ordens. Foi o que Cláudio Castro fez. Ele é cúmplice.”

O prejuízo não é uniforme. O Rioprevidência é, na verdade, um guarda-chuva que cobre três fundos distintos: o dos militares, o dos servidores antigos (pré-2013) e o dos novos servidores (pós-2013). Foi justamente este último — até então superavitário, saudável e com cerca de R$ 3 bilhões acumulados — que perdeu quase um terço de seu patrimônio.

“A maior parte dos recursos saiu desse fundo dos novos servidores. É um fundo que agora começa a ter um número crescente de aposentadorias. Ele tá em risco”, alerta Serafini. O temor é que a sangria, somada ao desvio de recursos dos royalties do petróleo já denunciado pelo Psol na Justiça, leve à quebra do sistema previdenciário estadual.

Até o momento, Serafini reuniu 18 assinaturas. Faltam poucas. “Se todos os deputados dos partidos que se colocam como oposição assinarem, a CPI sai do papel. A gente já conseguiu duas assinaturas da base do governo. Agora falta a oposição querer essa CPI.”

A crítica é dirigida especialmente aos deputados do partido do prefeito Eduardo Paes. “Infelizmente, eles não costumam gostar de assinar nada que afronte o governo Cláudio Castro.” Mas a cobrança também atinge parte da esquerda. “Alguns deputados ainda não assinaram. Não dá para transigir com esse tipo de esquema e com esse tipo de governo que atenta contra o povo.”

Marielle: indenização sim, justiça ainda não

Serafini também repercutiu a decisão do Tribunal de Justiça do Rio que determinou o pagamento de indenização por danos morais e pensão a Mônica Benício, viúva de Marielle Franco, pelos assassinos confessos Ronnie Lessa e Élcio Queiroz.

“É uma decisão fundamental. O assassinato de Marielle foi um assassinato político, que interrompeu uma vida potente, uma liderança ascendente. Essa medida é parte do reconhecimento do efeito devastador que esse crime teve”, afirmou. “Obviamente é pouco, não tem dinheiro que amenize a perda afetiva, amorosa, política. Mas é parte do cumprimento da justiça.”

O deputado lembra que o julgamento dos mandantes está marcado para os dias 24 e 25 de fevereiro. “Os mandantes são figuras da política do Rio: um conselheiro do Tribunal de Contas, ex-deputado estadual, e um deputado federal do MDB. Precisam ser condenados. A compreensão política desse assassinato é fundamental para refundar o estado do Rio de Janeiro, que está mergulhado nesse lodo que a extrema direita e as milícias nos empurram.”

Enquanto o TSE retoma, no dia 18, o julgamento que pode cassar Cláudio Castro, o governador articula nos bastidores uma renúncia estratégica para escapar da inelegibilidade e pavimentar uma candidatura ao Senado, com direito a uma eleição indireta aprovada a toque de caixa pela Alerj. Para Serafini, o movimento é claro: “Ele está com medo de ser caçado, de ser preso. E quer perpetuar esse condomínio de poder cheio de esquemas”.

*Com informações do Brasil de Fato

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