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Mercados disparam com trégua tarifária entre EUA e China após acordo temporário

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Redução mútua de tarifas por 90 dias anima bolsas globais e eleva expectativa de solução para impasse comercial

247 – As tensões comerciais entre as duas maiores economias do planeta deram uma trégua, ao menos temporariamente. Segundo comunicado conjunto divulgado nesta segunda-feira (12) em Genebra, Estados Unidos e China acordaram reduzir, por um período de 90 dias, as tarifas aplicadas sobre as importações de um lado e de outro. A medida representa um esforço para aliviar o conflito que vinha pressionando os mercados e deteriorando o comércio bilateral, relata matéria da Bloomberg repercutida pelo jornal O Globo.

Com o anúncio da trégua, os mercados globais reagiram com entusiasmo. Bolsas asiáticas e europeias operaram em alta, os contratos futuros de índices norte-americanos dispararam e até o petróleo se valorizou, com investidores prevendo menor risco de desaceleração econômica global. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras seis moedas, avançou mais de 1,2% no início da madrugada. O yuan offshore, por sua vez, também registrou valorização de 0,5% frente à moeda americana.Play Video

Tarifas serão drasticamente reduzidas – No centro do entendimento está a significativa redução das tarifas bilaterais. Do lado dos EUA, as tarifas que chegavam a 145% sobre produtos chineses — inclusive sobre o fentanil — serão cortadas para 30%, até 14 de maio. Em contrapartida, a China reduzirá suas alíquotas sobre produtos americanos de 125% para 10%.

Durante a coletiva de imprensa realizada em Genebra, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, destacou: “concordamos que nenhum dos lados deseja o desacoplamento econômico”. Ele afirmou ainda que houve “uma discussão muito robusta e produtiva sobre os próximos passos em relação ao fentanil” e sugeriu que as negociações podem culminar em “acordos de compra” por parte do governo chinês.

No entanto, Bessent fez questão de esclarecer que as tarifas setoriais impostas pelos EUA a outros países seguem em vigor e que, mesmo com a redução anunciada, ainda permanecem válidas as tarifas específicas aplicadas à China.

Reação dos mercados e otimismo cauteloso – A trégua animou os mercados. Os futuros do S&P 500 subiram 3%, enquanto os do Nasdaq 100 avançaram 3,8% por volta das 3h28 (horário de Nova York). Em Hong Kong, o índice Hang Seng registrava alta de aproximadamente 3,3%. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA também subiram, acompanhando o otimismo.

As ações chinesas avançaram e o iuan se fortaleceu nesta segunda-feira. O índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu 2,98%, enquanto o índice de tecnologia ganhou mais de 5%, ambos marcando os maiores saltos em um único dia desde o início de março. No fechamento, o índice de Xangai teve alta de 0,82%, enquanto o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 1,16%.

O iuan se fortaleceu até 7,2001 em relação ao dólar, atingindo o maior valor em seis meses, enquanto sua contraparte offshore subiu mais de 0,5%.

A Casa Branca chegou a chamar o entendimento de “acordo comercial” em um comunicado preliminar divulgado no domingo. No entanto, ainda não está claro qual será o desfecho final, nem quanto tempo levarão as negociações para consolidar uma solução duradoura. A China insiste na retirada completa das tarifas impostas neste ano, demanda que conflita com o objetivo americano de reequilibrar a balança comercial entre os dois países.

Jamieson Greer, representante de comércio dos EUA, afirmou: “nossos colegas chineses claramente vieram dispostos a negociar esta semana”. Ele também reforçou que o governo norte-americano busca um comércio mais equilibrado.

Histórico de impasses e dúvidas sobre o futuro – Apesar do entusiasmo dos mercados, há cautela entre os analistas. Em 2018, um cenário semelhante ocorreu, quando os dois países anunciaram uma pausa nas tarifas após negociações. Porém, o entendimento ruiu pouco tempo depois, levando a mais de um ano e meio de medidas tarifárias adicionais até a assinatura do chamado “acordo de Fase Um”, em janeiro de 2020. A China, no entanto, não cumpriu integralmente as metas de compras previstas naquele pacto.

Durante a pandemia, o déficit comercial norte-americano com o país asiático voltou a crescer, alimentando o atual ciclo de tensões. A trégua atual surge como uma nova tentativa de construção de confiança e reequilíbrio, mas o desfecho permanece incerto.

A agência Xinhua relatou, citando um livro branco chinês sobre segurança nacional, que Pequim sempre conduziu suas relações com Washington com base em “respeito mútuo” e reiterou o compromisso com o desenvolvimento estável das relações bilaterais, rejeitando pressões e ameaças como método de negociação.

A criação de um mecanismo permanente de diálogo econômico e comercial também foi anunciada, com o objetivo de ampliar a cooperação e evitar novos choques.

Com informações do Brasil 247

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