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Dez aldeias Guarani no RS capturaram mais CO₂ da atmosfera do que emitiram

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Levantamento do Projeto Ar, Água e Terra aponta saldo positivo de 3.870 toneladas de dióxido de carbono

Projeto que envolve 10 aldeias Guarani e se estende por mais de 3 mil hectares nos biomas Pampa e Mata Atlântica, no Rio Grande do Sul, demonstrou, em estudo, que ao longo de um ano capturou mais dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera do que emitiu. Dados constam no mais recente Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) do Projeto Ar, Água e Terra, desenvolvido pelo Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (Iecam) com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Realizado com base em metodologia reconhecida internacionalmente, segundo o Programa Brasileiro GHG Protocol e as normas ISO 14064-1 e 14064-2, o levantamento consolida os dados de emissões e reduções de gases de efeito estufa do primeiro ano de execução da 4a fase do Projeto – que terá duração total de três anos, com três inventários anuais (2024-2026). Em 2024, o total de emissões foi de 10,95 tCO₂e, com média mensal de 0,91 tCO₂e. As principais fontes de emissões estão associadas à emissão veicular, seguida de emissões relativas ao uso de adubo para as atividades de reflorestamento.

A perspectiva é ampliar ainda mais as áreas restauradas, fortalecer a integração entre reflorestamento, agroflorestas e segurança alimentar, e aprofundar a articulação entre o conhecimento tradicional dos povos indígenas e as práticas ambientais contemporâneas – Foto: Divulgação / Iecam

Em relação às reduções de emissões, o plantio em áreas reconvertidas ou recuperadas resultou na mitigação de 3,83 tCO₂e em 2024. Esse número pode chegar a 945 tCO₂e ao longo de 10 a 20 anos de projeto, considerando os 20,82 hectares de áreas reconvertidas e recuperadas. Nas áreas de preservação e conservação ambiental, que somam 3.145 hectares, a estimativa é de que 3.877 tCO₂e tenham sido capturadas ao longo do período analisado. A longo prazo (10-20 anos), o potencial acumulado pode atingir 42.096 tCO₂e, graças à manutenção dos estratos florestais consolidados nas Terras Indígenas.

Com isso, o Projeto Ar, Água e Terra apresenta uma redução líquida total de 3.869,97 tCO₂e no ano de 2024, resultado da diferença entre as emissões líquidas consolidadas e as remoções líquidas por reflorestamento e conservação.

O Projeto Ar, Água e Terra mostra como uma ação local, com base técnica e enraizamento cultural, pode responder de forma concreta aos desafios globais da emergência climática – Foto: Divulgação / Iecam

Desde 2011, o projeto realiza inventários anuais de GEE como ferramenta de gestão ambiental, orientando decisões com base em dados reais. Nas fases anteriores (2011-2013 e 2017-2019), as emissões médias foram da ordem de 13 tCO₂e por ano, valor semelhante ao total de 2024. A prática sistemática reforça a consistência dos dados e evidencia a evolução das ações de mitigação ao longo do tempo.

“Mais do que números, o Inventário funciona como bússola: aponta onde estão os principais focos de emissão, orienta o planejamento de ações de mitigação e oferece credibilidade a parceiros, à patrocinadora e à sociedade”, afirma Denise Wolf, coordenadora do Projeto e presidente do Iecam. Segundo ela, a ferramenta é ainda mais estratégica diante do agravamento da crise climática e das pressões regulatórias por metas de descarbonização.

Aldeias e regiões do RS que participam da 4ª fase do Projeto Ar, Água e Terra:

MUNICÍPIO(S)COMUNIDADES/ALDEIAS DIRETAMENTE ABRANGIDAS
CaraáTeko’a Ka’aguy Pau (Aldeia Vale das Matas)
Teko’a Nhuu Porã (Aldeia Campo Bonito/Molhado)
Maquiné
Riozinho
OsórioTeko’a Kuaray Resé (Aldeia Sol Nascente)
Palmares do SulTeko’a Yriapu (Aldeia Som do Mar)
Porto AlegreTeko’a Anhetenguá (Aldeia da Verdade)
Rio GrandeTeko’a Pará Rokê (Aldeia Porta do Mar)
Santa MariaTeko’a Guaviraty Porã (Aldeia da Guabiroba Boa)
TorresTeko’a Nhuu Porã (Aldeia Campo Bonito)
ViamãoTeko’a Nhuundy (Aldeia do Campo Aberto/ Capinzal)
Teko’a Pindo Miri (Aldeia Coqueirinho/dos Coqueiros)

Conforme Wolf, para os próximos anos, a perspectiva é ampliar ainda mais as áreas restauradas, fortalecer a integração entre reflorestamento, agroflorestas e segurança alimentar, e aprofundar a articulação entre o conhecimento tradicional dos povos indígenas e as práticas ambientais contemporâneas. “O Projeto Ar, Água e Terra mostra como uma ação local, com base técnica e enraizamento cultural, pode responder de forma concreta aos desafios globais da emergência climática”, destaca.

Editado por: Katia Marko

*Com informações da Brasil de Fato

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