Economistas apontam que aumento de tarifas dos EUA reduz preços de alimentos este ano, mas pode gerar pressão inflacionária em 2026
O tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma ampla lista de produtos brasileiros, deve gerar um alívio temporário na inflação do Brasil em 2025. A avaliação é de economistas ouvidos pelo g1, que destacam tanto a redução imediata de preços quanto o risco de aumento no futuro.
Entre os itens sobretaxados estão café, carnes, frutas, peixes, máquinas e equipamentos. Como parte dessa produção não encontrará novos mercados externos, a tendência é que o excedente seja direcionado ao consumo interno, aumentando a oferta e, consequentemente, pressionando os preços para baixo.Play Video
Alívio de preços em 2025
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, afirma que os maiores efeitos serão sentidos em itens como frutas, peixes e ovos. “A questão de frutas e peixes, esses sim vão tentar colocar o máximo no mercado doméstico e a gente já vê relatos de preços menores. Ovos também devem ficar um pouco mais baratos”, disse.
Segundo ele, outros produtos, como carnes e café, devem registrar quedas menos expressivas, já que exportadores buscam novos destinos. “Talvez o efeito seja um pouco menor, menos sentido”, completou.
André Perfeito, economista, observa que alimentos in natura já contribuem para reduzir o índice de preços e que o impacto do tarifaço tende a reforçar esse movimento.
Para Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, o efeito deflacionário será limitado. “A gente está falando aí de alguns centésimos de ponto percentual”, destacou, citando que frutas como manga e uva já apresentam preços menores, assim como a tilápia, peixe fortemente dependente do mercado americano.
Risco de alta em 2026
Apesar da trégua inflacionária em 2025, o cenário para 2026 preocupa. Cruz alerta que prejuízos deste ano podem levar produtores a reduzir a produção no próximo ciclo, o que elevaria preços. “Às vezes o produtor, ele não está com tanto espaço assim, o prejuízo desse ano seja suficiente para que ele no ano que vem ainda assim segure tanto o pé no freio, que aconteça o contrário, os preços subam mais do que o imaginado porque se plantou menos, porque se cultivou, se criou menos peixes”.
Juliana Machado Goncalves Daitx, coordenadora de investimentos da Unicred Porto Alegre, concorda que o impacto positivo será pontual. “Dificilmente terá força para mudar de forma significativa as projeções de inflação de 2026 em diante”, disse.
Papel do Banco Central e juros
O Banco Central, que desde 2025 adota meta contínua de 3% para a inflação (com tolerância entre 1,5% e 4,5%), já projeta um IPCA de 3,4% para os 12 meses até março de 2027. A instituição calibra a taxa Selic de forma antecipada, considerando que alterações levam até 18 meses para impacto pleno na economia.
Para André Perfeito, o tarifaço pode acelerar cortes de juros, com a Selic possivelmente encerrando 2025 em 14,50% ao ano, contra os atuais 15%. “É provável que o mercado comece a considerar seriamente cortes de juros este ano e com maior intensidade”, avaliou.
Boragini pondera que cortes antecipados só ocorrerão se a inflação ficar próxima ou abaixo da meta, cenário que considera improvável. “Mas a gente está falando de [as projeções de inflação virem na] meta ou abaixo da meta. Esse não é o nosso cenário, está longe disso o nosso cenário. Tudo pode acontecer sem dúvida nenhuma, mas, repito, não é o nosso cenário e eu acho pouco provável isso acontecer [corte de juros ainda em 2025]”, concluiu.
Com informações do Brasil 247
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