O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá nesta sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. A reunião ocorre em um momento decisivo para a política comercial internacional, às vésperas da assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, considerado histórico pelo alcance econômico e geopolítico.
O encontro, segundo informações divulgadas oficialmente sobre a agenda presidencial, acontece uma semana após os dois blocos terem dado aval político à assinatura do tratado, prevista para o sábado (17), no Paraguai. O acordo une países que, juntos, somam cerca de 720 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto superior a US$ 22 trilhões, o que corresponde a aproximadamente um quarto da economia global.
Do total de consumidores abrangidos pelo acordo, cerca de 450 milhões estão na União Europeia, enquanto outros 270 milhões vivem nos países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A dimensão do mercado envolvido transforma o tratado em um dos maiores acordos comerciais já negociados, com potencial para redesenhar fluxos de comércio, investimentos e cadeias produtivas entre a Europa e a América do Sul.
Apesar do discurso de ganhos mútuos, o acordo evidencia assimetrias estruturais entre os dois blocos. A União Europeia reúne economias altamente industrializadas, com elevado nível tecnológico e forte capacidade de subsídios agrícolas e industriais. Já o Mercosul, embora diverso, apresenta maior dependência da exportação de commodities e menor densidade industrial, o que levanta preocupações sobre a concorrência com produtos europeus de maior valor agregado.
Entre as vantagens apontadas para o Brasil e seus parceiros estão a redução de tarifas, a previsibilidade nas relações comerciais e a possibilidade de atração de investimentos estrangeiros. O acordo também pode estimular a modernização de setores produtivos e ampliar exportações agrícolas e industriais. Por outro lado, há receios de prejuízos para segmentos menos competitivos da indústria regional, que podem enfrentar maior pressão de produtos europeus, além de debates sobre exigências ambientais e regulatórias mais rígidas.
Após a assinatura, o texto do acordo ainda precisará passar por um longo processo de aprovação. Será necessário o aval do Parlamento Europeu e a ratificação pelos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A entrada em vigor só ocorrerá depois da conclusão de todos os trâmites legais, incluindo a aprovação de dispositivos que vão além da política comercial, o que indica que os efeitos práticos do tratado ainda dependerão de negociações e disputas políticas nos próximos anos.
Nesse contexto, a reunião de Lula com Ursula von der Leyen e António Costa ganha peso simbólico e estratégico, ao sinalizar o engajamento político de alto nível para viabilizar um acordo que promete integrar mercados, mas também desafia os países do Mercosul a lidar com profundas desigualdades econômicas e produtivas na relação com a União Europeia.
Originalmente publicado em Brasil247
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