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Dr. Rosinha: Para continuar no poder, direita precisa de novo líder; já começou construir o de Mandetta para 2022

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Nos últimos tempos, a nossa velha imprensa, também chamada de tradicional, corporativa, grande ou comercial,  tem feito críticas ao comportamento de Bolsonaro na política, principalmente sua postura frente à pandemia pelo novo coronavírus.

No entanto, em relação às medidas econômicas de Bolsonaro e Guedes, esta mesmo imprensa faz apenas alguns comentários. São só para constar.

Não vão além. Afinal, apoiam e lucram com a destruição dos direitos dos trabalhadores.

Na última semana, a ênfase foi na pandemia e na relação Bolsonaro X Mandetta/Ministério da Saúde.

Ênfase que tem tem razão de existir, não só pela boçalidade e ignorância de Bolsonaro, mas também porque a direita precisa de um líder ou até mesmo de um herói nacional.

Após o golpe que, em 2016, derrubou a então presidenta Dilma, a direita, representada basicamente pelo MDB, PSDB, DEM, PP e PTB, passou a disputar o espaço político entre si e se dividiu.

Nessa divisão, um setor de extrema direita se construiu e ganhou as eleições de 2018.

Agora, Bolsonaro, o líder da extrema direita, precisa ser derrotado pela direita para que ela se constitua como alternativa de governo em 2022.

Para que isso ocorra, precisa de um líder nacional. E ele está sendo construído. Chama-se Luís Henrique Mandetta.

João Doria governa o estado de São Paulo, “a locomotiva do Brasil”.

Mas, por ora, sua liderança não tem alcance nacional, estando restrita ao seu estado.

Os demais governadores e/ou lideranças da direita brasileira estão limitados aos seus estados ou com pouco alcance nacional, como Doria.

Davi Alcolumbre, presidente do Senado e do Congresso Nacional, sequer consegue liderar dentro das quatro paredes da instituição que preside.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, líder do ‘Centrão’, tem sua liderança limitada ao espaço institucional.

Destaca-se nacionalmente graças à mediocridade de Jair Bolsonaro, que é maior do que a dele.

A pandemia deu a oportunidade à direita para construir um novo líder.

Aproveitando-se da boçalidade de Bolsonaro e da competência dos técnicos do Ministério da Saúde e das orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), foi fácil para Mandetta, com o apoio desta direita, tomar posição em defesa da saúde e do SUS, coisa que ao longo de sua vida pública nunca fez.

A estratégia definida pela direita é de Mandetta fazer a disputa com Bolsonaro até o ‘insuportável’’.

Neste caso, o controle da pandemia e/ou o achatamento ou não das curvas do número de internamentos e do número de mortos pelo Covid-19 tornou-se secundário para Mandetta e a direita.

Se achatá-la, é mérito de Mandetta. Ele é o vencedor.

Se não achatá-la, a culpa é do Jair Messias Bolsonaro. Mandetta será o vencedor.

Portanto, tem que suportar o ‘insuportável’ ao máximo para sair como vítima.

A direita precisa de uma vítima para construir seu novo líder ou herói, ou mito como foi Bolsonaro.

A direita precisa de um nome para 2022 e, esse, se bem trabalhado pode ser Mandetta.

Essa é a jogada.

Nessa jogada, a imprensa comercial, como sempre porta voz da burguesia brasileira, busca estrategicamente a saída de Bolsonaro com a manutenção do modelo econômico neoliberal. Por isso poupam ideologicamente críticas ao modelo econômico.

O modelo econômico de Bolsonaro/Paulo Guedes é o deles, mas entendem que a boçalidade política, não.

P.S 1: Acabei (13h30min) de receber uma mensagem telefônica, feita por robô do Ministério da Saúde.

P.S 2: O Ministério da Saúde, através de robôs faz chamadas telefônicas para obter dados e passar informações sobre o coronavírus. Louvável, se não fosse a disputa política entre  Mandetta e Bolsonaro.

O nome do ministro não é citado nesta chamada, mas com o espaço que tem tido na grande imprensa e nas redes sociais, será raro encontrar alguém que não saiba seu nome.

É a jogada estratégica: a direita, para continuar na disputa, tem que ter um líder para 2022.

Dr. Rosinha é médico pediatra, militante do PT. Pelo PT do Paraná, foi deputado estadual (1991-1998) e federal (1999-2017).  De 2015 a 2017, ocupou o cargo de Alto Representante Geral do Mercosul.

por Dr. Rosinha*

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