O governo do Irã afirmou nesta segunda-feira (16) que o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo, permanece aberto, mas operando sob “condições especiais” em meio ao conflito militar que já dura mais de duas semanas. A passagem tem registrado forte redução no tráfego de navios desde o início das hostilidades, informa a CNN.
Responsável por cerca de um quinto do petróleo bruto transportado globalmente, o estreito tem permitido a travessia apenas de um número limitado de embarcações. Segundo autoridades iranianas, o acesso está sendo autorizado apenas para navios de países que não participam das ações militares contra o Irã.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Esmaeil Baghaei, afirmou que as travessias continuam ocorrendo mediante autorização e coordenação com as forças armadas iranianas. “Partes que não estão envolvidas na agressão militar contra o Irã puderam atravessar o Estreito de Ormuz em coordenação e com autorização de nossas forças armadas”, declarou.
Baghaei justificou as restrições ao tráfego marítimo afirmando que países costeiros em situação de conflito não podem permitir a circulação livre de embarcações de nações consideradas hostis. “Nenhum país costeiro em tal situação pode permitir que navios e embarcações inimigas passem normalmente para se fortalecerem e realizarem ações agressivas contra esse Estado costeiro”, disse.
O porta-voz acrescentou que embarcações ligadas aos Estados Unidos, a Israel ou a países que apoiam ações militares contra o Irã não devem esperar acesso normal à rota estratégica. “Os Estados Unidos, Israel e seus apoiadores naturalmente não devem poder usar o Estreito de Ormuz para atacar o Irã”, afirmou.
Também nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por buscar apoio internacional para garantir a abertura da passagem marítima enquanto mantém exigências de rendição por parte de Teerã.
Segundo o chanceler iraniano, a postura de Washington revela uma contradição. “Eles realizaram ataques em grande escala e voltaram a repetir a exigência de rendição incondicional. Hoje, após cerca de 15 dias desde o início da guerra, estão recorrendo a outros países para obter ajuda a fim de garantir a segurança do Estreito de Ormuz e mantê-lo aberto”, afirmou.
Araghchi também reforçou que, na avaliação do governo iraniano, a rota marítima permanece aberta — porém não para países considerados inimigos. “Do nosso ponto de vista, o estreito está aberto; ele está apenas fechado para nossos inimigos e para aqueles que realizaram agressão injusta contra nosso país”, declarou.
Com informações do Brasil247
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